Nos anos 80, o Papa João Paulo II despertou uma questão mundial que afetava muitas pessoas direta e indiretamente: as drogas. E conclamou: “Toda a sociedade – pais, escolas, ambiente social, meios de comunicação, organismos internacionais – deve se empenhar para formar um mundo novo, com o rosto do homem e a educação para ser homem”. Ainda lançou o desafio de lutar contra os flagelos da dependência química e do alcoolismo.

No dia 13 de fevereiro começa a “Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo” e essas palavras de João Paulo II estão presentes nas vidas dos agentes da Pastoral da Sobriedade, pois acatamos a sua mensagem e lutamos em favor das pessoas acometidas pelo álcool e por outras drogas.
Somos cristãos católicos prestando um serviço ecumênico, pois o álcool e as demais drogas não têm religião, nem bandeiras e nem fronteiras. Somos um povo de Deus, que unidos em um só projeto restauramos vidas num trabalho que envolve o dependente, a família dele, a igreja e toda a sociedade.
Segundo estatísticas da Pastoral da Sobriedade Nacional, em 15 anos de trabalho com dependentes e familiares nos grupos de autoajuda (mais de 900 pelo Brasil), os atendimentos superaram os cinco milhões. Foi verificado que 22% dos atendimentos estavam ligados a usuários de álcool.
Em nossa diocese (Rondonópolis, Jaciara, Juscimeira, Pedra Preta, Campo Verde, São José do Povo, Itiquira e Chapada dos Guimarães), em 15 anos houve mais de 45 mil atendimentos, sendo 28,3% quanto ao álcool, 9,2% à maconha e 5,1% ao crack.
Os acidentes automobilísticos causados por bebidas alcoólicas matam milhares de pessoas no país. O álcool atinge grande parte dos funcionários das empresas, reduzindo em mais de 60% sua força produtiva e elevando a chance de acidentes de trabalho em 3,6 vezes, conforme a especialista em Saúde Pública Eliane Zingare.
Participamos da igreja, lutamos por trabalho honesto, família saudável e respeitamos a Deus. Mas isso é suficiente? Pode até ser, mas às vezes não, porque a omissão nos torna cúmplices deste sistema triste e violento que difunde o álcool e as outras drogas. Temos exemplos maravilhosos em Rondonópolis de cristãos compromissados. Com a graça de Deus, maturidade e perseverança de alguns padres e leigos, três paróquias aboliram o álcool dos eventos da igreja: Bom Pastor, São José Esposo e São Domingos Sávio.
O pároco José Eder, da Bom Pastor, começou a campanha nas festas religiosas em 2008 e em reuniões dos Conselhos Pastorais Paroquiais (CPPs). Numa assembleia em 2010, com 99% dos votos, ficou decidido que a Bom Pastor não teria mais eventos com bebida alcoólica. “A bebida não gera fraternidade, as pessoas não se confraternizam, não se integram. A igreja não pode ser incentivadora da bebida; deve ser testemunho da verdade”, afirma o pároco.
O padre Aladim Loureiro, da São Domingos Sávio, lançou em reunião com os paroquianos o desafio de acabar com a bebida alcoólica nas comunidades e conseguiu adesão da maioria. Palavras do padre: “Muitas comunidades ainda têm a mentalidade que a bebida alcoólica gera lucro fácil e não pesam nas vidas ceifadas pelo álcool. Tenho presenciado depois da decisão famílias mais alegres e felizes em nossas festas”.
O padre João Paulo, da São José Esposo, diz que enquanto vigário recebia muitos jovens que reclamavam dos pais alcoólatras. “Quando me tornei pároco comecei a trabalhar essa questão e na assembléia de 2009 ficou decidido com adesão de 99% dos membros que não teríamos mais bebidas alcoólicas em nossas confraternizações e festas do padroeiro. Hoje as festas são melhores e realmente limpas”.
Temos muito trabalho pela frente, porque enfrentar tradições e costumes não é tarefa fácil. Mas quem conseguiu mudar esse cenário já colhe os frutos. Como ressalta o Papa Francisco, é preciso “enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldade e dando esperança ao futuro”.

(*) Doroty Carnahiba, coordenadora diocesana da Pastoral da Sobriedade de Rondonópolis

1 COMENTÁRIO

  1. O alcool eu concordo, pois o alcool entorpece e tira a pessoa do seu “eu” verdadeiro… assim como os efeitos do crack, cocaína, haxixe, maconha, crocodil……agora alguém, pode me dizer os reais motivos de alguém fazer propaganda e restrição contra o cigarro?? Alguém pode me explicar essa paranóia contra o cigarro? Cigarro entorpece?? Os fumantes todos morrem acima dos 80,90,100 anos até… Para mim o cigarro é único produto de lazer que não entorpece.

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