A cena final do filme Tropa de Elite 2 mostra um sobrevôo sobre o Congresso Nacional, passando pela Praça dos Três Poderes, cortando para uma seção de algum Conselho da Câmara do Deputados, onde congressistas se digladiam em torno de interesses pouco nobres. É o fechamento do excelente filme que retrata a situação deplorável da promiscuidade entre o poder público e os grupos criminosos no Rio de Janeiro. Fica-se com uma sensação de atordoamento, como se o espectador levasse um soco no estômago, saindo do cinema com um sentimento de que tudo está perdido.
Afortunadamente, o que vem acontecendo (coincidentemente ou não) depois desse filme é uma política de segurança pública calcada no combate direto da bandidagem no Rio de Janeiro, tendo como peça mais importante o BOPE (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar do RJ. No filme, o BOPE é a força incorruptível, implacável, que traz aos bandidos – fardados ou não – a “solução final”, por meio da prisão ou morte. São os mocinhos do filme, pois buscam combater o crime, sendo inflexíveis com a corrupção.
As comunidades cariocas que estão sendo pacificadas demonstram ostensivo apoio ao poder público. Na tomada da Favela da Rocinha, dias atrás, cidadãos abraçavam policiais do BOPE, dando as boas-vindas aos heróis mocinhos. É uma tremenda mudança da realidade experimentada há décadas no país, sobretudo naquelas regiões do Rio de Janeiro onde o Estado esteve ausente, abandonando regiões inteiras, deixando-as controladas por facções. Eram verdadeiros estados dentro do Estado. Devido a esse abandono, os cidadãos não reconheciam os agentes do Estado como “do bem”, ainda mais devido a infinitos casos de corrupção, de bandidagem fardada e das famigeradas “milícias”. A política de combate ao crime através de tomada de território tem trazido de volta aos cidadãos o sentimento de pertencer a uma comunidade, a uma cidade, um estado e um país. Esse sentimento de pertencimento a um todo é o que diferencia um cidadão de um marginalizado. No caso daqueles moradores de regiões tomadas pelo crime esse sentimento não existia mais. Conviviam diuturnamente com uma realidade muito parecida com países invadidos pelos inimigos, onde o poder público é hostil e as famílias não têm para quem recorrer. É o inimigo no poder.
Uma cena particularmente comovente é assistir ao hasteamento da Bandeira Nacional, acompanhada pelo Hino Nacional Brasileiro cantado por policiais e assistido pelos moradores ainda contidos, com semblantes entre a euforia e a cautela. Ainda não sabem, mas acabam de voltar a pertencer ao Brasil, de serem brasileiros, contando com a tutela do Estado de Direito, regido por leis e Instituições democráticas. A UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) que está sendo instalada na Rocinha é, a exemplo das outras existentes na cidade do Rio de Janeiro, a exteriorização da presença do Estado naquela região. Muito mais do que isso, na verdade, é o resgate de brasileiros que estavam há décadas à deriva no oceano da bandidagem. É a volta para casa daqueles que estavam abandonados em verdadeiros campos de concentração inimigos.
Aos integrantes das forças pacificadoras, parabéns pelo excelente trabalho que será lembrado por diversas gerações, nos livros de História, como o momento da reação do Estado e do resgate de cidadãos que se encontravam sob o domínio inimigo em uma região fora do Brasil. Àquela população da Rocinha e circunvizinhanças, sejam bem-vindos de volta ao Brasil, que lhes espera de braços abertos. Começo a sentir uma melhora naquela sensação de soco no estômago. O Estado está se movendo!

(*) Vilmar Antônio da Silva – Professor de Direito da Faculdade Cathedral de Boa Vista-RR e ex-morador de Rondonópolis

1 COMENTÁRIO

  1. Como morador de Rondonópolis por 14 anos e tendo que me mudar dessa maravilhosa cidade por força da profissão, tenho orgulho de dizer que os rondonopolitanos são felizardos por terem uma cidade assim, mas sobretudo por terem gente assim. Parabéns felizardos.

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