casal cor (2)A esterilização feminina (também conhecida como laqueadura tubária) é um método de anticoncepção permanente, indicado para aquelas que estão seguras da escolha de não ter filhos ou para as que já tiveram filhos e estão satisfeitas com o tamanho da família. Como é raríssimo o risco de falha da cirurgia, pode-se dizer que essa opção vale para a vida toda. Por este motivo, a decisão deve ser muito bem pensada, não apenas pela mulher, mas também por seu parceiro. Isso porque, caso haja alguma mudança de planos e surja a vontade de ter filhos, a reversão cirúrgica é difícil, dispendiosa, e – mesmo quando ocorre com sucesso – aumenta as chances de gravidez com complicações.

Como funciona?

Considerada a forma mais eficaz de prevenir uma gravidez, a laqueadura consiste na ligadura das trompas de falópio, impedindo o encontro do espermatozoide com o óvulo. É uma cirurgia simples, feita pelo médico ginecologista, sem qualquer outra finalidade além do controle de natalidade.

Além de ser bastante eficaz, o procedimento não apresenta riscos colaterais em longo prazo, não oferece qualquer efeito sobre a função hormonal, não interfere no ciclo menstrual, e ainda protege a mulher contra o câncer de ovário e reduzo risco de doença inflamatória pélvica.

Para o dr. Rogério Bonassi, membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP) e professor de Ginecologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí, é importante frisar que uma complicação séria da esterilização é o arrependimento.

“Embora existam algumas cirurgias que possibilitam a reversão da laqueadura, engravidar novamente pode não ser tão simples assim. Existe uma taxa de falha grande nas reversões e, geralmente, quem volta atrás e decide engravidar depois de ter feito a laqueadura precisa recorrer a métodos de reprodução assistida, como a fertilização in vitro (bebê de proveta).”

De acordo com o Manual de Anticoncepção da Federação das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), apenas 30% dos casos de reversão da laqueadura, por meio de plástica tubária, são satisfatórios. A publicação ainda aponta que a taxa de arrependimento costuma ser inversamente proporcional à idade com que a paciente se submete à esterilização e ao número de filhos que ela possui, ou seja, quanto mais jovem e menos filhos tiver, maior a chance de voltar atrás na escolha.

“Há várias técnicas que podem ser utilizadas para a esterilização feminina. A mais comum é a laparotomia, por meio da qual o ginecologista faz uma incisão como a da cesárea na barriga da mulher, corta e “amarra” a trompa. Também existem a laparoscopia, em que o médico faz três furinhos no abdômen, passa o laparoscópio por um dos cortes e, com o auxílio da câmera, faz a laqueadura (corta, amarra ou queima as trompas); ou a histeroscopia, feita pelo útero através da introdução de alguns anéis que obstruem o trajeto do espermatozoide às trompas. O acesso pela via vaginal também é possível, mas menos utilizado”, explica o médico.

Sistema pÚblico

Quem não pretende ter mais filhos e realmente acredita que não vá mudar de ideia em relação a essa decisão pode entrar com um pedido de cirurgia no Sistema Único de Saúde (SUS). Para que a solicitação seja aprovada, a mulher deve estar dentro do perfil estabelecido – 25 anos e/ou pelo menos dois filhos.

Após o pedido, deve ser aguardado um prazo de 60 dias até a sua realização, período no qual o SUS oferece acesso a serviço de regulação da fecundidade e aconselhamento de equipe multidisciplinar. Estas reuniões de planejamento familiar, realizadas nos postos de saúde, são extremamente importantes, especialmente porque o SUS não faz reversão da laqueadura.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui