A saúde voltando para a UTI

Estamos vivenciando dias extremamente angustiantes para a saúde pública do Estado de Mato Grosso. São grandes as manifestações que demonstram que o sistema de saúde chegou ao limite, e maiores ainda os desafios para aqueles que precisam do Sistema Único de Saúde (SUS). No próximo dia 31 de outubro, a empresa que presta o serviço home care para o Estado deve deixar de atender seus últimos 16 pacientes em Rondonópolis, por falta de pagamento.
Não bastasse essa crueldade com pacientes em situações críticas e com familiares que não vão ter condições de cuidar dos mesmos, a população recebe mais uma informação angustiante: por falta de dinheiro, as Unidades de Terapia Intensiva da Santa Casa podem fechar. Até mesmo a ala de UTI pediátrica, que a sociedade se envolveu para cobrar e depois de muita luta e muitas crianças terem perdido a vida por falta dos leitos, foi inaugurada com pompas pelo governador Pedro Taques… Até mesmo essas UTIs, que estão funcionando há pouco mais de um ano, podem parar de atender. É a falência total de uma gestão que prometeu transformar, mas ofereceu apenas mais do mesmo… Se a vida de crianças não é prioridade, o que mais pode ser?
A Santa Casa, um hospital filantrópico, não recebe recursos do Estado desde junho. Sendo assim, salários de médicos, fisioterapeutas e fonoaudiólogos estão atrasados há quase quatro meses. A Santa Casa tem a receber aproximadamente R$ 5 milhões do Governo. Com isso, o corpo clínico realiza no próximo dia 25 uma assembleia, que deve desencadear uma nova paralisação no hospital. Se as anteriores já causaram muitos transtornos, com suspensão de atendimentos para grávidas em risco, suspensão de cirurgias e procedimentos cardíacos, desta vez a informação de que as UTIs também podem fechar aflige a todos.
Você já imaginou o que é chegar num hospital, sabendo que seu ente querido tem uma chance de sobreviver, e receber uma resposta que não tem uma vaga na UTI? Muita gente já passou por isso em Rondonópolis, e pode voltar a passar se nada for feito. O mais triste é saber que o atual gestor do Estado tem conhecimento da situação, está sempre alegando uma crise, e designou para a Secretaria de Estado de Saúde um secretário que simplesmente não está abrindo diálogo com ninguém. A vida importa, caso os detentores do poder tenham se esquecido disso.

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