Chácaras de leite ampliam a produtividade com programa

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Animais de propriedades obtêm desempenho melhor com alimentação e rotação de piquetes
Animais de propriedades obtêm desempenho melhor com alimentação e rotação de piquetes

Três produtores, de Chapada dos Guimarães e de Campo Verde, têm desempenho de produtividade de leite em até o dobro após seguirem orientações do projeto Balde Cheio, iniciativa do Sebrae, Embrapa, prefeituras e indústrias de beneficiamento do produto. O programa permite a organização de toda a atividade leiteira na propriedade, monitoramento das vacas com diversos indicadores (levantamento sanitário) e o controle de custo dos insumos para melhorar a qualidade do lucro de sítios e chácaras.
No Sítio União, em Chapada (64 Km de Cuiabá), propriedade oficial acompanhada pelo Balde Cheio, o produtor Antonio Divino da Costa, 58 anos, “seo” Antonio, como é conhecido, explica que no começo, há um ano, não acreditava nas recomendações do projeto, mas agora se convenceu pelos números da pequena propriedade. “Antes eu tinha 37 hectares e tirava 130 litros de leite por dia. Agora, em meio hectare, tiro 120 litros”, conta a vantagem de ter vendido uma parte da propriedade para reinvestir na pecuária leiteira.
O resultado também é benéfico para o caso dos subprodutos, como o queijo. “Antes eu fazia sete a 10 queijos por dia. Agora, só com o leite da tarde, 50 litros, faço sete queijos”. O produto tem selo de certificação e inspeção da prefeitura.
Uma das diferenças no sítio é que agora, nos 5 mil m² separados para acompanhar o projeto, há cuidados com o capim e formação de piquetes, em tamanhos de 13m X 18m em média. Quando as vacas não estão ali no sistema rotacionado, elas comem “cana, casquinha de soja e milho” e complementação com ureia. As seis vacas do projeto comem cerca de 60 quilos de cana por dia. O ganho está também nas duas ordenhas diárias, de manhã e à tarde.
Antes, diz o sitiante, seis vacas fora do Balde Cheio forneciam no máximo 15 litros cada e atualmente elas dão 120 litros, ou 20 litros cada. “Das seis vacas, antes do projeto, a melhor de leite era de 15 litros. Agora, passou para 28 litros. Dobrou a quantia com as mesmas vacas”.
“Seo” Antonio constata: “produzir como antigamente já era. Hoje precisamos do técnico”. No intervalo de um ano, ele ainda foi conhecer o modo de produção em uma pequena propriedade no interior de São Paulo.
Em outra ponta do programa, o técnico Júnior Colombo, da Embrapa, orienta  a anotação rigorosa de todo o custo do sítio para que o produtor saiba quanto emprega de investimento e comparar para saber o seu lucro. “De primeiro não anotava nada. Se for contar o que gasto e o que ganho, eu largo isso. Eu gosto de tirar leite. Agora, se comprar um prego, anoto. Antes não anotava nada”, confirma. Ele tem ajuda do filho de 28 anos para as anotações, como muitos proprietários.
Por meio de uma metodologia inovadora, técnicos o projeto Balde Cheio ministram aulas práticas com a finalidade de reciclar o conhecimento de pesquisadores, técnicos e produtores rurais da agricultura familiar. As propriedades atendidas pelo projeto recebem a visita de técnicos da Embrapa durante os quatro anos de duração do projeto.
DOBRO – Dois pequenos produtores rurais de municípios próximos obtém 100% de rendimento no leite com as orientações do projeto Balde Cheio. No Assentamento 28 de Outubro, em Campo Verde, 139 Km de Cuiabá, o produtor rural Osmar Marcílio da Silva reforça o desenvolvimento da iniciativa do Sebrae, prefeituras de Campo Verde e Chapada dos Guimarães e a  Embrapa. “Antes do projeto, tirava 70 a 75 litros de leite com 14 vacas. Agora, com o projeto e 13 vacas, tiro em torno de 160 litros”, informa Osmar, há 12 anos na atividade.
Em sua propriedade de 0,6 hectare, o projeto também completou um ano em junho. Ele tem potencial para crescer, pois das 13 vacas leiteiras, nove são criadas a pasto e quatro no piquete. “As que estão no piquete dão 82 litros de leite por dia. E as que estão fora, no pasto, 80 litros”, compara a pecuária praticada pelo projeto e a tradicional.
Perto do Sítio União, próximo ao rio da Casca, em Chapada, Alex Moreira, contente com o projeto, quando perguntado sobre a avaliação de resultados, é direto e mostra o rendimento ao dobro do projeto: “Eu tirava 35 a 40 litros de leite na seca. Agora, tiro 85 a 90 litros, mais que o dobro. Só que com duas ordenhas, antes era uma”. Anteriormente ao projeto, ele tinha 18 vacas e agora, tem 13. O sítio do Alex é assistido pelo programa e não é propriedade oficial de acompanhamento, como o Sítio União.
Para contabilizar ganhos, ele, que fornece leite a R$ 0,55 o litro para pequeno laticínio de Chapada dos Guimarães fazer queijo, mussarela e outros. Ele aproveita as práticas associativista para obter escala. “Faço um pacote de tudo o que preciso. Compramos reunidos, eu “seo” Antonio, outro proprietário Roberto. Adubo, eu compro junto com produtor de soja”. Ele só  diz ser caro o frete do calcário, R$ 24,00 por tonelada, utilizado como corretivo do solo. Alex também utiliza o piqueteamento em menos de um hectare, 9.520 m² com tratos do capim para as vacas do projeto.
O gestor do projeto pelo Sebrae-MT, Aureliano Pinheiro, informa  os objetivos gerais do projeto em cada pequena área de agricultura familiar de leite visitada. “Estamos no ajuste de canal de comercialização e o cuidado com a propriedade. O bom animal produtor de leite precisa ter a propriedade estruturada. Uma das receitas do programa é a cana e pasto”.

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