Cenas de um filme antigo

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O ano de 2008 deve ser apagado da memória do torcedor colorado. É sempre assim, em todo início de campeonato, o glorioso desponta como virtual favorito à conquista do tão sonhado título de campeão mato-grossense de futebol. É bom que se diga, que este almejado título não daria nenhuma projeção ao glorioso, mas mataria o desejo da torcida de vê-lo um dia campeão.
Mas, a verdade é só uma, o objetivo principal do futebol é o gol, que é o seu momento máximo. Respeitadas as normas, o que vale é colocar a bola pra dentro. Numa decisão esta exigência acaba sendo maior. Quando se joga com perseverança e objetividade, muitas vezes a sorte acaba até ajudando. No futebol todo mundo conhece o verdadeiro e cruel ditado, segundo o qual “quem não faz leva”. O que é óbvio todo mundo também já sabe. Se você não faz, diretamente acaba dando a chance para o adversário fazer. E o torcedor colorado já está calejado de assistir as mesmas cenas de um filme antigo, digno de final infeliz. Muitos dizem que é falta de sorte. Outros apelam até mesmo para o sobrenatural, quando evocam o caso da famosa e lendária história da lavadeira. Infelizmente, o União pecou mais uma vez pela total falta de pontaria nas finalizações de seus jogadores. E o que é pior, nos momentos mais cruciais.
No início do campeonato o otimismo de todos era grande. Um técnico considerado “pé-quente” havia sido até contratado para comandar a equipe. Jogadores de elevado nível técnico foram também contratados, muitos deles a peso de ouro. A cidade inteira foi pintada de vermelho. A expectativa era imensa. A multidão entusiasmada que foi ao estádio Luthero Lopes esperava, finalmente, ver a rara oportunidade do glorioso erguer a taça. Nos bastidores o comentário é de que a confiança na conquista do título era tão grande que até um trio elétrico havia sido contratado para promover o carnaval da torcida colorada, caso o time sagrasse campeão.
Diante de mais um resultado negativo, só há uma verdade insofismável para o colorado: investir nas divisões de base do time, contemplando os bons jogadores oriundos do futebol amador da cidade, mesclando-os com jogadores de fora, que sejam comprovadamente experientes. O adversário do colorado – que atuou com garra e disposição – cuja base é composta de “pratas da casa”, com todos os méritos, mostrou para todos que é possível derrotar um plantel repleto de estrelas coloradas. Este é outro aspecto que deixa o torcedor do União ainda mais decepcionado.
Por outro lado, aquele torcedor colorado, já temendo uma possível tragédia, ficou precavido, preferindo fugir de tumulto (e do ingresso inflacionado) e assistir a transmissão da partida em casa, acabou também recebendo um duro golpe, um autêntico “presente de grego”. A crônica esportiva de Cuiabá, responsável pela narração da partida, esteve repleta de penetras e picaretas. Até políticos pegaram carona na transmissão do evento, virando “comentaristas” de última hora. Sem qualquer imparcialidade, requisito básico de todo bom narrador esportivo, esses elementos vibraram com a derrota do União e deleitaram diante do silêncio tétrico da torcida colorada. Em tom uníssono engrossaram o coro na base da zombaria, fazendo a todo instante comentários jocosos contra a equipe colorada e principalmente ressaltando o martírio que persegue o time há 35 anos. O desejo de todos eles era mesmo estampar na tela as lágrimas do torcedor colorado.
Numa final de campeonato, a coisa mais fácil é fazer profecia contra a equipe do União, que ao longo da história, pela indolência de seus jogadores, vem demonstrando tradição em perder títulos. Teve até um cartola cuiabano que chamou seus jogadores de pipoqueiros. Mas, mesmo diante de tanta provocação, que beirou a “humilhação”, a equipe do União em campo não demonstrou nenhum poder de reação. Se fosse uma equipe do norte do estado a escrita fatalmente seria diferente. Aliás, foi uma equipe do nortão do estado em 1990, que depois de 11 anos, conseguiu finalmente dar um basta à hegemonia dos times da capital.
Pelo lado do União, diante da falta de competência, as coisas só podem dar errado. Há motivos de sobra para deixar o torcedor colorado ainda mais desiludido. Esta mesma torcida que é fanática e na atualidade seja a maior do estado não deveria jamais ser prejudicada. Quando ocorre a oportunidade do time disputar uma final de campeonato, numa decisão equivocada de seus dirigentes, sem qualquer explicação convincente, numa só pancada os ingressos são majorados em 100%. Assim também não dá! Com esta tática suicida vão conseguir apenas um único objetivo: o afastamento do torcedor do Luthero Lopes. Outras equipes do estado também trilharam por este caminho. O resultado é que seus torcedores se afastaram dos estádios e hoje seus times estão de pires na mão. Não queremos isso para o União, que hoje é um patrimônio histórico de Rondonópolis. Por tudo isso, o torcedor que compareceu em peso ao estádio, que pagou caro para ver um espetáculo, acabou presenciando um vexame de grandes proporções. O sentimento de revolta neste aspecto é uma conseqüência natural.

(*) Altino Rodrigues Miranda Filho é profissional da educação e torcedor colorado

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