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Queridos leitores. É com alegria que venho atÃ(c) vocês para apresentar um pouco de nossa história afro-brasileira. “Nosso poder está na união, o mundo novo vem de Deus e dos irmãos, vamos lutando contra a divisão e preparando a festa da libertação.”

Pode-se dizer que a história brasileira foi modelada e condicionada pelo sistema escravista de produção. Para avaliar a importância do escravismo no Brasil, destaque-se ter sido ele o mais importante, o mais sólido e o mais longo de todo o Novo Mundo. Isto pela extensão do território que abarcava, pelo número de escravos que ocupava, pela sua absoluta predominância sobre qualquer outro modo de produção e, finalmente, porque fomos o último país do mundo a abolir a escravidão.
A escravidão ocupou três quartas partes de nossa história e isto teve conseqÃ1/4ências importantíssimas. Entre outras, o fato de que a produção era, na sua quase totalidade, absorvida na compra de mão-de-obra, na compra de escravos. Não houve, portanto, acumulação significativa de capitais no Brasil. O escravismo explica tambÃ(c)m outras peculiaridades das classes dominantes brasileiras.

endo sido o Brasil, durante mais de 300 anos, um país dividido em homens livres e escravos, fomos um povo de torturados e torturadores. Precisamos tomar consciência disto. A tortura Ã(c) uma das mais arraigadas tradições das classes dominantes brasileiras. O que explica o falso “humanismo” dos senhores de escravos brasileiros; o nosso escravismo não foi como nos ensinaram, “paternalista”.

Houve em diferentes Ã(c)pocas, e em diferentes sociedades, sistemas patriarcais de escravidão. Mas, certamente, o brasileiro não foi patriarcal. Por isso mesmo era voltado para produção de mais-valia. Só pela coerção Ã(c) que se podia obrigar o homem escravizado a trabalhar sem remuneração. Por isto o sistema escravista brasileiro estabeleceu um sistema de terror. Terror permanente e cotidiano, desde o momento em que o escravo era adquirido atÃ(c) a sua morte. A tortura não era aplicada por sadismo, mas sim porque se tratava de uma necessidade inerente ao próprio sistema. Tratava-se de obrigar o escravo a trabalhar. Sob tais condições, o escravo jamais poderia ser “pacífico”. As revoltas do homem escravizado são uma constante durante a história brasileira e constituem o mais profundo desmentido da tese do “pacifismo”, tese elaborada pelos interessados em apresentar o nosso passado como uma imagem de passividade. Passividade, suavidade e tratamento patriarcal. Trata-se de uma maneira de legitimar e embelezar a dominação que exercem as classes dominantes sobre os oprimidos. Mas a constante Ã(c) a revolta, a luta.

De fato, a luta de classes do sistema escravista foi permanente, como o Ã(c) em todos os sistemas sociais. No entanto, assumiu diferentes formas. Em determinados momentos atingirá culminâncias dramáticas. É o caso da República de Palmares.

1678 – A Pedro de Almeida, governador da capitania de Pernambuco, mais interessava a submissão do que a destruição de Palmares, após inúmeros ataques com a destruição e incêndios de mocambos, eles eram reconstruídos, e passou a ser economicamente desinteressante, os habitantes dos mocambos faziam esteiras, vassouras, chapÃ(c)us, cestos e leques com a palha das palmeiras. E extraiam óleo da noz de palma. As vestimentas eram feitas das cascas de algumas árvores, produziam manteiga de coco, plantavam milho, mandioca, legumes, feijão e cana e comercializavam seus produtos com pequenas povoações vizinhas, de brancos e mestiços.

Sendo assim, o governador propôs ao chefe Ganga Zumba a paz e a alforria para todos os quilombolas de Palmares. Ganga Zumba aceita, mas Zumbi Ã(c) contra, não admite que uns negros sejam libertos e outros continuem escravos. AlÃ(c)m do mais, eles tinham suas próprias Leis e Crenças e teriam que abrir mão de sua cultura.

1680 РZumbi assume o lugar de Ganga Zumba em Palmares e comanda a resist̻ncia contra as tropas portuguesas.

1694 – Domingos Jorge Velho e Vieira de MeIo comandam o ataque final contra a Cerca do Macaco, principal mocambo de Palmares e onde Zumbi nasceu, cercada com três paliçadas cada uma defendida por mais de 200 homens armados, após 94 anos de resistência. Sucumbiu ao exÃ(c)rcito português e, embora ferido, Zumbi consegue fugir.

1695 – 20 de Novembro – Zumbi foi traído e denunciado por um antigo companheiro, ele Ã(c) localizado, preso e degolado aos 40 anos de idade. Zumbí ou “Eis o Espírito”, virou uma lenda e foi amplamente citado pelos abolicionistas como herói e mártir.

Atualmente, o dia 20 de novembro Ã(c) celebrado, como Dia da Consciência Negra, dia de orgulho nacional. O dia tem um significado especial para os negros brasileiros, que reverenciam Zumbi como o herói que lutou pela liberdade e como um símbolo de liberdade.

(*) Irmã Maria Aguiar, Instituto Sagrado Coração de Jesus – Jardim Atlântico — Rondonópolis/MT

1 COMENTÁRIO

  1. Um belo texto literário!
    Abraços literários!

    Aires José Pereira é escritor com 15 livros publicados, coautor do Hino Oficial de Rondonópolis e prof. Dr. Adjunto III do Departamento de Geografia da UFMT e é membro efetivo da Academia de Araguaína e Norte Tocantinense.

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