
Local onde aconteceu o júri popular de Jorge Tabory, acusado pelo mando do triplo homicídio de servidores da UFMT, em 2007. Imagens da sessão em andamento não foram permitidas
–> LIBERADO –> O servidor público federal Jorge Luiz Tabory, após enfrentar o júri popular nesta quinta e sexta-feira (10 e 11/11), foi condenado a 51 anos de reclusão diante da acusação de ter sido o mandante e garantido suporte no triplo homicídio de servidores da UFMT, em 2007. No entanto, o réu conseguiu na sentença o direito de recorrer em liberdade até o trânsito em julgado do processo, isto é, até esgotar todos os recursos possíveis. Apesar de ter sido considerado culpado e condenado pelos crimes, Tabory saiu livre do Tribunal do Júri Estadual da Comarca, local onde ocorreu a sessão de instrução e julgamento.
Presidida pela juíza federal Tânia Zucchi de Moraes, a sessão de instrução de julgamento de Jorge Tabory contou no primeiro dia com a oitiva de testemunhas e informantes e com o interrogatório do réu. A novidade foi o depoimento de Jaeder Silveira dos Santos, condenado a 29 anos e seis meses de prisão, em 2008, pela execução dos três servidores da UFMT, isentando, pela primeira vez, de forma pública,Tabory do mando e suporte no crime em questão. Neste segundo dia da sessão, houve os debates entre o Ministério Público Federal e o advogado de defesa, Elson Rezende de Oliveira.
A decisão da sentença, através dos votos, coube ao conselho de sentença, formado por sete membros da sociedade local. A juíza federal Tânia Zucchi de Moraes leu a sentença de Jorge Tabory logo após às 21h desta sexta-feira. O conselho de sentença, respondendo ao questionário formulado pela magistrada, decidiu que Tabory é culpado pelo mando e suporte nos homicídios da pró-reitora e professora Soraiha Miranda de Lima (41 anos), do professor Alessandro Luiz Fraga (33 anos) e do prefeito do campus, Luiz Mauro Pires Russo (44 anos).
Quanto à fixação da pena, Jorge Tabory foi condenado a 17 anos de reclusão pela morte de cada uma das três vítimas, totalizando os 51 anos de reclusão. Por estar ausente do cargo federal por quase quatro anos, a magistrada declarou a perda do cargo público do acusado. Ao receber o direito de recorrer em liberdade, a magistrada impôs as condicionantes do réu apresentar-se em juízo periodicamente, não se ausentar da Comarca sem prévia comunicação e de recolher-se ao domicílio pessoal no período noturno. “Após o trânsito em julgado, coloque o nome do réu no rol dos culpados”, sentenciou.
Em entrevista à imprensa, a juíza federal Tânia Zucchi explicou, sem entrar em detalhes, que sua decisão na sentença foi tomada baseada em sua convicção e com o devido respaldo na lei, na Constituição Federal. Na sentença, pontuou que entende que a liberdade do réu, até o trânsito em julgado, não representa perigo à sociedade. Ela argumentou à imprensa que a demora para a realização do júri popular, após quatro anos, deve-se ao fato do réu ter recorrido da sentença de pronúncia. Sobre o andamento da sessão, avaliou: “foi tranqüilo, sem imprevistos”.
A manifestação de aprovação ou desaprovação dos presentes em relação à sentença foi proibida em plenário pela juíza federal Tânia Zucchi. Na saída do Tribunal, após a leitura da sentença, o aposentado Hamilton Miranda Souza, pai da professora executada Soraiha Miranda Lima, externou uma única palavra ao Jornal A TRIBUNA sobre o desfecho da sessão: “Decepção!”. O silêncio foi a opção de Suhilde Miranda, irmã de Soraiha Miranda, sobre o resultado do júri popular.
O Ministério Público Federal, através do procurador federal Douglas Santos Araújo, avaliou à imprensa que a condenação de Jorge Tabory era esperada pela acusação, mas o direito de recorrer em liberdade foi algo inesperado. Conforme o procurador, decisões como esta são “extremamente incomuns” no Brasil. De antemão, informou à imprensa que o Ministério Público Federal certamente vai recorrer da soltura do réu, mas que vai avaliar se vai recorrer visando o aumento da pena. “Sou absolutamente contra a soltura do réu”, afirmou.
Por sua vez, o advogado Elson Rezende analisou para a imprensa que, quanto à pena contra Jorge Tabory, não era o esperado pela defesa. No entanto, avaliou positivamente a aplicação dos princípios constitucionais usados pela magistrada até o trânsito em julgado do processo. Nesse sentido, destacou que o seu cliente é réu primário, tem bons antecedentes e que apresentou bom comportamento nesse período todo de prisão. Agora disse que vai conversar com o seu cliente sobre o direito de recorrer da condenação. “O Jorge foi agraciado pelas mãos de Deus com esse direito de recorrer em liberdade!”, externou o advogado ao Jornal A TRIBUNA, fazendo referência ao fato que o réu se tornou evangélico após o ingresso na prisão.
JURADOS
Os jurados que compuseram o conselho de sentença do caso, entre os dias 10 e 11 deste mês, no recesso da sessão, ficaram sob a custódia da Polícia Federal em um hotel da cidade, incomunicáveis. Um andar inteiro do hotel foi reservado para o júri.

A juíza federal Tânia Zucchi de Moraes, que presidiu a sessão de instrução de julgamento de Jorge Tabory

Advogado de defesa, Elson Rezende de Oliveira: “O Jorge foi agraciado pelas mãos de Deus com esse direito de recorrer em liberdade!”
Um pouco dos dois lados:
O Ministério Público Federal acusa Jorge Luiz Tabory de ser o mandante e ter dado suporte no triplo homicídio dos servidores da UFMT, ocorrido em 27 de novembro de 2007, em Rondonópolis. O crime vitimou a pró-reitora e professora Soraiha Miranda de Lima, o professor Alessandro Luiz Fraga e o prefeito do campus, Luiz Mauro Pires Russo. No final de 2007, a Polícia Federal apresentou os dois acusados pela tragédia: o lavador de carro Jaeder Silveira dos Santos, e o empresário e servidor público federal Jorge Luiz Tabory.
Conforme denúncia do Ministério Público Federal, Jorge Tabory teria prometido pagar R$ 3 mil a Jaeder para matar Soraiha Miranda de Lima, uma vez que ela, enquanto pró-reitora do campus local da UFMT, estaria lhe prejudicando, impedindo-o de continuar a prestar serviços particulares de lavagem de carros para a Universidade, bem como estaria inviabilizando a contratação de seu irmão, Belo Tabory, como motorista terceirizado. Alessandro e Luiz Mauro foram mortos apenas porque estariam junto de Soraiha na hora da execução.
Ao Jornal A TRIBUNA, o advogado de defesa, Elson Rezende de Oliveira, observou que seu cliente já entrou no julgamento “demonizado” na opinião pública diante do trabalho feito pelo Ministério Público Federal, com repercussão através da imprensa, divulgando apenas a sua versão para o triplo homicídio. Na verdade, Elson Rezende informa que o processo em questão tem 18 volumes, com quase quatro mil páginas. Mesmo assim, externa que o Ministério Público Federal conseguiu apenas presunções contra Jorge Tabory, não apresentando provas contundentes contra ele. Conforme o advogado, as provas apresentadas contra Tabory são frágeis e não há motivação para que ele tenha cometido tal crime. “O Ministério Público Federal quer fantasiar o motivo para o crime”, entende.

Sinto-me envergonhada, enojada, entristecida. Como explicar o inexplicável? Como aceitar o inaceitável?
Não precisa explicar só queria entender: “Tava preso, depois de condenado é libertado?”
É a famosa justiça brasileira, que de justiça não tem nada, apenas mais incentivo para que mais crimes sejam cometidos, basta observar o império da impunidade. Ah, esqueci de pedir aplausos à justiça brasileira. Ela é perfeita e impecável em beneficiar marginais, sejam eles pé de chinelo ou do colarinho branco. Sinto vergonha por tudo de ruim e podre que está acontecendo em nosso país, pois o preço que nossos filhos e netos terão que pagar será muito alto, isso se conseguirem pagar.
Apenas uma coisa deve ser dita… Dura Lex Sed Lex.
Acompanhei os dois dias de julgamento e era notório todas as mentiras proferidas pelo Jaeder, e por JORGE. Parabenizo o trabalho do procurador Dr. Douglas, bem como, pela sensatez do Juri. Mas, impugnante é a decisão da Juíza Federal… que deixa toda a sociedade rondonopolitana à mercê de bandidos deste nível, que manda matar e ainda tem o direito de ficar no nosso meio.
Cada dia que passa o Brasil se mostra um país sem autoridade, que passa a mão na cabeça do filho que fez coisa errada, como uma pessoa condenada (no meu entender é sinonimo de culpado) pode ficar livre? Parabéns a “Justiça Brasileira” e a todos que ela representa.
O Sr. Jorge Luiz Tabory já esta novamente preso. O procurador recorreu da sentença e foi determinada sua prisão novamente, que foi cumprida ontém a noite pela Polícia Federal.
O advogado de defesa deu um tapa na cara da justiça e uma rasteira em todos os cidadãos de bem que querem acreditar que aqui no Brasil a justiça é feita com imparcialidade. Vergonha e indignação é pouco, sentimos é nojo, infelizmente.
O Brasil não é mais nem um país é um pai mesmo porque atitudes dessas só de pai pra filho!
O homem já esta em cana de novo, deverá cumprir sua pena em regime fechado, foi feito a justiça… Parabéns aos magistrados…
Eita país de qualquer um!!! O cara é condenado por triplo homícídio, 51 anos de prisão e é solto por não ser uma perigo para a sociedade e se fosse????
Será que foi pelas mãos de Deus que ele foi agraciado???
Mas é interessante que a gente percebe que até a defesa ficou surpresa da juíza permitir que ele recorresse em liberdade.
Ele não tinha motivos nenhum para responder em prisão, pois todas as atitudes dele enquanto preso foram favoráveis a ele. A juíza analisou constitucionalmente porque ele ainda estava preso e não encontrou nenhuma explicação para isto, só agiu como uma juíza. Ela não esta aí para ser aplaudida e sim para desempenhar o trabalho dela, por isso não foi na opinião pública e sim na Constituição. Por isso aos que são desinformados sobre o caso procurem saber antes de vim falar asneiras.
Isso pode ate parecer uma injustiça, mas tenho certeza que de todos esses comentarios acima, nenhuma dessas pessoas conhece de lei e entende-as.
Caro aluno,
Não é possível saber se você será um bom advogado.Mas, puxa saco você já é o melhor.
Para quem analisou apenas o comportamento na prisão, deve ter tido um falho de memória do que ja foi capaz de fazer, por isso estar ali.
Quem não apresenta risco a população não comete um ato desse e nem paga para ninguem fazer acredito eu em plena lucidez.
Eu não entendo muito do direito penal brasileiro, mas fiz somente 3 periodo de direiro e aprendi que todo mundo tem o direito a defesa para provar sua inocência mas que seja culpado. Mas se foi comprovado o seu crime o réu não pode ficar impune de seu crime. O maior pratimônio que nós temos é a vida no Brasil parece que os valores estão invertidos. A bíblia sagrada nos ensina que devemos ser justos, no velho testamento Deus diz para não praticar homicídios, e quem matar uma vida inocente deverá pagar com a sua. No novo testamento Jesus Cristo nos diz que devemos amar o próximo, e diz também que se a àrvore cresceu e não deu bons frutos essa àrvore deverá ser jogada no fogo, e os assassinos não herdarão o reinos dos céus.Aprendi a matar em légitima defesa ou seja defender a minha própria vida ou dá autoridade a qual estou guardando.
Senhor advogado de defesa, é muita pretenção sua ao afirmar que foi a mão de Deus que agraciou o assassino em responder em liberdade, mas, com certeza foi a do capeta, pois somente ele compactua com quem não presta.