O tempo e a vida

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Renan Caldas - 30-05-14

Nessa louca existência, a gente aprende que viver é passar pelo seguinte ciclo: nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer. É uma pena que nem todos passam por todos estágios naturais de uma vida. Uns só nascem, uma outra parte nasce e cresce, enquanto alguns nascem, crescem e reproduzem, há quem nasce, cresce, reproduz e envelhece. Mas o que todos temos em comum? A morte! Ela é fatal. Chega para todos! Cedo ou tarde, sem pedir licença, nos convida para o além. O que isso nos ensina? Aproveitar a vida como se não houvesse amanhã, e nem depois… Sem vergonha de demonstrar o mais íntimos dos sentimentos, sem censura prévia e posterior, e claro, sem perder o equilíbrio, e a razão da própria vida.
Às vezes me deparo com a velocidade do tempo, ontem eu queria ser, hoje, eu sou. Amanhã vou querer o que hoje desconheço, e o tempo não para! “O agora” é tão fugaz e o que é hoje sempre foi; os sentimentos, as necessidades humanas. O que nos justifica todos os dias é o que queremos ser amanhã, sem passar por cima do presente que às vezes nos deixa parado, e com tempo a perder.
Não acredito que temos todo o tempo do mundo, como dizia Renato Russo nos anos 80, discordo. Temos o tempo que nos foi dado, pela plenitude da vida, sobretudo, dividido por ciclos, como diz em um dos livros da Bíblia, lá em Eclesiastes cap. 3: “há tempo pra tudo nessa vida, de baixo do sol que nos protege”. Agora, quanto a isso, cabe a nós saber aproveitar cada momento. Mas, o tempo passa, ele não acaba, ao contrário de nós, ele é eterno. Quem passa é a gente, carregando verdades e sentimentos que nos identifica, podemos ampliar nossa mente, os livros que lemos hoje, nos dirá quem seremos daqui dez anos, assim, passamos pela vida, com o pertencimento de algo, ou fazer parte de uma outra vida, construindo uma história.
O que não vale é querer atropelar o tempo, saber o que irá acontecer amanhã, se preocupar tanto com o futuro e deixar de pertencer do presente. A graça da vida está no desconhecido, em deixar as coisas acontecerem como devem acontecer. Já acho tão difícil entender e aproveitar as coisas do momento que não vejo razão para dar atenção às futuras.
Eu fico com Toquinho e Vinícius: “E ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está/E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar/Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar/Sem pedir licença muda nossa vida, depois convida a rir ou chorar/Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá/O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar/Vamos todos numa linda passarela/De uma aquarela que um dia, enfim, descolorirá”.
Quando minha aquarela vai descolorir? Não sei, e fico feliz por não saber nada. Só assim, posso aproveitar o que está ao meu redor aqui e agora.

(*) Renan Caldas é jornalista e estudante de direito em Rondonópolis

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