Publicado em 25 de maio de 2012   |   Fonte: Ronildo Pereira

A pedagogia da omissão…

Certamente, muitos companheiros de profissão irão reprovar, com profunda mágoa, a ideia central deste artigo, que trata justamente do absurdo, ineficiente, lastimável e desolador sistema educacional brasileiro. Vivemos uma época no processo ensino/aprendizado em que as políticas educacionais em geral se tornaram um processo populista  de governo, cujos  números mentirosos, ajudam a “bombar” uma realidade totalmente discrepante à real face do conhecimento absorvido por discentes em todas as esferas educacionais. A grande prova dessa decadente realidade são as notas obtidas na Provinha Brasil, no Enem, Enade, Exames de Ordem (OAB, CRM, CREA, COREN), etc. Se você dúvida, veja os números oficiais, e não se surpreenda…
A escola ainda é um dos últimos pilares no qual a humanidade ainda acredita. Porém, estamos perdendo o crédito… Logo após testemunhar vários desses absurdos em uma “escola” estadual em Rondonópolis, me sinto na obrigação de alertar todos  que se interessarem pela problemática da pedagogia da omissão. Hoje, as escolas, com raríssimas exceções, se tornaram um “escape” para alunos irresponsáveis, docentes inconsequentes, e gestores mal intencionados. Prega-se nas escolas uma linha de pensamento, cuja submissão à hierarquia escolar (direção e coordenação), o conformismo e a passividade com as políticas educacionais (escola ciclada, diretrizes do MEC), e o pior, a ridícula e equivocada interpretação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). São apenas algumas das armas mortais que estão deixando nossos alunos cada vez mais com os cérebros porosos, impedindo assim o surgimento do sujeito social, que tem a capacidade de raciocinar, interpretar, ser crítico, e não se deixar manipular pelos que se dizem doutores em educação.
Coincidência ou não, usando a fala Lulista, nunca na história deste País se viu tanta gente viciada em drogas lícitas ou ilícitas, homicídios vitimando adolescentes menores de dezesseis anos, meninas dando à luz cada vez mais cedo, e professores em tratamento psicológico. Será por que?? Pensar não dói! Pensa aí…
Em uma dessas observações, testemunhei uma assessora pedagógica da SEDUC/MT, orientando docentes de como se fazer um relatório sobre o desempenho escolar dos alunos. Vejam e tirem suas conclusões: o professor tem a obrigação de relatar todos os aspectos positivos do aluno e dissertar, de forma elogiável este “desempenho”. Se ele não existir, invente, porém, é terminantemente proibido falar ou escrever sobre o comportamento, a moral e a conduta do aluno em sala de aula, independentemente deste aluno ser um baderneiro, irresponsável, agressivo ou qualquer outro tipo reprovável no que tange ao comportamento em grupo, aliás, o termo reprovar, foi banido das escolas no regime ciclado.
Em ocasiões em que o aluno solicita transferência, não se pode, de forma alguma, informar à outra escola na qual o mesmo vai se matricular, as  “façanhas” praticadas pelo próprio. É preciso omitir, afinal, quem vai receber uma bomba, sabendo que o detonador foi acionado?
Você, que está lendo este artigo, o que acha disso???… O que acha da realidade de 40% dos alunos da antiga sexta série até o recém criado nono ano, leia, nona série, não saberem ler de forma adequada, ou não ler nada??? O que acha de um diretor, coordenador e um conselho escolar composto por pessoas despreparadas, que não conhecem uma diretriz educacional, estarem no mando e no comando de uma escola pública??? É, aquela que seu filho estuda. Afinal, a maioria dos filhos dos diretores e coordenadores das escolas publicas está na rede privada de ensino. O que você acha???
Não precisa achar nada… Pais que testemunham o fracasso dos filhos em concursos públicos, em seletivos para cursos de qualificação, em vestibulares, empresários que buscam jovens com gana de vitória, com raciocínio rápido, com responsabilidade, e que nunca os encontram, são os olhos tristes que não enxergaram a raiz do erro praticada pela pedagogia da omissão.
E quando aparece um chato,  que não tem medo de falar a verdade, vem as “gangs” da  docência para excluir do meio deles, o disseminador da contrariedade. Afinal, os praticantes da pedagogia da omissão, e “donos” da verdade dizem: “…O governo não tá nem aí, eu vou me preocupar por que?…” .
Sugiro que preocupem com vocês mesmos… Ou o legado positivo, não é uma ambição profissional?? Vamos criar um comitê de vigilância em educação, temos que  ter voz, e quando não concordarmos com políticas que fazem involução no processo ensino/aprendizado, precisamos lutar contra aquilo que compromete acima de tudo, os nossos ideais como professores e, a propósito, você aprova o regime de ciclos para as escolas brasileiras???  Crie coragem, seja você, e não seja submisso e passivo aos praticantes da pedagogia da omissão…

(*) Ronildo Pereira do Nascimento é pai, professor subversivo, mas professor  no sentido geral da palavra

11 comentários

  1. Ruy Ferreira disse:

    É isso aí. E muito mais. Quem cala consente. Vamos continuar no diapasão do: eu finjo que ensino e você finge que aprende. Vai dar merda, mas para o filho dos outros pois os meus eu matriculo em outro tipo de escola com outro tipo de professor. hehehehehe.

  2. Orlando Sabka disse:

    Se falar a verdade, exigir o que é correto e certo e tentar corrigir o errado, inclusive dando sugestões, então eu também sou um subversivo, mas não sou professor, mas um administrador de empresas aposentado, cuja aposentadoria paga pelo INSS é de fazer vergonha, fere por inteiro a nossa dignidade.

  3. nivea dos santos disse:

    É verdade, exigir o que é correto e certo e tentar corrigir o errado, inclusive dando sugestões, então eu também sou um subversivo, mas não sou professor, mas um administrador de empresas aposentado, cuja aposentadoria paga pelo INSS é de fazer vergonha, fere por inteiro a nossa dignidade.

  4. patricia barbosa..... disse:

    Vivemos uma época no processo ensino/aprendizado em que as políticas educacionais em geral se tornaram um processo populista de governo, cujos números mentirosos, ajudam a “bombar” uma realidade totalmente discrepante à real face do conhecimento absorvido por discentes em todas as esferas educacionais. A grande prova dessa decadente realidade são as notas obtidas na Provinha Brasil, no Enem, Enade, Exames de Ordem (OAB, CRM, CREA, COREN), etc. Se você dúvida, veja os números oficiais, e não se surpreenda…

  5. paulo herique..... disse:

    A escola ainda é um dos últimos pilares no qual a humanidade ainda acredita. Porém, estamos perdendo o crédito… Logo após testemunhar vários desses absurdos em uma “escola” estadual em Rondonópolis, me sinto na obrigação de alertar todos que se interessarem pela problemática da pedagogia da omissão.

  6. serafina..... disse:

    Prega-se nas escolas uma linha de pensamento, cuja submissão à hierarquia escolar (direção e coordenação), o conformismo e a passividade com as políticas educacionais (escola ciclada, diretrizes do MEC), e o pior, a ridícula e equivocada interpretação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

  7. maikon douglas disse:

    Sabe o que eu acho: a nossa população hoje acaba saindo abaixo do esperado simplesmente pelo fato de desviarem milhões e milhões que seriam investidos na educação e acabam é proporcionando os bolsos desses bandos de políticos sem vergonha…
    A partir do momento que esses “políticos” tomarem vergonha na cara o mundo irá mudar e nós mato-grossenses, brasileiros cidadãos temos que tomar frente e lutar por aquilo que nós é de direito…

  8. É isso ai segue em frente vai dar m… exigir o que é certo e sempre importante e tentar corrigir o que você acha certo e dando seus palpites administrando seus conhecimento para que os outros se integrem na diapasao do professor ou sim eu finjo que aprendo e voce finge que aprende…..

  9. serafina..... disse:

    Sou mais eu.

  10. giovany santos disse:

    Isso e toda a verdade dita sobre o caso da educação brasileira alunos semi-analfabetos que não sabem nada e so são empurrados para frente por isso existem casos de alunos que desistem no ensino medio, porque não aprendem no fundamental e ficam varios anos no esino medio e não sou eu e nem voce, temos que unirmos, juntar as forcas para que a educação do Brasil seja evoluida com pessoas peparadas para o mercado de trabalho.

  11. Karen Thayná Machado disse:

    Concordo plenamente com você Ronildo Pereira, espero que quando os leitores lerem este artigo gostaria que eles pensassem e refletissem sobre tudo o que você disse, porque tudo isso acontece na escola pois sou estudante, e sei muito bem o que é isso. Os alunos não se interessam pelos estudos pois sabem que nao vão ser reprovados. JUSTIÇA, faça alguma coisa para melhorar o estudo, pois nos somos o amanhã, somos nós que faremos a diferença…obg


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