Brasil futuro (I/II)

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Lembro desde criança que meus pais e avós diziam que o Brasil é o país do futuro. Já se passaram mais de 50 anos que estamos à espera desse “milagre” e não vislumbramos nada de futuro promissor.
É bem verdade que muita coisa mudou, algumas para melhor, mas outras para bem pior do que estava naquela época, a exemplo do respeito aos professores e aos mais velhos, como também era ponto de honra a obediência aos pais. Drogas não existiam. Hoje está por toda parte, viciando e matando nossos jovens.
Nas lojas (denominadas vendas) lá do interior, nos vilarejos, as compras eram anotadas em cadernetas e na data certa o pagamento era sagrado. Havia confiança, pois a palavra era dada com responsabilidade. O mesmo procedimento nas cidades, principalmente nas padarias, casas de ferragens e farmácias. Hoje em dia isso é coisa do passado. Os pagamentos são com cheques, mas antes se consulta se o cheque está bom, se tem procedência ou com cartão de crédito. Desconfia-se até da própria sombra. A confiança, a palavra e a assinatura foram pro espaço para muita gente. Em quase tudo existe esperteza, levar vantagem como se isso fosse normal, fato que outrora nem em sonho.
Naquela época era bem mais difícil, a começar que a maioria dos brasileiros morava no campo. As casas geralmente eram de  madeira na região sul do país. Produziam praticamente de tudo. Fome ninguém passava, apesar da rusticidade do campo. O serviço começava ao clarear do dia, quando havia a ordenha das vacas e o preparo dos alimentos e devido trato aos demais animais e somente depois dessas tarefas cumpridas é que tomavam café com leite, pão caseiro, manteiga, geléias, salame, algum tipo de defumado e queijos. Isso, na verdade, acontecia nos estados sulinos. Cada região tinha as suas próprias características. Refeição reforçada, pois a jornada era pesada e partia-se para a roça para os diversos afazeres. As crianças iam normalmente a pé para a escola e somente retornavam ao meio dia, quando almoçavam. Feijão, arroz, macarrão caseiro e carne assada no forno do fogão à lenha, acompanhado de uma salada verde. Era tido como normal, duas vezes na semana, polenta feita em panela de ferro e servida com frango frito ao molho. Uma delícia de dar água na boca. Em muitas dessas residências do interior não podia faltar vinho tinto às refeições. De modo geral comia-se bem naquela época, apesar das dificuldades em produzir os alimentos, de modo que nos dias atuais muitas pessoas passam fome nas cidades, vivendo em favelas ou nas calçadas, debaixo de pontes e viadutos. Um triste contraste, cuja qualidade de vida deixa tudo a desejar. Não se valoriza  o “ser”, mas o “ter” e as dificuldades se multiplicam.
Era comum uma prece antes de cada refeição, mas hoje em dia, principalmente nas cidades, esse procedimento caiu em desuso em face da falta de tempo para quase tudo. Nas cidades, principalmente nas médias e grandes metrópoles, não existe o tradicional almoço em família. Come-se em restaurante ou na rua qualquer coisa, pois os compromissos são tantos que se não proceder assim o mundo desaba em sua cabeça. Tempos modernos, tempos cada vez mais apertados, até no bolso do trabalhador, isso quando tem algum tipo de trabalho.

(*) ORLANDO SABKA é morador em Rondonópolis – E-mail: [email protected]

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