Penúria, violência, insegurança

– A piora dos resultados fiscais agravou o risco de que o descontrole da violência no Rio se repita em outros estados”. A tese é do professor Sérgio Besserman, da Economia da PUC-Rio. Ele acredita que o Rio é a face mais aguda de um desequilíbrio fiscal que afeta todos os estados..
As crises econômica e fiscal do Rio de Janeiro foram as principais responsáveis pela deterioração da segurança pública. Fora os problemas internos e os problemas financeiros da Polícia Militar do Rio, o professor aposta que a melhoria da governança é fundamental. Gasta-se mal e não se planeja. O déficit fiscal gerou crises na saúde, na segurança, na educação, principalmente, diz ele. Isso compromete a cidadania e todos os demais serviços públicos e a própria qualidade de vida dos cidadãos deteriora junto. Além de comprometer o futuro do país e das pessoas que mais dependem dos serviços públicos.
Outros analistas acham que a única forma de evitar um colapso geral é fazer um ajuste estrutural, especialmente olhando as despesas. Ceará, São Paulo, Espírito Santo e Alagoas estão aplicando medidas de rigor fiscal.
Mato Grosso ensaia essas medidas com a PEC do Teto, com o enxugamento de despesas e medidas fiscais. Mas enfrenta um forte desajuste fiscal de curto prazo. Prova disso é que o governador Pedro Taques vem assolado pela pressão política e por um desgaste político crescente em 2018.
Mas os problemas vão além dos desajustes fiscais nos orçamentos estaduais. O modelo institucional de segurança pública no país é mais sujeito à corrupção do que em outros países. Com várias polícias estaduais em vez de uma só nacional, fica mais difícil combater a corrupção nesses órgãos, diz o sociólogo Ariel Ávila, da Fundação Paz e Reconciliação, da Colômbia, e um dos principais especialistas em segurança pública na América Latina.
Passado em primeiro degrau, o próximo, do sistema penitenciário é de chorar. No meio do caminho um judiciário elitista e alienado, presa do corporativismo não se enxerga dentro desse panorama social e político. Sem contar o poder Legislativo cruelmente corporativo em interesses pouco republicanos. Na outra ponta a burocracia estatal.
Sintetizar o clima de terra arrasada na administração pública brasileira significa olhar pra uma frota de tratores de esteira nivelando um novo Estado que administre o país. Coisa pra gerações…!

(*) Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso – onofreribeiro@onoferribeiro.com.br

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