Urge o respeito ao trabalho da creche

A primeira infância é de suma importância na vida de nossas crianças, e essa fase vem como uma complementação às atribuições da família no atendimento à educação, à saúde, à alimentação, à higiene, ao afeto, às interações, às brincadeiras, entre outros.
Na creche procuramos sempre disponibilizar um espaço amplamente estimulante, educativo, seguro e afetivo. Oferecemos também um cotidiano rico e diversificado de situações de aprendizagem planejadas para desenvolver linguagens e emoções, além de estabelecermos os pilares básicos para o pensamento autônomo.
Tentamos, ainda na creche, trabalhar toda a plenitude da criança em seus aspectos motores, cognitivos, afetivos e sociais – e, ao mesmo tempo, proporcionar à mesma um trabalho pedagógico de excelente qualidade.
Ao iniciar pela primeira vez na creche e ao sabermos quão grande sacrifício é para a criança separar-se da família pela primeira vez, priorizamos em fazer com que se sinta bem. Atendemos as diferenças individuais e a identidade de cada uma. Estimulamos a se conhecer, a compreender o outro e também a se fazer compreender; além de tudo isso, nos capacitamos para ofertar o melhor de nós, e sempre estamos nos atualizando por meio de cursos e formações contínuas.
E, assim, é muito triste para nós – educadores – ouvirmos pessoas, famílias e pais das nossas crianças criticando o trabalho oferecido nas Unidades de Educação Infantil. É muito comum e deprimente esse tipo de comentário: “… Nossa, meu filho (a) estava tão bem de saúde, foi só frequentar a creche que vive doente, de médico em médico, à base de remédios…”
E, quando acontecem as mordidas, sabemos muito bem que fazem parte do cotidiano infantil, que muitas vezes é o ‘meio’ de comunicação, de defesa e de descobertas. “… Nossa, como pode? Não cuidam, veem os coleguinhas mordendo e não fazem nada, não socorrem”.
Quando caem e se machucam em casa é normal, na creche é descuido/irresponsabilidade. E observamos que muitas vezes a família tem apenas um filho (a) e acidentes naturalmente acontecem, agora imagina na creche que atendemos uma média de 26 (vinte e seis) crianças.
Por que será que muitas pessoas não entendem que quando a criança inicia na educação infantil fica mais suscetível a ficar gripada, a contrair viroses e ter quadro de diarreias? Na realidade não são doenças graves, e sim infecções típicas e comuns da infância e que, conforme a criança cresce e desenvolve, o seu sistema imunológico vai se tornando mais forte e o ritmo de doenças, desaparecendo.
As pessoas deveriam ter o mínimo de discernimento racional para ver a creche e seus profissionais como verdadeiros parceiros no desenvolvimento integral dos seus filhos, pois todos colaboram – e muito – para as interações entre as crianças, além de estimularem o desenvolvimento motor, despertarem a curiosidade e a autonomia, realizando propostas pedagógicas que venham contribuir enormemente para a formação pedagógica de toda criança.
É isso que esperamos da sociedade, esta valorização que não temos, porque, afinal, trabalhamos por amor pois todos sabem que o salário – nem de muito longe – atende nossas mínimas perspectivas.

(*) Clarice Rodrigues Santana, Débora Aparecida Santos França, Kédma Macêdo Mendonça e Sibele Silva Leal, pedagogas, são professoras na rede municipal de Rondonópolis.

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