Produtores ouvem prognósticos econômicos

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Economistas Samuel Pessoa e Eduardo Giannetti (fotos) e o ministro da Agricultura e Pecuária, Neri Geller, detaberam possíveis cenários para a economia brasileira
Economistas Samuel Pessoa e Eduardo Giannetti (fotos) e o ministro da Agricultura e Pecuária, Neri Geller, detaberam possíveis cenários para a economia brasileira

Os produtores de soja e milho do estado de Mato Grosso também tiveram a oportunidade, durante a abertura da 9ª edição do Circuito Aprosoja, em Cuiabá, de entender um pouco melhor a economia brasileira e, além disso, de ouvirem prognósticos econômicos para os próximos anos. O painel contou com a participação dos economistas Eduardo Giannetti, com participação no programa de Governo de Eduardo Campos/Marina Silva, e Samuel Pessoa, que atua na assessoria da campanha de Aécio Neves, assim como a participação do ministro da Agricultura e Pecuária, Neri Geller, com a mediação do consultor André Pessoa, da Agroconsult.
Os produtores ouviram perspectivas do que esperar em termos macroeconômicos para os próximos anos. Eduardo analisou que o Brasil vinha num modelo considerado bom, com inclusão social, passando bem pela crise global de 2008. Contudo, diz que, a partir de 2011, o Brasil perdeu o caminho, com um crescimento atual baixo, uma inflação em alta (artificialmente represada), um câmbio artificialmente valorizado e uma situação de vulnerabilidade externa. “Isso vai ter que ser corrigido se o Brasil quiser reencontrar o rumo”, pontuou Eduardo, lembrando de correções macroeconômicas e também microeconômicas necessárias. “Não é o governo quem deve escolher quem deve crescer, mas o próprio mercado!”, entende.
Samuel Pessoa acrescentou que um grave problema na economia nacional é a crescente carga tributária, havendo um clamor por uma forte reforma tributária. Inicialmente, observa que a sociedade tinha uma agenda que privilegiava a equidade. A partir de 2009, argumenta que uma nova agenda social começou a despontar, com crítica na intervenção estatal. Ele avalia que o tripé econômico deve existir para dar uma previsibilidade e sustentabilidade. Infelizmente, no entanto, cita que a taxa de crescimento do Brasil no Governo Dilma deve ser de 1,7 ao ano em média. “É preciso ter previsibilidade. Com isso, as pessoas conseguem construir cenários prospectivos e conseguem planejar”, explica.
Em relação ao cenário para os próximos anos, cogitando vitória da situação ou da oposição, Eduardo prevê três possibilidades. No caso de reeleição, diz ser possível haver uma curva de aprendizado do Governo, com o reconhecimento dos erros e realização de mudanças, ou haver uma aposta redobrada, com a continuação da ideia estatizante do Governo. “É um cenário de argentinização”, brincou. Ainda em uma possível reeleição, avalia a possibilidade de uma combinação dessas duas vertentes. Em caso de uma vitória da oposição, analisa que as duas principais campanhas se convergem, variando a forma de governar e as prioridades para meio ambiente e educação. Contudo, atesta ser inevitável a adoção de medidas corretivas na politica econômica, o que implica na desvalorização cambial e aperto fiscal, a principio. “Esse arranjo implica em certo custo. Em um primeiro momento, o cinto terá de ser apertado, afinal tem muita coisa distorcida e, após, a economia deve voltar com força”, projeta Eduardo em relação a uma possível vitória da oposição.
Para a melhoria da infraestrutura, Eduardo não vê outro caminho que não inclua a participação do setor privado. “O que falta é um marco regulatório, previsibilidade, confiança para os investidores. Precisa avançar muito a segurança jurídica para as coisas acontecerem”, externou. Samuel reforçou essa ideia, dizendo que falta avançar no marco regulatório para alavancar a participação da iniciativa privada no setor de infraestrutura. Destacou a necessidade de uma política macroeconômica que permita o planejamento dos diversos setores.
Em resposta, o ministro da Agricultura, Neri Geller, enfatizou que o Governo conseguiu avançar muita coisa na economia, especialmente na agricultura brasileira, muito em função da forte organização do setor. “Logicamente tem dificuldade por parte do Governo. Agora é necessário um Congresso forte para realizar as mudanças que se fazem necessário”, externou o ministro. Dentro dos avanços do atual Governo, em conjunto com a pressão da classe, Geller lembrou da segurança jurídica advinda com as mudanças na legislação ambiental, com o novo Código Florestal. Quanto à insegurança em relação à demarcação das terras indígenas, atesta que é uma deficiência que vem desde a Constituiçao de 1988.
Eduardo assegura que não consegue conceber algum cenário futuro sem perceber a importância do agronegócio para o Brasil. Ele citou a perspectiva de maior demanda de alimentos no Mundo com a ascensão econômica da China e Índia. “Em contraposição, tem uma grande responsabilidade para dotação dessa demanda”, alertou. Nesse sentido, Samuel recorda que o grande problema da sustentabilidade recente no Brasil se deu nas décadas de 60 e 70. Hoje, observa que o problema do desmatamento é menos ligado ao agronegócio e mais ligado ao social. “Parece que o maior desmatador do Brasil é o Incra”, completou Eduardo.
O ministro, por sua vez, diz que o atual Código Florestal é o ideal para o Brasil, sendo fruto de muitos debates. “O desmate ilegal é que tem que ser zero. As conquistas tem de ser respeitadas. Nós temos a legislação mais exigente!”, deixou claro. “Conseguimos avançar em uma legislação ambiental que dá segurança jurídica”, revidou, provocando que as grandes metrópoles brasileiras é que precisam começar a dar lições de sustentabilidade em face a tantas agressões ao meio ambiente. “Esse é um debate que precisa ser ampliado para a sociedade”, almeja.

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