O que esperar do projeto para a Praça dos Carreiros?

O carro de boi original, símbolo de uma das praças mais tradicionais de Rondonópolis

A Praça dos Carreiros de Rondonópolis é um lugar que guarda a memória histórica de toda uma coletividade, uma vez que cresceu com a cidade. Ocorre, no entanto que ela está abandonada e sendo engolida ora, pela sanha do progresso a qualquer custo, ora pelo inconsequente desejo de “renovação visual” da cidade e sempre pelo descaso do poder público e parte da comunidade. E no meio desse emaranhado ecoam algumas vozes perdidas, pulverizadas, tendo bandeiras de lutas diferentes, mas com um propósito em comum: defender a praça enquanto patrimônio histórico a ser preservado.
Seja como for nós temos a obrigação de salvar a Praça dos Carreiros. Temos de chegar a um comum acordo (comunidade e poder público) e viabilizar um projeto com modelo urbanístico que possa conjugar as tendências modernas e antigas, com estrutura arquitetônica que garanta a segurança e a mobilidade dos frequentadores. Que seja um espaço lúdico de lazer para as crianças e lugar ideal para um bate papo de adultos; que tenha um espaço arborizado, florido, sempre verde, e pleno em iluminação. A manutenção frequente é condição “sine qua non” para a aprovação do projeto, bem como devem ser garantidas a existência e restauração dos símbolos que compuseram a praça quando de sua inauguração em 1982 – e entre eles está o coreto. Além do monumento construído recentemente na praça, eu sugiro outro: uma homenagem ao Migrante (pois os carreiros também são migrantes), uma vez que eles são os construtores e responsáveis pelo crescimento de nosso município. A modernidade será bem aceita com lanchonetes, bancas de revistas e livros, lojinhas e acessibilidade a Wi-Fi, e o que mais for necessário para harmonizar a praça e para torná-la um motivo de atração e de uso, enfim um espaço aberto aos moradores.
Para Ritter Moreira e Monteiro, em um projeto deve-se ter como premissa básica o fato de que “uma praça necessita ser permeável. Seus limites não podem ser barreiras físicas ou visuais: devem possuir portas e janelas voltadas para ela. Eles devem delimitar e configurar sem isolar, deve permitir o entrar e o sair, o passar através, o ver e ser visto o encontrar. Uma praça não pode ser um lugar composto de espaços cegos (aqueles para os quais nenhuma porta não se abre), sob a pena de vir a ser um espaço inútil.” – in: As diversas territorialidades da Praça dos Carreiro na cidade de Rondonópolis-MT (2014).
Nesses termos pode-se concluir que, o espaço público em cada momento histórico é representado por novas formas de uso, e assim ele assume novos tipos de papéis (De Angelis em Praças: história, usos e funções, 2005). Este é o caso da nossa Praça dos Carreiros, que diante de as novas demandas de crescimento da cidade ela grita por uma revitalização: um espaço bonito, acessível, interativo, de lazer, porém sem perder de vista sua identidade: a sua memória histórica.
Parabéns Rondonópolis pelos seus 64 anos de emancipação político-administrativa.

(*) Luci Léa Lopes Martins Tesoro, Doutora em História Social pela USP, autora do livro “Rondonópolis-MT: um entroncamento de mão única”. E-mail: lllmt@terra.com.br

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