As bibliotecas públicas de Rondonópolis convivem diariamente com a inadimplência dos usuários, o que prejudica o fluxo contínuo do livro e o processo de disseminação da informação e do conhecimento. Além de ferir um dos princípios básicos da biblioteca, qual seja, a disponibilidade do livro para vários leitores, de forma livre e gratuita. “Quando o usuário retém o livro em sua casa, sob seu domínio exclusivo, ele rompe com este princípio”, explica uma das gerentes de bibliotecas em Rondonópolis.
Pelo que apurou a reportagem, mais de 300 exemplares dos acervos das bibliotecas municipais Rachid J. Mamed, no centro da cidade, e Manoel Severino da Silva, na Vila Operária, foram retirados, muitos há mais de seis anos, e ainda não foram devolvidos.
Atualmente, as duas bibliotecas possuem juntas um acervo de aproximadamente 40 mil volumes entre livros de literatura e didáticos, revistas, jornais, dentre outros.
Segundo a gerente do Núcleo de Bibliotecas, Mara Enricone Borges, uma forma encontrada para chamar a atenção dos associados inadimplentes foi a publicação dos nomes dos “caloteiros” nos murais das bibliotecas. Ideia elaborada e executada pelas servidoras da Biblioteca Municipal Central, Aparecida Ianes e Maria das Graças Prado. “Isso está dando certo e muitos livros estão sendo devolvidos às prateleiras. A intenção é tornar a ação permanente a fim de obter efeitos positivos no resgate dos exemplares que ainda não foram devolvidos”, disse Mara Enricone.
Ela enfatiza que o usuário da biblioteca que se encontra inadimplente deve fazer a devolução o mais rápido possível, pois os referidos livros fazem parte do acervo devidamente catalogado e registrado. “Este material é um bem público de grande valor cultural, histórico e também financeiro, seja ele adquirido ou recebido através de doações, por isso deve ser devolvido, pois os exemplares são procurados por outros usuários em suas pesquisas”, disse a gerente do núcleo das bibliotecas.
De acordo com Aparecida Ianes, servidora da Biblioteca Municipal do Centro, antes da publicação do mural com os nomes dos inadimplentes, foram feitos esforços no sentido de localizar essas pessoas. “Muitos mudaram de endereço, outros os telefones já não são mais os mesmos constantes  nas fichas. Existem casos que imaginamos que a própria pessoa atendeu a ligação e disse que nunca pegou livros emprestados”, conta.
Para Aparecida Ianes, a publicação dos nomes em murais das bibliotecas acaba servindo de exemplo para outras pessoas. “Além disso, o mural é uma forma de tentar localizar os inadimplentes. Um professor reconheceu na lista seis nomes de alunos e disse que iria cobrar deles a devolução dos livros. Exemplos como este nos confirmam que a ideia está dando certo”, observa a servidora.

Acadêmica do curso de Letras já foi prejudicada

Caroline Mendes “sempre procuro devolver os livros que pego emprestado”

A estudante do 1º ano do curso de Letras pela UFMT, Caroline Laurentino Mendes, é uma das usuárias da Biblioteca Municipal. Segundo ela, algumas vezes já precisou de exemplares que estão catalogados na unidade, mas que não estavam nas bibliotecas. “Pelo menos duas vezes precisei ler um livro e ele não estava nas prateleiras. Sempre que pego um livro eu procuro devolver. Caso precise ficar além do prazo estipulado, faço a renovação. Penso que pegar um livro e não devolver  poderá prejudicar as pesquisas de outras pessoas que precisam da biblioteca pública”, disse a estudante.
PUNIÇÕES
As pessoas devidamente cadastradas nas bibliotecas municipais podem ficar com os livros até o prazo limite de sete dias. Não cumprindo o prazo estipulado, o associado está sujeito à punições. Atraso de cinco dias além do prazo, deve doar um livro para o acervo; dez dias, dois livros; 15 dias, três livros. Após 16 dias, o usuário deverá doar três livros. Além disso, suspensão de empréstimo de cinco dias, para cada dia de atraso. Ocorrendo três suspensões, a pessoa ficará um ano sem poder fazer empréstimo dos acervos. “No caso de perda ou inutilização do exemplar, será obrigatória a reposição idêntica ou equivalente a critério do gerente da biblioteca”, disse a servidora Maria das Graças.

Inadimplência gera penalidades mais severas

Conforme Marly Marques, gerente da Biblioteca Regional da UFMT, do campus de Rondonópolis, o número de usuários que atrasa na devolução de livros é expressivo. O tempo de atraso também varia muito, a maioria é de dias, mas, alguns usuários ficam com livros pendentes por semanas, meses e até anos. Para ela, a inadimplência dos usuários prejudica o efetivo funcionamento da biblioteca e o rendimento escolar do aluno, inclusive do inadimplente. “Com o atraso na devolução dos livros, outras pessoas que teriam a necessidade de utilizar aquele livro  ficam impedidas. É um livro a menos no acervo e outros usuários ficarão sem a sua pesquisa ou terão de aguardar a devolução de outros exemplares, o que poderá prejudicar no cumprimento das tarefas acadêmicas”.
Na universidade, as penalidades para os inadimplentes são mais severas. Além de não poder fazer mais nenhum tipo de empréstimo na Biblioteca Regional, o aluno não pode colar grau, nem requerer o diploma, pois, não recebe o documento “Nada Consta” da biblioteca, imprescindível para conclusão do curso e concessão do diploma universitário.
Marly Marques salienta, entretanto, que algumas medidas foram adotadas para reduzir a inadimplência dos alunos. Neste sentido, o que tem sido feito  é a conversa com os usuários e o Treinamento de Usuários (palestra sobre a Biblioteca – direitos e deveres) que é proporcionada aos alunos que estão entrando na universidade, ou seja, para as turmas do 1º ano.
Com esse trabalho, o número de inadimplentes reduziu. Outra ação, é a campanha de anistia. Até o dia 1º de outubro, todos aqueles que estão inadimplentes e fizerem a devolução do livro com data vencida, serão anistiados e não receberão qualquer tipo de punição. “Essa anistia começou no dia 24/09 e se encerra no dia 01/10. Com isso, já conseguimos recuperar muitos livros que estavam fora de circulação há mais de um ano e agora estão de volta ao acervo”, declarou Marly Marques.
Atualmente, a Biblioteca Regional de Rondonópolis da UFMT está com uma média de 136 usuários em atraso com a devolução de livros. Totalizando 224 exemplares de livros fora de circulação. Como explica Marly Marques, “o número de exemplares é maior do que o número de usuários porque alguns estão com mais de um livro retido”.
É vedado ao usuário com devolução atrasada qualquer modalidade de empréstimo de livros ou outras obras, até que seja cumprido o prazo de suspensão do mesmo.
Hoje, o total do acervo bibliográfico da Biblioteca Regional da UFMT de Rondonópolis é de 22.941 títulos e 55.156 exemplares.

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