DELAÇÃO PREMIADA
Silval diz que ele e Maggi pagaram para Éder mudar depoimento

O valor acertado, segundo consta na delação premiada do ex-governador Silval Barbosa, foi de R$ 6 milhões

Silval Barbosa envolve Blairo Maggi em esquema de corrupção - Foto: Arquivo

Silval Barbosa envolve Blairo Maggi em esquema de corrupção – Foto: Arquivo

Em depoimento de delação premiada, conforme divulgou o “Jornal Nacional” na noite de ontem, o ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) acusou o também ex-governador e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), de participar de um suposto esquema de corrupção no estado. A delação premiada de Silval Barbosa foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última quarta-feira (9).
O ex-governador revelou à Procuradoria Geral da República como funcionava um esquema de corrupção no estado. Barbosa foi vice-governador à época em que Maggi governava o estado, entre 2003 e 2010. Depois, em 2011, foi eleito para suceder o atual ministro da Agricultura. Entre as acusações contra Blairo Maggi, o peemedebista afirmou que o ministro fez pagamento ao ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso Éder Moraes, para que ele mudasse um depoimento a fim de inocentar Blairo.
DELAÇÃO
Aos procuradores, Silval Barbosa disse que primeiro, Morais denunciou ao Ministério Público que os dois ex-governadores sabiam de compra de vagas no Tribunal de Contas do estado. E que ele, Éder, queria assumir uma delas. Na delação, Silval disse que, depois deste depoimento, o ex-secretário de Fazenda os procurou e pediu R$ 12 milhões para voltar atrás no que havia dito ao Ministério Público.
Segundo o ex-governador, tanto ele quanto Maggi aceitaram pagar para que ele mudasse o depoimento, mas que o valor seria menor, de R$ 6 milhões – R$ 3 milhões para cada um. Silval Barbosa narrou na delação que a parte de Blairo Maggi foi entregue ao ex-secretário por uma pessoa chamada Gustavo Capilé, ligada ao ministro. Disse ainda que o próprio Blairo confirmou que o pagamento foi feito em dinheiro vivo, entre 2014 e 2015.
O delator confessou também que a sua parte do pagamento também foi entregue a Moraes. O repasse foi feito, segundo Silval, em duas parcelas: a primeira, em dinheiro vivo, teria sido levada pelo então chefe de gabinete dele, Sílvio Cesar Corrêa Araújo. A segunda parte, de acordo com Barbosa, foi paga mediante a quitação de uma dívida de Éder, de R$ 800 mil.
MUDANÇA DE VERSÃO
O ex-secretário de Fazenda do estado, de fato, mudou a versão que contou ao Ministério Público. No primeiro depoimento, em 24 de março de 2014, ele havia dito que em 2009 falou com Silval e Blairo que queria comprar uma vaga no Tribunal de Contas do estado. “Muito embora não tivessem falado sobre os valores, nas palavras do próprio Éder Moraes, ‘todos naquele ambiente sabiam que as vagas seriam negociadas em valores consideráveis’”, diz trecho do termo de declaração daquela data.
Já em janeiro de 2015 – depois dos pagamentos relatados na delação – Éder deu uma entrevista e disse que havia mentido no depoimento anterior.
“Eu estava extremamente tomado pela emoção, de não ter sido atendido num pedido de uma escolha para então ocupar uma vaga no Tribunal de Contas do estado de Mato Grosso, qualificado que eu era pra essa função e que, politicamente, praticamente me nomearam e depois me tiraram essa vaga. Então todo esse contexto fez com que eu ali colocasse algumas palavras que eu depois me retratei sobre todas elas”, disse na entrevista. A PGR também registrou que Éder retratou-se do seu depoimento neste ponto.
A mudança de versão, que Silval Barbosa diz ter sido comprada por R$ 6 milhões, foi um dos motivos que levaram o Ministério Público a pedir o arquivamento do caso que investigava a participação de Blairo Maggi.
Em maio de 2016, após o pedido, o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli arquivou o inquérito. Agora, com a revelação do ex-governador de que a mudança na versão de Éder Moraes teria sido comprada com propina, novos inquéritos para investigar o ministro podem ser abertos, ou até mesmo o inquérito arquivado pode ser reaberto.
OUTROS PONTOS
Na da delação, Silval também citou repasse de R$ 4 milhões ao deputado federal Carlos Bezerra (PMDB-MT), pra que apoiasse uma candidatura à Prefeitura de Cuiabá. Ele também falou de pagamento de propina ao senador Wellington Fagundes (PR-MT). Sem citar valores, Silval afirmou ter autorizado repassar parte dos pagamentos de construtoras de um programa de pavimentação para o senador e que também houve quitação ilegal de dívidas de campanha dele.
O deputado Carlos Bezerra afirmou que o pagamento citado pelo ex-governador “não tem nenhum fundamento”, uma vez que quem trata de campanhas a prefeituras é o diretório municipal, e ele faz parte do diretório estadual do partido.
O senador Wellington Fagundes declarou que desconhece o teor das afirmações do ex-governador à justiça e que irá se posicionar quando tiver acesso à delação premiada. Destacou também que todas as doações recebidas para campanha constam em prestação de contas devidamente aprovada pela Justiça Eleitoral.
Em nota, o ministro Blairo Maggi afirmou, por meio de sua assessoria, que nunca agiu ou autorizou ninguém a agir de forma ilícita dentro do governo ou para obstruir a justiça. Afirmou, ainda, que não fez e nem autorizou pagamentos a Éder Moraes.
Blairo disse também que jamais autorizou meios ilícitos na sua vida pública ou em suas empresas. Ele lamentou ataques à sua reputação e afirmou que está com a consciência tranquila sobre suas ações.
“FÁBRICA DE VERSÕES”
Ainda, por meio das redes sociais, o ministro da Agricultura se manifestou: “Tenho dito! Cada dia é um leão para matar. Quem viu o JN hoje [ontem] sabe que este é mais um, fiquem tranquilos, eu estou absolutamente seguro sei o que fiz e faço. Isso não vai me desestabilizar no trabalho que faço para ajudar o Brasil a sair da crise. Sei que estou numa linha de tiro que não é minha particular, mas da vida polÍtica.  Banalizaram a delação no Brasil, que se tornou fábrica de versões”.

1 comentário

  1. Entre deuses e demônios, tapas e beijos.

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