Mídia e infância: a reflexão sobre os desenhos animados

Com o avanço tecnológico e o seu acesso amplamente disponível, facilmente nos deparamos com crianças dominando o uso dos mesmos, entre jogos, aplicativos e outros diversos entretenimentos acessados, comum é o contato aos mais diversos tipos de desenhos animados. Em alguns casos, a relação se inicia desde muito cedo, dado que não raro presenciamos pais que se utilizam dos desenhos animados como ‘babá eletrônica’. Do mesmo modo o estabelecimento desse vínculo conduz tornando-se algo habitual, super heróis e personagens infantis estão presentes de alguma forma no cotidiano de muitas crianças.
Refletindo sobre isso, como mães e educadoras, buscamos entender o quanto e como os desenhos animados e seus conteúdos podem influenciar na vida de nossas crianças e em seu processo de constituição. Pensando nisso, é que nos propomos a expor algumas pontuações que possam despertar para que outros pais e educadores reflitam e busquem aprofundar seus conhecimentos sobre tais meios, visto o quão natural é a inserção dessa mídia atualmente.
Não posicionaremos as influências dos desenhos animados de modo determinante de comportamentos e condutas, pois isso desconsideraria todo o processo de desenvolvimento biopsicossocial da criança. Porém, considerando o fato de que a criança, consciente ou inconscientemente, reproduz e imita acontecimentos que vivencia e presencia, é necessário o estabelecimento de diálogos e constantes observações e contextualizações sobre aquilo que os pequenos estão a acompanhar, para que a experiência imaginativa seja a mais plena possível.
Evidencia-se que o vínculo com aos desenhos animados dá-se pela ancoragem no imaginário, onde buscam através da ludicidade e aspectos atrativos conquistarem a atenção, constituindo-se em um jogo simbólico para a criança, onde nessa estreita ligação a criança relaciona-se com os fatos e acontecimentos visualizados. A criança é receptiva das mensagens veiculadas, ela compreende e recria de acordo com suas experiências e realidade, em um processo de troca de conhecimentos, incorporando o que vê e ouve de maneira criativa, retirando o que lhe interessa naquele momento e reorganizando em suas brincadeiras e interações com seus pares. O desenho animado torna-se um meio que enrique a imaginação e o faz de conta, alimentando o imaginário infantil através da fantasia.
Diante disso, o que pretendemos ponderar são sobre quais desenhos animados as crianças estão a contemplar, os seus conteúdos e principalmente a apropriação exposta pela criança. O cuidado com desenhos que manifestem excesso de violência, características agressivas ou com qualquer aspecto negativo, necessitam da observação ativa do adulto, que intermediara conscientizando a criança e utilizando diálogos sobre tais atitudes. Fatores como o tempo que a criança passa assistindo a mídia e a maneira que ocorre a mediação no cotidiano da criança também são extremamente relevantes. É imprescindível que desde a infância se proponha a reflexão sobre tudo aquilo presenciado, utilizando situações que muitas vezes são consideradas corriqueiras, como os desenhos animados.
Assim, percebemos que o essencial é que ocorra o acompanhamento e compreensão dos pais sobre aquilo que seus filhos estejam assistindo. Faz-se necessário que os pais ou responsáveis estejam mais atentos e ativos, não somente em relação ao que se propôs abordar, mas principalmente nas fases de desenvolvimento, experiências e manifestações comportamentais expressas pelas suas crianças, presente em todos esses momentos e sempre que necessários intervir através de diálogos que provocam a reflexão, possibilitando o desenvolvimento de indivíduos críticos e conscientes.

(*) Lhays Ingryd Soares Leite, Graduada em Licenciatura Plena – Pedagogia. Pós-graduada em Docência na Educação Infantil e anos iniciais. Graduanda em Psicopedagogia Clinica e Institucional. Professora da educação infantil na rede municipal de Rondonópolis

(*) Luciene Teodoro das Chagas Passos, Graduada em Pedagogia e Letras – Habilitação em Língua Portuguesa e Literatura de Língua Portuguesa. Pós-graduada em Psicopedagogia Clínica e institucional. Professora de educação infantil na rede municipal de Rondonópolis

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