Advento Ã(c) tempo de uma grande expectativa, tempo de espera e de esperança. Qual será o futuro da humanidade e o nosso futuro pessoal? O mundo e sua história terminarão num fracasso, numa grande catástrofe? Os poetas conseguem vislumbrar o futuro, acender nossa esperança e expressá-la em poucas palavras e cantando nos convidam a meditar.

Ô vem Senhor, não tardes mais,

Vem saciar nossa sede de paz!

Nosso canto Ã(c) realmente aquele grito insistente que brota de um coração que ainda espera ansioso que o Senhor venha no meio de nós? Sentimos realmente a ausência de Jesus e do seu Reino? Sentimos a sua demora? Acreditamos que um outro mundo Ã(c) possível? Esperamos que quando ele vier irá trazer consigo este mundo novo, diferente, mais fraterno e justo? Ainda cremos que Jesus um dia voltará? Gostaríamos que a sua chegada acontecesse já, o quanto mais depressa? Ou precisamos reconhecer que esse assunto não nos interessa. Sentimo-nos despreparados e sem vontade para acolher Jesus no meio de nós. Afinal nos arranjamos e nos acomodamos a este mundo em que vivemos. Para quê então um mundo novo? Esse mundo em que vivemos não está bom, mas não queremos mudança, nem novidade.

O poeta continua cantando com seu linguajar que nos faz entender a urgência da vinda do Senhor.

Ô vem como chega a brisa do vento,

Trazendo aos pobres, justiça e bom tempo.

Como a brisa do mar que vem todos os dias à tardezinha e que Ã(c) esperada por muitos porque alivia, assim, nós estamos esperando a sua vinda Senhor, porque junto a ela virá a justiça. Somente os pobres que sentem na carne que foram injustiçados e que as leis, foram feitas pelos grandes, e apenas para eles mesmos, terão um grande desejo de que a justiça seja feita para todos.

Ô vem como chega a chuva no chão,

Trazendo fartura de vida e de pão.

Como o agricultor que plantou a sua lavoura e espera a chuva, assim nós estamos esperando a sua vinda Senhor, porque com ela virá a fartura e a abundância. Só os que passam fome e sede de justiça e de pão esperam com ansiedade que sejam saciados.

Ô vem como chega a luz que faltou,

Só tua palavra nos salva Senhor.

Como os que andam nas trevas e na escuridão e como os que estão sem rumo e não enxergam nenhuma luz no horizonte, assim nós estamos esperando a sua palavra divina, Senhor, que Ã(c) luz para nos orientar e mostrar o rumo certo. Só os que desviaram do caminho e os que se sentem perdidos terão um grande desejo de acertar novamente o caminho da vida.

Ô vem como chega a carta querida,

Bendito carteiro do reino da vida.

Como a namorada espera dia após dia que o carteiro traz uma carta do seu namorado, assim nós estamos esperando um sinal do seu amor por nós. Só os que estão sedentos de amor poderão encontrá-lo e experimentá-lo, Senhor.

Ô vem como chega o filho esperado,

Caminha conosco Jesus bem amado.

Como a mãe grávida está ansiosamente esperando o dia em que dará a luz o seu filho que ela carregou durante nove meses no seu ventre, assim nós estamos esperando ansiosos que Jesus nasça no meio de nós. Só os que querem conhecer Jesus, terão pressa para que ele chegue o quanto antes.

Ô vem como chega o Libertador,

Das mãos do inimigo nos salva Senhor.

Como os que estão enfrentando o inimigo e estão lutando para não caírem na tentação, assim tambÃ(c)m nós esperamos que o Senhor venha em nosso socorro e nos tira do sufoco e do perigo e venha nos trazer a libertação e a salvação.

Ô vem Senhor não tardes mais,

Vem saciar nossa sede de paz!

(*) Pe. Gunther Lendbradl, pároco da Catedral Santa Cruz