Quando ser igual pode ser ruim

Eleri cabecalho

22/08/2017 – Nº 467 – Ano 11

Muitas vezes queremos ser melhores que os outros, outras vezes ficamos felizes quando conseguimos ser iguais e ainda há momentos em que não queremos (e nem deveremos) nos igualar a ninguém. Parece frase de livro de autoajuda, mas outro dia, ao analisar a história de uma startup percebi que na prática, é algo que transcende a questão pessoal e frequentemente passa para o ambiente empresarial.

As empresas, no seu processo de desenvolvimento, também precisam tomar decisões que muitas vezes mexem ou colocam em cheque sua filosofia, bem como suas crenças e valores. A maioria das empresas quando nascem, se apoiam fazendo benchmarking com outras já estabelecidas. Normalmente as maiores ou aquelas que já percorreram uma determinada trajetória com sucesso. Ou ainda com as que se apresentam como referência na área e/ou no mercado em que se pretende atuar.

Contudo, é importante destacar que cada startup também tem como desafio apresentar diferenciais capazes de se inserir nesse mercado. O que de pronto não é tarefa muito fácil embora a vontade seja grande. Justamente porque os diferenciais devem ser efetivos, percebidos naturalmente e o mais rapidamente pelos clientes. Não devem ser diferenciais hipotéticos ou genéricos, como qualidade, atendimento diferenciado e outros comuns de se ver nos argumentos dos comerciais. Sem que possam efetivamente agregar valor para o cliente.

Vale a pena perguntar, o que é na prática um atendimento efetivamente diferenciado, por exemplo? Para ter isso como diferencial competitivo há um árduo trabalho a se fazer e demora algum tempo para o mercado percebê-lo. Ademais, frequentemente não há mesmo possibilidade de competir por preço e há necessidade de arrumar outros diferenciais, posicionando-se por outro atributo. Qualidade de produto, de processo ou mesmo de atendimento, dentre outros.

Como complemento ao que foi dito no início do texto, não só queremos, mas devemos ser melhores (ou no mínimo iguais) que os demais, se quisermos permanecer no mercado. Ocorre que essa tarefa é árdua e algumas vezes as empresas vencem se equilibrando até atingirem relativa maturidade, quando imaginam que podem agora fazer frente às demais, igualando-se a elas. Esse fato muitas vezes coincide com o alcance da capacidade para também competir por preço. É aí que toda a sua filosofia e valores pode cair por terra e ser desmantelada, já que normalmente as duas virtudes (qualidade e preço) são difíceis de compatibilizar. É o momento em que talvez o melhor a fazer é exatamente não tentar se igualar aos que já estão no mercado.

Interessante que o ambiente tenta a todo instante nos corromper do caminho escolhido. Surgem novas e diferentes oportunidades, mas que notadamente nos requerem abandonar determinadas convicções. Muitas dessas que justamente nos permitiram abrir espaço no mercado e chegar até aqui. Temos nossas crenças e baseado nelas as empresas são posicionadas, mas no caminho, muitas vezes na esperança de ampliar nossa inserção no mercado, acabamos por abandoná-las.

Por isso, ao mesmo tempo que devemos ser flexíveis e capazes de adaptar-se rapidamente às mudanças do mercado, devemos obedecer nossas convicções basilares, que emprestam segurança e norteiam nosso caminho. Muitas vezes não precisamos e nem devemos nos igualar.

Até a próxima.

(*) Eleri Hamer escreve esta coluna às terças-feiras. É professor, workshopper e palestrante – contato@elerihamer.com.br

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