Os vendedores ambulantes e os artistas de semáforo

Eleri cabecalho

19/09/2017 – Nº 471 – Ano 11

Na nossa cidade, como em muitas outras, temos duas situações que evidenciam a existência de problemas estruturais graves de cidade grande, mesmo que sejamos apenas uma pretensa cidade média: os vendedores ambulantes e os artistas de semáforo.

Os vendedores ambulantes sempre existiram, havendo muitos tipos deles. É uma espécie que se multiplica em momentos de crise, principalmente em regiões ou cidades cujo desenvolvimento socioeconômico é desigual. Falando de outro jeito, existem em todo lugar, aumenta quando a crise aperta e há mais em regiões ou cidades pobres.

No início da instituição do comércio, era o que havia, dada a pouca regulação da época. Mas desde que o homem aprendeu a organizar esse comércio, e as atividades econômicas se tornaram reguladas pelo Estado, ou pela Igreja, quando ela também era o Estado, os ambulantes se tornaram uma classe non grata pelos demais, embora tenham conseguido subsistir.

Nesse momento não me refiro aos ambulantes dos estádios, nas feiras ou festivais. Aqueles que vendem bebidas e toda sorte de alimentos nesses eventos e que de certo modo têm sua contribuição, mas que são momentos pontuais. Inofensivos.

O que não parece adequado ao desenvolvimento urbano e justo para com as demais atividades econômicas são os vendedores que se instalam nas calçadas com carros e até caminhões. Sou inclusive reticente aos carrinhos de lanche que na essência atrapalham o trânsito e as operações das lanchonetes devidamente instaladas.

Esses das calçadas especificamente, atrapalham os transeuntes, vendem produtos dos mais diversos, oriundos de empresas de outras cidades, sem retornar impostos. Impostos que são o único meio de arrecadação para fazer a nossa cidade melhor.

Apenas a fiscalização eficaz, o cadastramento detalhado na chegada, o monitoramento constante e principalmente ações de inclusão, podem inibir essa prática, que ao não ter controle é danosa para a sociedade como um todo.

Já temos o shopping popular que tem seus benefícios exclusivos, mas pode ser aceitável já que movimenta a economia local. Não há motivos para permitir pessoas de fora levar nosso dinheiro sem deixar retorno.

Os artistas de semáforo também são uma espécie que surge do nada. Ninguém sabe quem são, de onde vem e o que fazem fora dessa atividade mambembe. Hoje fazem malabarismos nos sinais de trânsito e pedem contribuição voluntária.

Mas já há os que vendem verduras, bolachas, balas, revistas e outros produtos. O mercado, sendo profícuo e não repreendido pela sociedade, evolui. Sem controle, não se sabe para onde evolui. Por isso não contribuo, e não compro em hipótese alguma, a não ser que seja oriunda de alguma empresa local.

Já temos semáforos em que parar o carro ficou temeroso, porque há pressão para o pagamento (deixou de ser voluntário) e ao invés dos inocentes malabarismos é pedido esmola, com veemência, sinais de embriagues ou de uso de droga ilícita. Falta pouco para termos serviços de limpeza de para-brisa e vendas de drogas nesses locais.

Acho que está na hora da prefeitura se dar conta dessa situação e entender de que é necessário intervir e deixar de fazer de conta que são invisíveis ou inócuos para a sociedade. Não vamos esperar nossa cidade virar um comércio a céu aberto para então querer reparar. Vamos fazer isso enquanto o problema é pequeno e reparável.

Até a próxima.

(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É professor, workshopper e palestrante – contato@elerihamer.com.br.

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