A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira

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Raimundo Soares - 06-05-15Com certeza, o tema da redação do Enem 2015 “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira” foi um tema instigante, propício, atual e digamos interpretado por alguns como “polêmico” principalmente nas redes sociais. Diga-se que a violência contra a mulher ainda é uma opressão mundial e isso precisa mudar radicalmente. Resolvi encarar o tema e escrever um pouco sobre isso também, afinal, o interesse é de todos e para todos.
Naquela noite, os gritos foram ouvidos a uma boa distância daquela casa e o alarido dos vizinhos ecoou nos celulares que ligavam direto com a polícia. Um dos vizinhos que da janela ouvia e via, relatou com veemência ao policial que também o atendia pelo disk denúncia: Senhor; acredito que alguém está prestes a morrer, por favor, não demorem, é grave, o rapaz está fora de si, já bateu na esposa e colocou um facão no pescoço do sogro que veio ajudar. A criança que estava na casa foi tirada pela mãe e entregue à vizinha da frente que a acolheu com amor, na verdade, a vizinha era a cuidadora do bebê durante a semana.
Por fim, as luzes brilhantes do carro da polícia apareceram e entraram naquele cenário catastrófico onde a raiva, a droga, a violência e a bebida tomaram posse. Sem hesitação, renderam o rapaz e o colocaram na viatura onde foi conduzido para a delegacia. Houve alívio. O agressor iria responder pelos atos de violência à mulher e à sua família.
Bom, este seria um fim feliz, o agressor pagar pelos seus erros e procurar tratamento para seus transtornos agressivos. Seria um fim feliz se a esposa sem dó e compaixão desse queixa pelo que ele havia feito, mas, por dó e compaixão, ela preferiu não denunciar seu companheiro. Quando em silêncio, uma mulher guarda suas agressões sofridas pelo seu companheiro, seja verbal, sexual, física, moral, entre outras, a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira se fortalece e não é isso que esperamos que aconteça.
Queremos que a sociedade, como um todo, tome uma posição firme e que encare a violência contra a mulher como um crime nefasto contra a obra prima criada por Deus, o ser feminino. Assim, respeitar e valorizar seu universo é fazer o seu verso ser uma prosa perfeita, uma poesia em cor e amor.
No Brasil, a Lei Maria da Penha, lei número 11.340 tem por dever aumentar o rigor das punições sobre crimes domésticos. A lei é normalmente aplicada aos homens que agridem fisicamente ou psicologicamente a uma mulher ou à esposa, o que é mais recorrente.
O que dizer da mulher que deu nome a essa lei? Maria da Penha Maia Fernandes, foi vítima de violência doméstica durante 23 anos de casamento, o marido por duas vezes, tentou assassiná-la, uma, com arma de fogo, onde ficou paraplégica, e a outra por eletrocussão e afogamento. Somente depois disso tomou coragem e o denunciou. O parceiro só foi punido depois de 19 anos de julgamento e o pior, ficou apenas dois anos em regime fechado, para revolta de Maria com o poder público.
Fazer valer a aplicabilidade dessa lei é um dever dos órgãos competentes, entretanto é necessário que toda a sociedade preze pelo cumprimento das ações e que, principalmente as mulheres, por mais difícil que seja, estejam dispostas a denunciar o seu agressor. A proteção à denunciante também deve ser levada a sério em todos os pormenores e com toda ajuda que se fizer necessária: assistente social, médicos, psicólogos, etc. Com isso, uma mulher agredida sentirá total apoio, cuidado e amor por parte daqueles que estão ao seu lado e nessa hora, o apoio da família é de suma importância para a recuperação da sua identidade, do seu amor próprio e sua inserção na sociedade.
Acredito que a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira poderia ser diferente se as próprias mulheres se unissem mais e com mais ousadia e coragem quebrassem a barreira do medo e do preconceito de que serão marginalizadas e que tal denúncia feita em aberto às levem ao senso do ridículo e do menosprezo por parte da família e da sociedade.
A própria sociedade comete violência contra a mulher todo dia, isso acontece quando homens trabalhadores ganham mais na mesma função ou profissão, quando as mesmas se tornam meramente um símbolo, objeto de prazer, geralmente sexual, utilizado para venderem mais e criar um estereótipo do universo feminino surreal. Quando aceita imposições colocadas pela sociedade, ela mesma se marginaliza (… Com todo respeito).
A mídia vende a mulher para seus telespectadores todos os dias de forma barata e alimenta essa violência despudorada e sem perceber, a mulher se entrega a esse universo violento virtual. Nesse emaranhado de violências de todos os tipos, a mulher precisa tomar atitudes positivas como um ser único e especial criada por Deus em uma forma inigualável. Valorizar-se, sem medidas é uma postura prudente.
O AMOR é sofredor, verdade. Mas, levando em conta o senso do bem estar do outro, da proteção, da ética e da moral. O AMOR tudo suporta, verdade. Mas, não foi criado para suportar a dor da agressão, essa provém do desprezo interno praticado por aquele que não ama, mas tem sua parceira como propriedade exclusiva.
Enquanto a dor em silêncio destrói a alma amorosa de uma mãe, mulher, Marias e Terezas, com certeza a impunidade continua pensando que não será apanhada em sua própria teia. A persistência contra a violência à mulher precisa ser valorizada, já a persistência da violência contra a mulher precisa ser abominada. Ser feliz é um direito de todos e todos são livres para usufruir de sua liberdade, por isso que Deus criou a mulher como auxiliadora, para que estivesse do lado do companheiro e ambos se tornassem um em corpos interligados pela chama do amor, não da dor.
“Maridos, amai vossas mulheres como a si próprios e não a trateis com grosserias (violências e desrespeito)”. Cl, 3-19. Ouse ser diferente, enfrente, denuncie, bote a boca no trombone, não se cale. Pronto, falei!

(*) Raimundo Soares de Andrade é professor, músico e pastor evangélico – email: [email protected]

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