Chegada em cima da hora

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Há cinco anos que Marininha, de 12 anos de idade e seu maninho Tibério, de seis anos, teriam um triste e melancólico Natal, não apenas pelo fato de que durante esse tempo, o Papai Noel ter estado ausente, quando suas visitas implicavam na chegada de belas e grandes bonecas para ela e lindos carrinhos e bolas para o irmãozinho Tibério. Bonecas grandes e que custavam caro, pois seu pai era funcionário de uma famosa fábrica de brinquedos, a qual nessa época do ano presenteava os filhos dos funcionários com os mais belos brinquedos.

No entanto, há cinco anos, seu pai Juvenal Hortolani estava preso, condenado que fora a trinta anos de reclusão, em regime fechado, acusado de ter assassinado o dono da fábrica onde trabalhava de forma planejada. O episódio deixou a esposa Mariana em situação dificílima, pois teve que vender a casa, e o carro novo que o casal possuía para pagar dois advogados, os mais famosos da cidade.  Mas estavam pagando inutilmente, pois até aquela véspera de Natal o caso encontrava-se sem resultados positivos.

Embora Mariana tivesse passado a trabalhar num restaurante e costurando roupas para fora, tinha que pagar alto aluguel, prestar assistência ao esposo, além de pagar advogados na inútil tentativa de ainda tirar o marido da prisão, o qual negava que fora ele quem matara seu patrão de forma violenta e cruel e ainda ter enterrado sua vítima no quintal de sua casa.

Muito embora as provas do crime fossem fortes a indiciá-lo, Juvenal insistia em sua inocência, muito embora seus amigos mais fiéis, baseados nas fortes provas apresentadas contra ele, sugeriam que ele confessasse o crime, o que poderia beneficiá-lo para que conseguisse uma pena mais branda, mas ele insistia que era inocente.

Naquela época, em absoluto, os filhos dos presos não podiam visitar os pais na cadeia antes dos dezoito anos e as crianças estavam desoladas, pois Papai Noel, em mais um ano, não chegaria à véspera do Natal.

Naquela véspera de Natal, a mãe Mariana estava doente e de cama há dez dias e, com recomendação médica de deixar a cama o mínimo possível.

Por volta de 21 horas daquela véspera de Natal, mandou os filhos dormirem mais cedo para que fossem poupados do sofriento.

Por volta de 23h30 notou que os filhos não tinham pegado no sono e quando os sinos começaram a bimbalhar, anunciando o Natal, notou que eles estavam chorando. Ela também passou a chorar, não apenas condoída pela tristeza dos filhos, mas pela falta do marido, ela que acreditava no que ele dizia, que era inocente.

De repente, alguém bateu na porta e Mariana mal pode notar, tendo em vista o barulho dos sinos e dos muitos fogos que subiam ao ar e faziam uma barulheira enorme.

Eis que de repente, ela consegue notar de quem era a voz a dizer: “Cadê dona Mariana dorminhoca, cadê dona Mariana dorminhoca e as crianças igualmente cheias de sono”?

Mariana correu para abrir a porta e confirmou que era Juvenal. As crianças correram para fora e choraram ao ver o pai abraçando a mãe. De repente, de dentro do carro, saiu um papai Noel carregado de pacotes. Eram presentes para todos. Brinquedos para as crianças, dois lindos vestidos para a esposa.

Depois dos abraços e choros, ele disse: “Sei que não tinha comida, mas aprontem-se porque vamos cear em um restaurante”.

E enquanto Mariana se arrumava, ele revelou: “Justamente na sessão em que aconteceram coisas incríveis você não compareceu.” Mariana explicou que estava doente. E Juvenal prosseguiu: “Enfim, meu advogado o Dr. Norberto conseguiu apresentar provas e testemunhas da minha inocência, o juiz as aceitou, fui liberado e deverei receber uma altíssima indenização dos filhos do patrão e diante disso, o meu advogado me adiantou uma boa grana para que a gente pudesse fazer a festa e trazer Papai Noel de volta”. Os choros foram muitos, mas de alegria.

No meio de prantos alegres, Armandinho, o filho mais velho, disse:

“Quem de fato chegou foi o Menino Jesus que é Deus também, vestido de Papai Noel.” Todos concordaram e mais uma vez se abraçaram.

(*) João Batista Toledo é jornalista em Rondonópolis

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