A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reconheceu que o sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) não serve como base para avaliar áreas de desmatamento. Em coletiva realizada no aeroporto de Sinop, logo após um sobrevôo sobre a região de Marcelândia (710 km ao Norte de Cuiabá) nesta quarta-feira, Marina afirmou que este tipo de levantamento deve ser utilizado apenas para orientar a fiscalização. Mesmo aceitando, após ter visto durante o sobrevôo que o desmatamento entre os meses de setembro e dezembro, informado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é na realidade menor, Marina Silva afirmou que o decreto 6.321 será mantido e cumprido. O decreto determina, entre outras penalidades, a exclusão de propriedades localizadas nos municípios que mais desmataram na Amazônia de todo tipo de financiamento público.

[inspic=16569,right,fullscreen,200]Com a decisão da ministra, o governador Blairo Maggi garantiu que, em aproximadamente 60 dias, terá um levantamento em campo completo onde provará que o desmatamento no Estado sofreu redução ao contrário do que foi informado pelo Inpe. “A mudança no decreto é o mínimo que podemos fazer. O prejuízo de imagem do Estado já foi feito. Não tem como ser reparado”, comentou o governador.

Marina Silva confirmou a posição do Estado ao dizer que o Projeto de Monitoramento do Desflorestamento da Amazônia (Prodes) é a ferramenta ideal para avaliar as áreas desmatadas. A ministra elogiou o trabalho e empenho do Governo do Estado que conseguiu reduzir o desmatamento em 48% a partir de 2004. O Prodes faz um levantamento de dados anuais que é computado entre o dia primeiro de agosto de um ano até o dia 31 de julho do ano seguinte. No ciclo 2003 – 2004, o Estado teve um desmatamento de 11.814 Km2, enquanto no ciclo 2006 – 2007 computou uma área desmatada de 2.476 Km2. Marina ressaltou que pretende continuar com o trabalho conjunto entre o Estado e Ministério de Meio Ambiente, garantindo que o diálogo estará sempre aberto.

Também presente na comitiva federal durante o sobrevôo na região de Marcelândia, o diretor do Inpe, Gilberto Câmara, fez um mea culpa sobre os números do desmatamento divulgados pelo instituto entre os meses de janeiro e setembro de 2007. “Os dados apresentados pelo Governo de Mato Grosso nesse período estão rigorosamente corretos”. Em relação aos dados sobre os meses de outubro a dezembro, o diretor do Inpe afirmou que serão reanalisados pelo sistema Prodes e o balanço anual de 2007 será divulgado em maio.

Além do governador e da ministra de Meio Ambiente, participaram do sobrevôo os ministros Tarso Genro (Justiça), Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) e Enzo Martins (interino da Defesa) e os diretores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) – Com Secom.

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