100 anos de Roberto Campos

onofre-ribeiroNa segunda-feira, 17 de abril, o ex-senador por Mato Grosso (1983 a 1990), completaria 100 anos se estivesse vivo. Ao longo da sua vida sempre foi taxado de diversos rótulos pelas esquerdas brasileiras. Contra elas Roberto Campos sempre atirou pesado e elas nunca souberam defender-se das suas balas de canhão. Intelectual respeitado no mundo inteiro, no Brasil sofria ataques temperamentais de pouca consistência contra os quais nunca gastou tempo discutindo.
Antes de colocá-lo em Mato Grosso, gostaria de recordar algumas de suas frases duras ou mesmo cínicas. “A burrice não tem fronteiras ideológicas”. Ou “por amor ao passado o Brasil perdeu o presente, e comprometeu o futuro”. “Quando cheguei ao Congresso, queria fazer o bem. Hoje acho que o que dá para fazer é evitar o mal”. Por fim. “O mundo não será salvo pelos caridosos, mas pelos eficientes”. Sua história de vida e experiências está relatada no seu livro de memórias “Lanterna de Popa”, dois enormes volumes, editados em 2004.
Nasceu em Mato Grosso, mas foi embora criança. Formou-se em economia e ocupou ministérios no governo Castello Branco, em 1964. Visão futurista num país rural preso a tradições coronelescas da Velha República (1889-1930). Em 1982 o regime militar precisava dar um up-grade de apoio econômico no Congresso Nacional. A temática brasileira então eram econômica. Decidiu-se retirá-lo da função de embaixador do Brasil na Inglaterra e elegê-lo senador por Mato Grosso. A sua campanha eleitoral seguiu o rito de todas. Vestido com um safári bege rodou aquele Mato Grosso poeirento de 1982 pedindo votos.
Porém, antes de chegar à campanha ele levantou perto de U$ 500 milhões em financiamentos internacionais para obras no estado. Foram planejadas pelo governador Frederico Campos (1979-1983), executadas na gestão Júlio Campos (1983-1986). O governo federal tinha também os chamados “recursos a fundo perdido”. Eram doações.
O ministro da Fazenda, Delfim Netto, amigo pessoal de Roberto Campos, entupiu Mato Grosso de “fundos perdidos”. Foi o que salvou o empobrecido Mato Grosso depois da divisão de 1979. Com esses recursos obtidos em empréstimos internacionais mediados pelo embaixador e depois senador Roberto Campos e avalizados pelo governo federal, o governo estadual asfaltou trechos de três rodovias federais: BR-163, 158 e 070 na gestão Júlio Campos.
Posteriormente o governador Dante de Oliveira negociou com o governo federal aquelas dívidas porque o Estado não foi capaz de quitá-las no vencimento. Vencido o mandato de senador, desiludido politicamente com Mato Grosso, Roberto Campos elegeu-se deputado federal por dois mandatos pelo Rio de Janeiro. Hoje ele quase não é lembrado como embaixador e nem como senador mato-grossense.
Sua frase está atualíssima”: a burrice não tem fronteiras ideológicas”.

(*) Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso – onofreribeiro@onofreribeiro.com.br

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