O grito do mudo

Escala para o infinito, sobe com o vento.
Desde cima podes ver a luz e o tempo.
Agora desce e olha de cá para lá.
Não vendo nada podes então voltar.
Aqui o cheiro é de pavor, de dor.
O sentimento se descreve em trevas.
E o que dizer da paz que o futuro nega?
Afogou na ganância do homem terreno.
Que busca no fogo alívio e segurança.
Vendendo sua sombra como fiança.
E não podendo pagar cala qualquer voz.
O silêncio que jaz no depósito sepulcral.
Grito surdo e mudo clamando por justiça.
A voz que fala é odor podre da terra.
Que brota sem som e sem fruto.
O mundo, o mudo e a vida igual a luto.

(*) Jorge Manoel é jornalista, intérpetre de libras e poeta nas horas vagas

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