Walace Guimarães (PMDB), prefeito de Várzea Grande:  “eu não iria para Brasília, assinar convênio no Ministério da Justiça, com munições na bolsa”
Walace Guimarães (PMDB), prefeito de Várzea Grande: “eu não iria para Brasília, assinar convênio no Ministério da Justiça, com munições na bolsa”

Detido na manhã de ontem (6), ao tentar embarcar para Brasília com 10 munições de arma de fogo na bagagem de mão, o prefeito de Várzea Grande, Walace Guimarães (PMDB), defendeu-se em entrevista coletiva convocada na tarde do mesmo dia, negando ser dono das munições flagradas por detector de metais no aeroporto Marechal Rondon, também em Várzea Grande. Para o prefeito, o caso foi armado contra ele.

“Não é meu, não coloquei, não me pertence. Sou inocente. Então, pode ter sido brincadeira de mau gosto ou algo para tentar me incriminar e deixar nessa situação extremamente desagradável”, declarou o prefeito na tarde de ontem a respeito do pacote de munições calibre 32.

O pacote de munições estava escondido numa meia preta colocada na bolsa que o prefeito levava como bagagem de mão. Quando as balas foram desvendadas por meio do detector, Walace acabou detido pela Polícia Federal dentro do aeroporto.

Em seguida, o prefeito foi levado para a Central de Flagrantes da Polícia Civil – localizada a poucos metros do terminal – para prestar depoimento sobre o suposto caso de porte ilegal de munição. Lá, ele pagou uma fiança equivalente a um salário mínimo e foi liberado.

“Um homem de 51 anos vai colocar 10 munições e passar no raio-X para ser pego? Eu sei que é proibido por lei andar com uma munição, imagina com dez. Eu não iria para Brasília, assinar convênio no Ministério da Justiça, com munições na bolsa”, argumentou o prefeito.

Walace ia para a capital federal para assinar um convênio com o Ministério da Justiça para combate ao crack. Ele não quis lançar suspeitas sobre ninguém, mas reiterou que esta poderia ter sido uma “brincadeira de mau gosto” ou uma tentativa deliberada em “incriminá-lo”.

“Não vou fazer pré-julgamentos, jamais levantaria falso testemunho ou acusaria qualquer pessoa que seja aqui da prefeitura. Não uso arma de calibre 32, tenho um revólver em casa, registrado, mas de calibre 38”, disse.

O prefeito disse que não vai utilizar do episódio para acusar adversários políticos, ou qualquer servidor da prefeitura, de ter colocado as munições em sua bolsa. “O que tenho a dizer é: as munições não são minhas; não me pertencem”.

Walace não quis polemizar com a Câmara Municipal, onde alguns vereadores oposicionistas ameaçam abrir um processo por falta de decoro diante do episódio. “A Câmara tem a sua independência, se quiser, abram o processo, que já é notório. A única coisa que está sendo prejudicada, agora, é a nossa imagem. Eu vou provar a minha inocência”, disse.

Walace também disse ser “estranho” o fato de não terem supostamente “plantado” uma arma de fogo em sua bagagem. “Às vezes, para a pessoa conseguir uma arma de fogo, é mais difícil do que os projéteis. Não quero aqui ficar colocando quem poderia ou não ter feito isso, quero afirmar que eu não andaria com munições na minha bolsa. Com qual finalidade? E ainda ir para Brasília e passar por raio-X? Eu conheço o poder de penetração de um raio-X. Isso foi plantado”.

O prefeito, que será alvo de inquérito e poderá responder criminalmente por posse de munição, disse que, por causa do episódio, deve passar a andar com seguranças. “Também irei tomar mais cuidado com as minhas bagagens”, disse.

Antes de ser eleito prefeito de Várzea Grande, o peemedebista já atuou como deputado estadual, cargo do qual se licenciou para disputar a Prefeitura. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE), Walace recebeu 47.338 votos nas eleições do ano passado (35,14% do total de votos válidos).

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