“Precisamos de políticos que saibam gerir, que saibam fazer gestão”

Empresário Luiz Fernando Homem de Carvalho: “Rondonópolis merece e nós estamos precisando de uma administração que resolva os problemas” – Foto: A TRIBUNA

O empresário Luiz Fernando Homem de Carvalho, o popularmente conhecido Luizão, 63 anos, chegou em 1973 em Mato Grosso, vindo da cidade de Mercês, estado de Minas Gerais, acompanhando o pai, que vendeu o pedaço de terra que tinha lá e veio tentar a vida por aqui. Inicialmente, foi trabalhar como técnico agrícola Acarmat (Associação de Credito e Assistência Rural de Mato Grosso), hoje Emater, na cidade de Jaciara, se fixando em definitivo no ano de 1983 em Rondonópolis, onde montou uma fábrica de gelo, que lhe permitiu acumular o capital suficiente para montar a Agro Ferragens Luizão, já no ano de 1989, que vende máquinas e equipamentos veterinários, agropecuários e para jardinagem, entre outros. Hoje, ele emprega cerca de 200 funcionários e ampliou os negócios, abrindo filiais em Cuiabá e Sinop, com planos de abrir mais três filiais: em Sorriso, Várzea Grande e Lucas do Rio Verde. Confira, a entrevista do empresário ao Jornal A TRIBUNA:

A TRIBUNA – O senhor é proprietário de uma das maiores e mais conceituadas empresas de ferragens da cidade e da região. Como está a situação do setor diante da crise econômica que afeta o país?

Luizão – O nosso crescimento foi pequeno, pouco acima da inflação. Mas Rondonópolis está diferente do que acontece em nível nacional, pois o nosso PIB cresceu bem mais que o resto do País. As pessoas estão com algum receio para investirem, por conta dessa crise política que se instalou no País a partir de 2016, mas este ano nós vamos definir melhor como as coisas vão ficar na política e tudo deve ficar mais claro para quem quer investir. Mas o crescimento econômico existe para além da política. Apesar da política, nós temos crescimento, pois as pessoas são muito criativas, muito empreendedoras, principalmente em Rondonópolis, onde temos muitas pessoas empreendedoras. Eu vejo que já há uma reação, o comércio já está vendendo e contratando mais e tudo começa a ficar melhor e nós vamos passar por essa crise logo, que é a maior crise que eu já vi na vida, a mais longa.

A TRIBUNA – O senhor teve uma forte atuação na Federação das Associações Comerciais do Estado (Facmat) e na ACIR (Associação Comercial e Industrial de Rondonópolis), com foco na questão tributária. Como o senhor avalia a política tributária e fiscal do Estado na atualidade?

Luizão – Hoje, nós trabalhamos com a Substituição Tributária, ou seja, nós pagamos antes de receber a mercadoria. Dá para trabalhar bem? Dá. Porque agora o Governo parou de baixar decretos mudando as regras tributárias todo dia. Nós estamos trabalhando com mais tranquilidade, mas o Governo tentou mudar tudo, aumentando a carga tributária para as pequenas e médias empresas e aumentando em cerca de 50% os encargos para os grandes. Houve uma grande mobilização dos empresários e eles voltaram atrás, deixando tudo como estava. Isso inviabilizaria a maior parte das empresas do estado. Agora, nós estamos esperando pela implantação do IVA (Imposto sobre o Valor Agregado), que está sendo debatido pelo Governo Federal e que reduz todos os impostos para apenas quatro, que deve ser uma boa novidade para o setor. Mas nós temos uma excelente relacionamento com os governos.

A TRIBUNA – O posto da Secretaria da Fazenda (Sefaz) tem estrutura suficiente para atender a cidade e a região? No seu entender, há a necessidade de uma estrutura maior, mais descentralizada?

Luizão – Atende com muita dificuldade, faltam recursos. Como o Estado, está em dificuldades também, tudo fica mais difícil. A Junta Comercial chegou a ficar três meses sem um analista, e todas as pessoas que precisavam fazer algo no órgão, como abrir ou fechar uma empresa, tinham que ir até Cuiabá. Tudo isso porque uma profissional se afastou para tratar da saúde e outro se aposentou. Então, aquela promessa do nosso atual governador de que as pessoas iriam conseguir abrir uma empresa em no máximo seis dias ficou só na promessa. Isso ainda está demorando muito, mas deve melhorar assim que a Prefeitura aderir a REDESIM, que vai integrar todos os órgãos responsáveis pela abertura e fechamento de empresas, dando muita celeridade ao processo, pois a maior parte dos documentos vai ser feita online.

A TRIBUNA – O Jornal A TRIBUNA está desenvolvendo uma série de reportagens sobre as obras paradas na cidade. Como o senhor vê essa situação que tem se tornado crônica?

Luizão – É uma situação traumática. É o caso do nosso aeroporto: muitas empresas não vieram para cá por falta dele, de uma estrutura aeroviária que funcione. Nós já tivemos até três voos diários saindo daqui. Parou tudo, porque os aviões não tem condições de descer. Os equipamentos necessários estavam aí, mas não foram instalados e acionados por incompetência, não só da Prefeitura, mas do Estado também, que ficam nesse jogo de empurra. O Governo do Estado vai privatizar esse e outros aeroportos do Estado e isso vai dar um salto de melhoria considerável neles. Eu vejo que há má gestão e isso me deixa muito triste.

A TRIBUNA – Esse ano teremos eleições. Qual é, na sua opinião, o perfil ideal de governantes que o Brasil e Mato Grosso precisam?

Luizão – É um sentimento que está latente em nós empresários e em outras pessoas que querem o bem da nossa cidade: nós precisamos de políticos que saibam gerir, que saibam fazer gestão. E sem reeleição, pois essa pessoa vai trabalhar os seus quatro anos e preparar o terreno para o seu sucessor dar continuidade ao trabalho feito. Isso é bom para todo mundo, para o rico, para o pobre, para todos. Quando o foco é o interesse próprio, a cidade não vai a lugar nenhum. Em lugar nenhum do mundo isso deu certo.

A TRIBUNA – Como o senhor avalia essa gestão do prefeito Zé Carlos do Pátio (SD)?

Luizão – O Zé, pessoalmente falando, eu não tenho nada contra ele. Mas administrativamente falando, eu acho que está faltando muita coisa. Organizar a cidade, ouvir a população, para ouvir de todos como eles podem ajudar a cidade… Mas ele é muito centralizador, não distribui tarefas e a administração não pode ser centralizada, ‘eu posso, eu faço, eu sou o prefeito e faço como eu quero’. Quando você descentraliza, quando abre o seu ouvido e ouve mais as pessoas, você erra menos. E se errar, não erra sozinho.

A TRIBUNA – O que fazer para melhorar a cidade na questão urbanística? O que a cidade mais necessita neste momento?

Luizão – Primeira sugestão: vamos contratar engenheiros de trânsito para melhorar o nosso trânsito. Depois, aumentar o número de avanços semafóricos com câmeras, melhorar, mas melhorar muito, a nossa sinalização horizontal e vertical. Com isso, nós vamos diminuir muito o número de acidentes de trânsito. Falta gestão, contratar pessoas para resolver nossos problemas de trânsito. Campo Grande (MS), para se ter uma ideia, tem dez engenheiros de trânsito. Temos que sincronizar todos os semáforos, centralizar esse controle da sincronização num só lugar, reativar as câmeras de monitoramento do centro da cidade. Isso foi caro, mais de um milhão… a maior parte delas hoje está parada, sem funcionar. Esse recapeamento que está sendo feito nas ruas da cidade, por exemplo, é um serviço muito bom, mas deveria ser feito à noite, as pessoas deveriam ser comunicadas com antecedência, pois o trânsito da cidade precisa fluir. É pelo trânsito que as pessoas andam e elas perdem muito tempo nele.

A TRIBUNA – Para finalizar, o que senhor projeta para o futuro da cidade nos próximos anos?

Luizão – Eu acredito piamente nessa cidade, no seu potencial. Eu tenho um carinho muito especial por Rondonópolis. Eu estou preocupado com a cidade e não estou sozinho. Na próxima (campanha) política vai ser diferente. Não só eu como outros empresários que gostam daqui nos acovardamos e deixamos para lá (nas últimas eleições). E quando as pessoas do bem não se manifestam, surgem esse tipo de liderança. Então, nós empresários, nós que gostamos daqui, temos uma parcela dessa culpa, mas eu posso te afirmar que vai mudar, pois todos estão sentindo na pele a inoperância e a omissão desse governo municipal para questões fundamentais que afligem a cidade. Nas próximas eleições, nós vamos unir todos os segmentos, indústria, comércio, entidades de classe em geral e apresentar uma opção, uma pessoa com o desprendimento necessário para administrar bem nossa cidade, pois, com certeza, Rondonópolis merece e nós estamos precisando de uma administração que resolva os problemas, não que fique empurrando com a barriga.

1 COMENTÁRIO

  1. Essa série de entrevistas do A TRIBUNA está uma coisa de doido: TODO MUNDO FALA A MESMA COISA! Um fala que a “cidade cresce sem critério”, outro fala que “não há gestão”! Honestamente, se fosse o Zé do Buraco, não saía de casa depois dessa! E se fosse o “Barba” esqueceria a ideia de sair pra governador… …ele quer o que? Fazer pelo Estado o que fez pela cidade, ou seja, ABSOLUTAMENTE NADA? Esses nossos representantes são uma vergonha! É um pior que o outro!

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