Pensar Ajuda a Crescer (PAC)

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O ano de 2007 iniciou-se com grande movimentação, por parte da  mídia, ao divulgar a estratégia  que o governo brasileiro apresentaria para marcar este 2º período de sua administração.

Logo já havia uma sigla: PAC “Plano de Aceleração do Crescimento” junto com uma promessa de desenvolvimento do mesmo em curto prazo e, curiosamente, no bloco seguinte do telejornal, anunciaram um recesso governamental, a título de férias.

Ótimo, pensei. No retorno destas férias encontraremos um programa planejado, com metas, meios definidos, estratégias e contingências. Ao contrário, deparei-me  com uma explanação vaga, partindo da hipótese polêmica do uso do FGTS, como recurso financeiro, sem definição das metas, enfim, uma situação característica de um estudo desenhado de forma precipitada, destrambelhada mesmo, visando um CAQC (crescimento a qualquer custo), que tal como em outros governos, propiciará um provável comprometimento da qualidade de vida da sociedade civil.

Pensando de maneira racional, aparecem vários entraves ao crescimento e, confesso, ao iniciar este texto, minha intenção era dissecá-los. Porém, uma primeira leitura me revelou que eu havia escrito uma peça medíocre, um verdadeiro discurso do óbvio, já que os argumentos abordados já haviam sido vastamente divulgados.

Então, sobreveio uma curiosidade e, acessando um popular site de busca da Internet, digitei PAC,(assim com maiúsculas separadas). Obtive 76.700.000 resultados.  Proferi uma exclamação, suspirei fundo e refinei a busca desta feita digitando “plano de aceleração do crescimento” (minúsculas, com acentuação gráfica e entre aspas), obtendo 377.000 resultados, ou seja, nos 51 dias decorridos entre 1º de janeiro e 20 de fevereiro foram escritos 7392 textos por dia, ou 308 textos a cada minuto, em português, sobre este assunto.

Como é que com tamanha exposição ainda se conheça tão pouco dos moldes do programa que pretende nortear os rumos da administração nacional nos próximos quatro anos? Por que permanecemos tão alheios à este fato?

A minha explicação para este fenômeno é uma combinação de atitudes:  falta de cuidado por parte dos responsáveis pela elaboração deste plano e culpa nossa, do povo brasileiro, por falta de cultura.

Sobre a falta de cuidado, lembro de um texto recentemente publicado na revista Veja (sessão ensaio de autoria de Roberto Pompeu de Toledo),que alertava para um plano feito por marketeiros, apenas com uma sigla à procura de um significado, cuja leitura recomendo.

A falta de clareza na divulgação das metas e prioridades do PAC  e os desencontros observados ao se apontar a origem dos recursos necessários para sua viabilização, deixam-me  bastante aflito: afinal, o PAC  promete ser o paradigma do cronograma orçamentário nacional para os próximos 48 meses (ou seja: o destino do dinheiro arrancado pela  incrível carga tributária brasileira).

Sobre este aspecto, pouco posso fazer senão acompanhar atentamente o desenrolar dos fatos. Já quanto ao nosso baixo nível cultural, posso me rebelar.

Inicio aqui, humildemente, uma campanha para que cada leitor, cada cidadão que ambicione participar de uma sociedade melhor, se conscientize da necessidade premente de um esforço para aumentar seus conhecimentos, praticando mais assiduamente a leitura, a reflexão sobre ela e o debate das idéias, enfim, a busca incessante do conhecimento e da informação e, sobretudo, a formação e disseminação de opiniões.

Aí sim, veremos aparecer a principal qualidade da nossa gente: produzir e colher. Explico melhor: a leitura e a reflexão são o preparo, a adubação e  o aplanamento do solo, preparando-o para o lançamento das sementes que são as idéias.

Desta rotina, observada através dos tempos, nasceu a palavra cultura, que tão bem serve para o estudo.

Como para a lavoura, pois é  com esta labuta diária que uma sociedade brota, cresce, floresce e frutifica e, a cada nova safra, mais macio fica o terreno e maior sua produção.

Façamos em casa aquilo que melhor sabemos fazer: cultivar e produzir.

É hora de cultivar conhecimento, discernimento, produzindo confronto de idéias e críticas que levam a um aprimoramento da sociedade; mas é também  preciso distribuí-las com entusiasmo, levando-se em conta que nenhuma atitude é pequena demais para alcançar um resultado, mas atitude nenhuma  leva, isto sim, a decomposição do patrimônio conquistado.

(*) Maurício Raposo de Medeiros, médico em Rondonópolis

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