A festa organizada para encerrar o ano do futebol brasileiro com chave de ouro perdeu um pouco do seu encanto. Dois convidados ilustres vão desfalcar a equipe do destaques do Campeonato Brasileiro no amistoso de domingo, contra a seleção olímpica, no Estádio Olímpico João Havelange. O técnico campeão nacional, Muricy Ramalho, e o goleiro menos vazado e eleito o melhor jogador da competição, Rogério Ceni, pediram dispensa alegando que já haviam firmado compromissos nas férias antes do convite feito pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

 Além dos dois são-paulinos, o zagueiro Alex Silva, que também defende o clube do Morumbi, não vai poder atuar na seleção do Brasileiro por causa de contusão. A ausência de Rogério Ceni e Muricy Ramalho pode esvaziar o amistoso, cuja procura por ingressos é baixa. “A presença deles seria interessante para o público, mas alegaram férias e eu vou ter a oportunidade de ver outro jogador (na vaga de Rogério Ceni)”, disse Dunga, que deu início ontem ao projeto Olimpíada de Pequim, que será disputada em 2008. O Brasil jamais venceu a competição.

Dunga reuniu pela primeira vez a equipe olímpica na Granja Comary. Nem parecia que a seleção treinava ali. Até mesmo pela forte chuva que atingiu Teresópolis, pouquíssimos torcedores se aventuraram a ver o treino de Alexandre Pato e companhia. Na entrevista coletiva, o técnico fez uma comparação de sua atividade entre os garotos e a equipe principal. “Tenho mais dificuldade (de trabalhar) com a seleção olímpica, porque o grupo é novo, e como são jogadores jovens, bate mais ansiedade e um pouco de nervosismo. Então é preciso criar um elo de confiança com eles”, comentou.

Grande nome do Brasil sub-23, o atacante Pato, do Milan (Itália), chegou à seleção olímpica de olho na principal. “Só depende do Dunga. O dia que for chamado, estarei pronto.”

Pato é diferenciado dos colegas até mesmo pelas chuteiras – de cor amarela. Único atleta convocado por Dunga que atua no exterior, ele não quer ser taxado de astro numa equipe repleta de rostos desconhecidos. “Todos são iguais e sabem jogar futebol. Ninguém é estrela. Não entro em campo sozinho.” Pelo discurso em prol do grupo, o ex-jogador do Internacional certamente ganhou pontos com o treinador. “Tudo na minha vida acontece com rapidez. Agradeço ao Homem lá de cima”.

Contratado ao Milan em agosto, quando tinha 17 anos, ele só poderá atuar em janeiro, quando será reaberta a janela de transferências. Apesar do longo tempo parado, garante estar em plena forma física e com muita vontade de voltar a fazer o que mais gosta: bater bola. “Faço todas as atividades no Milan, só não disputo jogos. Ganhei massa muscular, mas permaneço com a mesma altura”, declarou o atacante, sem se estender no assunto. Ele quer carimbar seu passaporte para Pequim. Para tanto, tem a exata noção de que precisa brilhar em campo. “Quero mostrar meu futebol.”

O supervisor da CBF, Américo Faria, disse ontem que a seleção olímpica, que vai contar com três jogadores experientes (acima de 23 anos), deve se apresentar pelo menos 15 dias antes do início do torneio em Pequim. Ele admitiu também a dificuldade de arranjar amistosos “por falta de datas.”

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here