Maior oferta de carne bovina no mundo depende de nós

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A produção mundial de carne bovina precisa dobrar em quatro décadas para atender ao crescente da proteína vermelha. Atualmente, globalmente são produzidas 228 milhões de toneladas; em 2010, serão necessárias 463 milhões/t para atender às necessidades crescentes da população mundial.
A afirmação não é de um pecuarista apaixonado, mas da própria Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e faz os inimigos da atividade pensarem duas vezes antes de criticá-la por questões ambientais. Afinal, antes de mais nada é preciso colocar alimentos de qualidade à disposição dos consumidores e isso a pecuária está fazendo – além disso, como enfatiza a FAO, precisa fazer com intensidade ainda maior.
A pergunta que não quer calar é: que país, a não ser o Brasil, tem condições de aumentar exponencialmente, a oferta de carne bovina em muito pouco tempo? Os Estados Unidos não têm mais terra para ocupar com a pecuária. Pelo contrário, sofre pressão para reduzir as áreas de confinamento, cada vez mais próximas das cidades; a Austrália está no seu limite e passou por anos difíceis, com estiagem e redução de plantel; a Argentina e o Uruguai, outros players importantes do comércio mundial, não têm escala para atender o mercado – a Argentina, aliás, por questões internas até reduziu as vendas externos; a União Europeia também não tem espaço para crescer e volta-se para si, tentando atender às demandas dos novos integrantes do bloco. Sobram o Brasil, a China e a Índia, estes dois últimos estão crescendo, mas têm população superior a 1 bilhão de pessoas, o que significa que primeiro vão alimentar o seu povo para depois exportar carne nos níveis necessários.
Pelo contrário, o Brasil já é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo e tem todas as condições de ampliar ainda mais sua participação, inclusive ampliando as vendas externas. Afinal, aqui há terras disponíveis, condições geográficas e climáticas, produtores que sabem o que fazem, raças bovinas excepcionais e genética de altíssima qualidade. Juntas, essas condições tornam o Brasil incomparável em termos de pecuária eficiente e a custos baixos.
Importante salientar que o relatório da FAO diz que “são necessários investimentos substanciais na pecuária para ampliar a produção”. Que bom ler essas palavras de apoio à bovinocultura, atividade-alvo de muitas críticas de ambientalistas e vegetarianos, muito mais preocupados com discursos do que com questões práticas: sem carne bovina, o organismo humano sofre com a carência de ferro e, portanto, está mais susceptível a anemia, por exemplo.
Por traz da constatação da importância crescente da pecuária na alimentação mundial está a melhoria da economia global. Estudos comprovam que à medida que a população melhora de renda parte para o consumo de alimentos de melhor qualidade. Aí entra em cena a carne bovina. Em outras palavras: as pessoas querem proteína vermelha.
A população global ultrapassou a barreira dos 6 bilhões de habitantes. Pelos dados da própria FAO, a carne bovina já alimenta mais de 1 bilhão de pessoas. E é preciso chegar a mais gente.
Podem contar com Brasil e a pecuária brasileira. Os números recentes comprovam que a atividade responde rapidamente aos investimentos. Em uma década, o produção interna dobrou, se aproximando dos 10 milhões de toneladas anuais.
Mas, repito, ainda há muito espaço para progredir. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a produtividade média da pecuária brasileira gira em torno de 0.7 UA/hectare. Traduzindo: há menos de 1 bovino por hectare.
Os países ditos desenvolvidos trabalham com números pelo menos duas ou três vezes superiores. Isso significa que se o Brasil dobrar a produtividade por área – o que é perfeitamente possível – duplicará a atual produção de carne bovina sem utilizar um único hectare a mais. E olhe que os especialistas dizem que há cerca de 200 milhões de hectares disponíveis para a produção de alimentos (carne bovina, inclusive) sem a necessidade de derrubar uma única árvore – o que faz cair por terra o argumento dos ambientalistas de que a pecuária é inimiga do meio ambiente.

(*) Paulo de Castro Marques é empresário da Casa Branca Agropastoril, empreendimento pecuário das raças Angus, Brahman e Simental sul-africano

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