VISÃO HISTÓRICA
Praça dos Carreiros – Décadas de 50 a 80

Nos anos de 1970 e 1980, o espaço lateral da Praça dos Carreiros, Av. Marechal Rondon e quarteirão da D. Pedro II, foi local da segunda feira livre de Rondonópolis

Em 1950, neste contexto de mudanças e de exaltação de ânimos, Domingos de Lima sugeriu que aquele terreno baldio de 10.000 m² que se situava na parte mais isolada da cidade (no caso a Praça dos Carreiros), fosse referência para a divisão urbana e suburbana, além de ser um local ideal para promover a comercialização de produtos.
Segundo o IBGE: “A Praça dos Carreiros nasceu como local de encontros de viajantes e mascates para efetuarem trocas, vendas e encontros de negócios. Além do descanso, o terreno oferecia sombra para os viajantes, que chegavam a cavalo ou de mula, ali eles podiam soltar os animais, tendo em vista que nos anos de 1950 a praça era só um terreno com muitas árvores”, inclusive, uma figueira frondosa, ampla e fresca que convidava ao encontro e às vendas.
Nos anos de 1950 e 1960 “o espaço da praça tinha a função de congregar não só a população da cidade, mas a população de toda a região, à época caracterizada pela existência de inúmeras áreas de colonização”.
Nos anos de 1970 e 1980 o espaço lateral da Praça dos Carreiros, Av. Marechal Rondon e quarteirão da D. Pedro II foi local da segunda feira livre de Rondonópolis, que reunia os feirantes, que espalhavam suas mercadorias, e as famílias que aproveitavam para comprar alimentos, comer salgados e doces e bater aquele papo gostoso com os amigos e compadres.
Para “Zelito Sapateiro” (apelido de Joselito Pereira da Silva, em depoimento para o Jornal Folha Regional, dez. 2014), o ponto alto do crescimento de Rondonópolis começou com a feira da Praça dos Carreiros. Os feirantes vinham de vários lugares com suas mercadorias em carros de boi para serem vendidas aqui. Vinha gente de Poxoréo, Jarudore, Guiratinga, essas cidades eram cheias de pequenos produtores rurais. Muitos criavam bois, carneiros, porcos, galinhas e traziam para serem vendidos aqui. A feira na verdade era também um grande lugar de encontro de amigos e compadres, traziam-se as notícias das cidades vizinhas, e vice-versa. Laços, vínculos de grande amizade que se tornavam depois em festejados casamentos em nossa região. Zelito conclui, “com a feira da Praça dos Carreiros, descobriu-se a vocação de Rondonópolis para esse grande desenvolvimento que a cidade vive.”
A Praça dos Carreiros levou esse nome em homenagem aos “carreiros” (guias de carros de boi) importantes na História de Rondonópolis, e foi inaugurada no ano de 1982 na gestão do prefeito Valter de Souza Ulisséia. Desde o começo a praça chamou a atenção da população, não só pela localização e pela beleza de sua paisagem, mas por constituir-se em uma nova opção de passeio e lazer para todos. Os brinquedos para as crianças e as audições de música no coreto, aos domingos, que revelaram muitos cantores e duplas da cidade. Além das árvores, destacavam-se o espelho d’água e o local próprio construído para o hasteamento da bandeira – que brilhava mais do que nunca nos dias de desfile de 7 de setembro, quando a praça apinhada de gente cantava com emoção o hino nacional enquanto desfraldava aos quatro ventos o verde de nossa bandeira. Aquele lugar também por inúmeras vezes foi palanque para candidatos políticos locais. Enfim, a Praça dos Carreiros até o final dos anos 80 foi testemunha viva da vida social, política, econômica e cultural de Rondonópolis.

(*) Luci Léa Lopes Martins Tesoro, Doutora em História Social pela USP, autora do livro “Rondonópolis-MT: um entroncamento de mão única”. E-mail: lllmt@terra.com.br

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