Vamos ser felizes e fazer a diferença

Luci lea foto face - 17-08-17 fotoConcordo com Dom Roberto Francisco Ferreira Paz – Bispo de Campos (RJ) quando diz que a salvação da humanidade e o futuro do planeta Terra passam pela proteção, salvaguarda e desenvolvimento integral da família, como comunidade de amor, centrada nos vínculos mais nobres e mais plenamente humanos. Todavia, os tempos mudaram: Hoje a maioria das crianças e adolescentes não encontra em casa a figura de autoridade, que é um elemento fundamental para o seu crescimento. Ao mesmo tempo, as famílias não são o que eram antes, a saber, um núcleo amplo e seguro.
MODERNIDADE E AUTORIDADE DOS PAIS – As crianças e adolescentes de hoje são guiadas pela modernidade tecnológica, e  esta gera grande número de  mudanças que propõem padrões de dificuldades aos pais. A família não dá conta de resolver tais desafios e  de satisfazer a contento  o equilíbrio e  a harmonia que se deseja para a família cristã, humana e feliz. De outro lado, à medida em que os pais pretendem  ser modernos,  eles encontram uma difícil tarefa ao tentar equilibrar a própria autoridade com a independência dada a seus filhos. Nesses termos, se estabelece o conflito familiar, principalmente porque os limites dados nem sempre são aceitos ou regiamente cumpridos e, em contrapartida,  os pais ainda passam por babacas no entender de seus  próprios filhos.
Para Rutherford, o aumento da importância do individualismo na cultura ocidental transparece na educação. Como também transparece na educação: o consumismo, as relações descartáveis, a falta de diálogo, de valores e de princípios éticos. Para o filósofo Fernando Savater os pais continuam a “não querer assumir qualquer autoridade”, preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos “seja alegre” e sem conflitos, e empurram o papel de disciplinar quase exclusivamente para os professores.
No entanto, quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, os próprios pais e mães batem de frente com os docentes e o confronto se estabelece.  O fato é que, quando os pais deixam correr as rédeas soltas em casa, os filhos partem para a busca de outros caminhos, ou seja, os contra educadores de plantão: o traficante, a garota de programa, a casa de massagem, a boca de fumo, o consumismo, as formas pervertidas de sexualidade, entre outros descaminhos.
CONSUMISMO x EDUCAÇÃO – As características da tecnologia avançada provocam mudanças de toda ordem:  músicas, danças, costumes, modas e gostos, além de que impõe modismos principalmente no dia a dia de crianças e adolescentes. Hoje eles só amam jogos de videogame, tablet e o inseparável companheiro, o celular – ultra moderno – , onde permanecem conectados  quase 24 horas na Internet. Eles ficam ininterruptamente a navegar nas redes sociais transitando entre  jogos e aplicativos. Assim, passam o seu tempo, jogando,  ouvindo música, assistindo vídeos ou teclando  mensagens; dificilmente estudam,  é óbvio.
Por outro lado, os próprios pais acham natural entreter seus pequenos com tablet, que numa sucessão de desenhos e músicas servem de babas eletrônicas e os deixam “tranquilos” e imóveis por algum tempo. Além do que, os pais acreditam que para seu filho ser feliz ele precisa ter brinquedos eletrônicos de última geração, tênis caríssimos, roupas e acessórios de grife,.etc.
Concordo com a psicóloga Ivonete Rosa quando afirma sobre o que deve ser fundamental na vida das crianças: ”Na realidade o fundamental é que as crianças precisam de afeto, de contato físico, de brincadeiras que estimulem a criatividade e a interatividade. As crianças necessitam de pais apaixonados por elas, não de um tablet que acabou de lançar. De nada adiantará enchermos os quartos dos nossos pequenos de brinquedos importados, se não temos tempo, capacidade ou interesse em sentar em sua cama e ler uma história para elas”. O afeto, o carinho, a atenção, enfim o amor não  custam dinheiro e são o bens mais preciosos que podemos ofertar às nossas crianças e adolescentes. Ivonete Rosa conclui: Uma pessoa que não recebeu afeto na infância experimentará uma sensação de vazio interior que nada poderá suprir.
Dessa maneira, a geração de gênios modernos online está longe de ser feliz como as crianças e adolescentes de gerações anteriores. “A geração atual de crianças são mestres em tecnologia, mas não tem o simples e gostoso da vida, que é brincar!” (Lisiane Eckhardt)
VAMOS BRINCAR – As crianças e adolescentes de hoje estão preocupados com a aparência, com a moda e os modismos e acham careta os costumes, os valores e os princípios que envolvem a disciplina; enfim os tempos são outros. Antes, as meninas brincavam de pular corda, passear com suas bonecas, elas achavam graça em brincar de casinha, de passar o anel, brincadeira da  amarelinha, de roda. Os meninos preferiam andar de bicicleta, de jogar bola, de disputas de bolinha de gude, de emocionantes corridas nos carrinhos de rolimãs. Havia as  brincadeiras comuns a todos : corrida do ovo na colher, brincar de cabo de guerra,  de  Morto-Vivo, de escravos de Jó, do jogo das cinco pedrinhas, brincar de pula sela, de cabra cega, de corrida de sacos, de Esconde –Esconde; ou  jogar Beth e  queimada em frente de casa. Havia ainda os jogos de tabuleiro: dama, trilha, pega varetas e alguns chegavam até a experimentar o xadrez. A vantagem desses jogos é que praticamente independe de gastos, além do que estimulam o raciocínio, a lógica, o equilíbrio, o desenvolvimento motor e a capacidade de fazer amigos.
Então, papai e mamãe: aproveite o feriado, as férias ou marque um final de semana para brincar com seus filhos ao ar livre e reviver essas antigas brincadeiras. O resultado é que a família como um todo se  sentira mais unida, livre, leve, solta, feliz e ansiosa por um novo programa. Pais partilhem com seus filhos os vídeos games, falem claramente sobre o que é a internet, e mantenham sobre eles uma liberdade vigiada, para evitar supostas surpresas futuras.
Pais deixem seu filho brincar na sala e se divirtam com ele; coloquem um computador com internet na sala de TV, assim, toda a família ficará junta na hora da diversão ou do estudo. Principalmente, lhe  ensine que o diálogo é uma ferramenta que abre as portas do céu, enquanto o silêncio total nos leva ao inferno do egoísmo e da solidão.  Ou seja, dialoguem o máximo que puderem e muitas portas se abrirão.
Enfim, ”Nós não podemos ter medo de ser felizes”, disse o Papa Francisco em sua última  viagem ao Brasil:”; e ele conclui: “A felicidade reside no valor das coisas simples e pequenas”.  Simples assim…..Vamos tentar fazer a diferença?

(*) Professora Doutora Luci Léa Lopes Martins Tesoro, Membro da Diocese de Rondonópolis-Guiratinga

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