Praça dos Carreiros – Década de 90 até hoje

Trata-se de um lugar que guarda a memória histórica de toda uma coletividade, uma vez que cresceu com a cidade

A Praça dos Carreiros em um registro no final da década de 90

Em 1987, o prefeito Carlos Bezerra promoveu mudanças na urbanização do espaço da praça voltada para a Av. Marechal Rondon e a reinaugura. A Praça dos Carreiros assume definitivamente a função de ser o terminal rodoviário urbano local. Afinal, deveriam ser priorizadas as necessidades de locomoção da população, que crescia rapidamente. Na época a ideia foi aplaudida e considerada um avanço de modernidade, uma vez que era uma tendência natural seguir o modelo das grandes cidades.
Contudo, em nenhum momento o poder público consultou a população a respeito da nova forma de uso da Praça dos Carreiros, praça que ficou com uma parte amputada e restrita a uma clientela de transeuntes que estão ali para pegar o coletivo, tomar um lanche, um café ou um suco, ou simplesmente transitar pelo local. Eles quase sempre não se importam em emporcalhar toda a via pública com papéis, garrafas e vários tipos de fedentinas, além de destruir o próprio símbolo da praça (o carro de boi), poluir o verde, além de quebrar os bancos de jardim e, até mesmo, mais recentemente, implodiram o caixa eletrônico da Caixa Econômica, construído de frente para a Av. Amazonas.
Por outro lado, a antiga praça perdeu a sua identidade, o seu valor de uso em detrimento do valor de troca – aos poucos foram destruídas as condições lúdicas que outrora fizeram daquele espaço físico o orgulho da comunidade, um verdadeiro cartão-postal, lindo de se ver.
A significação e o significado da antiga praça se perderam com o avanço do tempo, das mudanças sociais e econômicas, do descaso do poder público e da própria população, que adota uma postura de indiferença em relação aquele espaço, quando não piora ainda mais a situação.
Assim, a feira livre mudou-se para a Vila Aurora, o coreto emudeceu, o espelho d’água morreu e nunca mais se viu um hasteamento de bandeira. A praça ficou de lado, esquecida em total abandono: mal iluminada, suja, depredada, calçamento irregular e esburacado, árvores mal podadas, mato e lixo que proliferam por todos os cantos, além da presença de moradores de ruas, andarilhos e drogados que cercam o interior da praça e que tem no coreto o seu aconchego e abrigo (as fotos de ontem e de hoje falam por si).

(*) Luci Léa Lopes Martins Tesoro, Doutora em História Social pela USP, autora do livro “Rondonópolis-MT: um entroncamento de mão única”. E-mail: lllmt@terra.com.br

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