Em todas as Ã(c)pocas, Ã(c) possível identificar nas sociedades humanas características fundamentais de racionalidades. A expressão cultural-sócio-religiosa não somente sustentou e imprimiu uma nova forma de ser e de entender o mundo, mas transformou e conduziu novas mentalidades em busca de um mundo mais eficiente, conhecido e explorado.

A civilização contemporânea explode em meio a vicissitudes incompreensíveis, originadas pela ganância ou insatisfação do homem em dominar a natureza e sua própria finitude: o fundamentalismo marca uma nova era de violência e crueldade; a estÃ(c)tica diviniza o homem e o tira da barbárie; a ciência demonstra a supremacia da natureza humana; o pluralismo religioso se alimenta pela ideologia do fraco; o consumismo se mantÃ(c)m pela ideologia do “ter”; e o marxismo mantÃ(c)m vivo sua “profecia”: o ser humano pela sua práxis (atividade criadora e transformadora) cria um mundo segundo suas forças de produção.

Todas essas características presentes na atualidade se mantêm por um conjunto de idÃ(c)ias transformadoras, fruto da liberdade e do protagonismo humano frente a sua realidade circunstancial (que está a seu redor) a fim de dá uma resposta à desordem criada em seu habitat.

Ainda Ã(c) possível encontrar civilizações estruturadas e fundamentadas em suas crenças e valores ancestrais. E mais do que essa valorização cultural, alimenta-se tambÃ(c)m a revolta de um passado conflitivo, marcado por guerras e humilhações, tornando o momento atual vulnerável a qualquer situação política e econômica.

Por outro lado, a estÃ(c)tica mantÃ(c)m o ser humano nas suas relações de poder e o torna objeto de contemplação pela sua criatividade e eficiência diante do trágico. Vende-se uma imagem de civilização em progresso, do corpo saudável e de um comÃ(c)rcio contagiante, pronto para abastecer a vida humana em todas as suas carências. Daí, começa-se a surgir a superficialidade, o repentino, o desejo e a insatisfação, o real e o ilusório. O mundo estÃ(c)tico Ã(c) capaz de transformar a violência e a misÃ(c)ria em harmonia e progresso.

Com isso, eleva-se as descobertas da ciência e da tecnologia, cada vez mais portadoras de eficiência, seja à favor da vida ou da destruição em massa do globo. As investigações científicas são desenvolvidas por processos experimentais e lógicos, que tem no resultado, o ponto culminante da pesquisa. Com isso, muitas das vezes esquecem-se dos valores humanos e das próprias ciências humanas que entendem a pessoa como ser em desenvolvimento integral das suas faculdades.

E quando tudo está corrompido, cresce assustadoramente o número de novas igrejas e seitas a fim de moralizar o homem e de se alimentar de sua desgraça. Este fenômeno parece indicar que crenças, ideologia e mercado caminham juntas. A procura pelo transcendente direcionou novos rumos na sociedade: por um lado (ao mesmo tempo em que), o homem tornou-se mais expressivo e livre, consciente da sua condição limitada e de agregação a grupos sociais; por outro, secularizou ainda mais uma sociedade emotiva, subjetiva e superficial.

O mercado econômico diviniza o capital no atual cenário materialista da super produção e consumo. O “ter” torna-se auto-valorativo no campo das relações inter-pessoais e eleva a auto-estima e o estado de poder das pessoas, enquanto que o “ser“ está condicionado pelo acúmulo de riquezas. Dessa forma, a cultura do consumo cria a ideologia do mercado ativo e ao alcance de todos, ao passo que a classe baixa sequer participa consideravelmente deste trânsito de mercado livre.

O homem criador e produtor transforma o mundo atravÃ(c)s de sua força de produção, com isso, mudam-se as mentalidades e a própria consciência humana. O homem concreto cria um mundo à sua medida e condiciona a moral ao seu protagonismo e base econômica. Este princípio, que Ã(c) a “substância” do marxismo, interpela a sociedade humana a buscar novas conquistas, como tambÃ(c)m a refletir sobre sua própria conduta.

Todos esses atributos mapeiam as características fundamentais do mundo contemporâneo. E demonstra que o homem e as sociedades estão em constante mudança, ainda que seja inovadora, transformadora e construtora de um novo projeto de vida, da irracionalidade.

(*) Antonio Wardison Canabrava da Silva, licenciado em Filosofia e residente em Rondonópolis - [email protected]