Casamento

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Claudia Valeria da Costa Garcia - opiniao - 08-10-13.jupg
No campo jurídico, Marco Vinícius Baumann entende que o conceito de Silvio Rodrigues sobre casamento é o que mais se adapta à realidade atual, a saber: casamento é “o contrato de direito de família que tem por fim promover a união do homem e da mulher de conformidade com a lei, a fim de regularem suas relações sexuais, cuidarem da prole comum e se prestarem mútua assistência” (RODRIGUES, Silvio, 2004, p. 19).
Juridicamente falando, portanto, casamento não passa de um contrato e como tal pode ser dissolvido pelo divórcio.
Uma visão um tanto quanto legalista, fria e calculista a respeito de uma união tão complexa e dinâmica entre duas pessoas, com experiências anteriores de vida, sentimentos, emoções, expectativas, sonhos, medos, planos e fantasias, nem sempre idênticas, pelo contrário. Como se vê, garantir assistência mútua em meio a uma diversidade desta magnitude não é uma tarefa fácil.
No que diz respeito à obrigação de cuidar da prole comum, é preciso considerar que também inclui relações com novas pessoas que, na medida em que crescem, vão tendo suas próprias experiências e reagindo a elas de maneira muito particular incluindo, novas emoções, expectativas, sonhos, medos, planos, fantasias.
Considerando ainda que nenhum casal vive isolado, ou seja, tem amigos e parentes que acabam interferindo na vida do casal, de forma direta ou indiretamente, é fácil deduzir que o casamento não é uma via de mão única nem de mão dupla, mas sim, um entroncamento de relações entre pessoas e envolve uma gama de sentimentos, quando não de ressentimentos, e de emoções. Por isso, não é algo que pode ser tratado apenas como um negócio, um contrato jurídico, que pode ser feito e desfeito, desde que em conformidade com a lei.
Nesta perspectiva, para manter um casamento, é preciso muito amor, muita sabedoria, muito “jogo de cintura”, muita paciência e muita fé de ambas as partes. Sim, fé em Deus. Fé de que Ele abençoou aquela relação, então há de colocar pessoas certas no caminho de qualquer casal que esteja pensando em se separar para aconselhar os envolvidos, antes que tomem qualquer decisão que, depois, possam se arrepender. Pessoas iluminadas, que possam orientá-los a ter mais calma, a repensarem a situação, a manterem o diálogo, a escutarem um ao outro, a relembrarem o amor que um dia os uniu. Pessoas que ajudem a este casal a retomarem a consciência dos ensinamentos de Cristo sobre o amor e o respeito que cada um deve ter pelo outro, pois não há outro caminho para aceitar e superar as diferenças individuais, as diversidades e os percalços da vida para continuar vivendo lado a lado, porque o amor é sempre maior que qualquer outro sentimento.
Sei que nem todos conseguem na primeira tentativa. Mas a gente aprende com o tempo e isso é que torna o ser humano interessante: sua incompletude e sua humildade em assumir os seus erros e tentar novamente.
O homem é um ser em eterna construção, desconstrução e reconstrução de si mesmo e Deus, na sua infinita bondade, estará sempre pronto a perdoá-lo e a auxiliá-lo a encontrar novos caminhos até que aprenda a conviver de forma mais harmoniosa e feliz com aquele(a) que escolheu como companheiro(a).
Quão felizes não são aqueles que, com muito amor e fé, venceram todos os obstáculos e desafios que a convivência impõe aos cônjuges e que, um dia, têm o prazer de convidar parentes e amigos para comemorar suas Bodas de Prata, de Ouro ou até de Diamantes, juntamente com seus amados filhos, netos e bisnetos?

(*) Claudia Valéria da Costa Garcia é  empresária em Rondonópolis

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