Sem vistas grossas

Apesar de ser um problema comum, a morte por eventos adversos em hospitais ainda é um assunto pouco debatido e conhecido no Brasil. Geralmente, acaba sendo algo restrito aos bastidores das instituições de saúde, até para evitar processos judiciais.
Considera-se aqui morte por evento adverso situações como erro de dosagem ou aplicação de medicamentos, uso incorreto de equipamentos, infecção hospitalar (a mais conhecida), fraturas decorrentes de quedas ou traumatismos, entre outros problemas.
Esse assunto guardado a sete chaves foi alvo de um estudo inerente ao Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil, do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), produzido pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Os resultados da pesquisa foram publicados ontem pelo Jornal A TRIBUNA e são alarmantes. Relembrando: são 829 mortes de brasileiros todos os dias em decorrência de condições adquiridas nos hospitais, números maiores que os de morte por acidentes de trânsito e por mortes violentas.
O poder público e demais entidades representativas da sociedade não podem mais fazer vistas grossas a esse grave problema, devendo-se ter a coragem de encará-lo de frente, por meio de mais transparência e pesquisas mais amplas para quantificá-lo e identificá-lo oficialmente.
Tomara que esse estudo possa ser o pontapé para surgimento de políticas públicas para lidar de forma aberta e mais contundente com as mortes por eventos adversos em hospitais, que consomem R$ 10,9 milhões de recursos. Assim, mais ações e medidas são necessárias para evitar e diminuir esse tipo de incidente.
Somente com um maior preparo das equipes de saúde muitas mortes em decorrência de condições adquiridas em hospitais poderiam ser evitadas. O importante é não fazer vista grossa para essa problemática, mas colocá-la em pauta para que se tenha indicadores de qualidade mais claros e conhecidos de todos.
Além disso, não podemos esquecer que outra quantia muito grande de brasileiros perece por não encontrar vagas, serviços, atendimento ou estrutura disponíveis no sistema de saúde público. Essa já é uma parcela de vítimas conhecida no sistema hospitalar, mas que mesmo assim pouca coisa tem-se feito para revertê-la.
O importante é que não podemos nos conformar e acomodar diante desse quadro caótico!

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