Coordenação pedagógica: do cotidiano percebido à ação coordenadora (II/II)

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Desta forma, podemos demandar esforços em se pensar o conhecimento na direção emancipadora e possibilitar que os atores da escola professor/aluno/gestores/coordenadores pedagógicos ao construírem seus saberes o façam num espaço de profunda reflexão-ação.
Afirmativamente, que essa reflexão-ação esteja no âmbito da interferência do real, da modificação e transformação da práxis educativa, com vistas a, substantivamente, transformar o ser humano alargando os conhecimentos que os educadores têm de sua ação sobre a própria ação de educar como forma de intervir socialmente nos contextos onde se situa.
A visão aqui construída pretende apenas propiciar uma compreensão, a partir da realidade da escola, da natureza do trabalho empreendido pelo coordenador pedagógico, com base em concepções de educação e de gestão que claramente definam que ordenação política é dada a esse cotidiano, contribuindo também para o repensar das práticas cotidianas desenvolvidas pela e na escola, contribuindo enfim, com a prática pensada e dialogada para e por nossos alunos, razão pelo qual empreendemos tanto esforço.
Para caracterizar a ação coordenadora tem-se por base a singularidade do enfoque e a ênfase no processo didático pelo qual o currículo se implementa na escola, na necessidade de formação para acompanhá-lo e atualizá-lo no cotidiano da escola, aqui entendido como dia-a-dia escolar. Seu sentido está nas relações pessoais e na relação didática, imprescindível para contrapor a linearidade e verticalidade, nas quais se pauta as relações funcionais, cerne do autoritarismo. Isso nos faz lembrar a perspectiva foucaultiana, que recomenda olhar crítico na percepção das formas de controle sobre o corpo e a mente. Contrapor significa associar liberdade com responsabilidade para a conquista da autonomia de opções e decisões.
O coordenador pedagógico, num contexto de cotidianidade, muitas vezes nem percebe a relação imediata entre pensamento e ação. No desenvolver da ação coordenadora, muitas decisões diferentes e diversas precisam ser tomadas, microdecisões precisam ser executadas num curto espaço de tempo e o mais rápido possível, não há tempo para analisar todos os aspectos de todos os casos, nem os casos que demandariam melhor e maior atenção. Assim, Resolve-se por analogia: busca-se em situações já vividas pontos semelhantes, tornando possível a tomada de decisão. Feito dessa forma, tal atitude se coloca no campo das opções. Sabendo que se o cotidiano se efetiva por e através de analogias, pode estar fadado ou ao sucesso ou ao fracasso, que em conformidade com a opção feita, poderá estar se promovendo alterações às novas avaliações a serem realizadas. Sendo importante considerar como se realiza essa avaliação. Se o cotidiano escolar está marcado por escolhas pedagógicas e administrativas, elas deveriam estar, então, norteadas por uma escala de valores.
Neste espaço, devo partilhar da ideia que o debate acerca da problemática que envolve a organização do trabalho da escola, sobretudo, o do coordenador pedagógico, envolve reflexão, com vistas a compreender e motiva-lo a embrenhar-se na luta através do seu fazer pedagógico, vendo a escola como partícipe das lutas e também como resultado, como produto desta luta na apropriação dos meios de produzir uma escola de qualidade para todos. Assim, através da ordenação do trabalho pedagógico da escola mediatizado pela articulação do coordenador pedagógico, o coletivo da escola pode ter mais possibilidade de perceber “a relação existente entre a organização da escola e o processo de produção da sociedade e as suas determinações pedagógicas no cotidiano da sala de aula.” ( Carvalho, 2005:130).
(*) Valdelice de Oliveira, professora da rede pública estadual de educação e mestranda em educação pela UFMT

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