EM PRISÃO PREVENTIVA
Nuzman renuncia à presidência do COB

Com a renúncia, assumiu o vice-presidente Paulo Wanderley; assembleia deliberou pela reforma do estatuto

Carlos Arthur Nuzman estava na presidência do COB há cerca de 22 anos – Foto: Arquivo/Tomaz Silva/Agência Brasil

O presidente do Comitê Olimpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, renunciou ao cargo ontem (11), durante assembleia extraordinária realizada no período da tarde pela entidade. A carta de renúncia foi lida pelo advogado de Nuzman, Sergio Mazzillo, durante a assembleia do COB.
Nuzman afirmou que vai se dedicar integralmente ao exercício de seu direito de defesa. “Reitero a minha completa exoneração de qualquer responsabilidade pelos atos a mim injustamente imputados, os quais serão devidamente combatidos pelos meios legais adequados”, diz o ex-presidente do COB no texto lido pelo advogado. Ele estava na presidência do COB há cerca de 22 anos.
A assembleia havia sido convocada para debater outra carta de Nuzman, divulgada na semana passada, na qual ele pedia afastamento da presidência. Com a renúncia, assumiu o vice-presidente Paulo Wanderley.
A assembleia deliberou também pela reforma do estatuto. O teor das mudanças ainda será definido. Uma comissão foi criada para ouvir diversos setores interessados e apresentar uma proposta em 45 dias.
Dos 30 presidentes de confederações nacionais esportivas aptos a votar, 28 estiveram presentes. Também tinham direito a voto oito membros natos escolhidos pela assembleia, um integrante do Comitê Olímpico Internacional (COI) e um representante dos atletas, o judoca Tiago Camilo.
Nuzman e o ex-diretor-geral da Rio 2016 Leonardo Gryner foram presos temporariamente no dia 5 de outubro. Ambos são investigados pela Polícia Federal (PF) na Operação Unfair Play – Segundo Tempo, um desdobramento da Unfair Play, que revelou a compra de votos para a escolha do Rio de Janeiro como sede olímpica de 2016. Nuzman é apontado como responsável pelo pagamento de propina a membros do Comite Olímpico Internacional (COI).
Em setembro, Nuzman já havia sido encaminhado à delegacia para prestar depoimento na operação Unfair Play e, na ocasião, exerceu o direito de permanecer em silêncio.
Nuzman e Gryner seriam soltos na segunda-feira passada (9), mas o juiz Marcelo Bretas acatou o pedido do Ministério Público Federal (MPF) e transformou as duas prisões temporárias em preventivas. Sendo assim, não há mais prazo para que eles sejam colocados em liberdade, o que só ocorrerá por nova decisão judicial.
ATLETAS PROTESTAM
Do lado de fora da sede do COB, atletas e ex-atletas protestaram com cartazes e palavras de ordem pedindo “diretas, já” na entidade. Eles defendem uma reforma no estatuto que dê direito de voto a todos os atletas brasileiros.
SEGUE PRESO
Carlos Arthur Nuzman vai seguir preso. A defesa do ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil teve negada liminar no início da noite de ontem e assim o dirigente irá seguir na penitenciária em Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Mais cedo, a Justiça também indeferiu a primeira medida impetrada pela defesa de Nuzman, que contestava os procedimentos adotados pelo Ministério Público Federal na Operação Unfair Play.

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