Economia
Supersafra de grãos volta a movimentar alguns setores

Adelino Bissoni: “estamos tendo um benefício momentâneo, ainda não dá para colocar as contas em dia”

Adelino Bissoni: “estamos tendo um benefício momentâneo, ainda não dá para colocar as contas em dia”

Bruno Ciarini: “melhorou o cenário e o produtor se sente mais confiável em fazer investimentos”

Bruno Ciarini: “melhorou o cenário e o produtor se sente mais confiável em fazer investimentos”

Helmute Hollatz: “nós estamos nos preparando para esse cenário positivo; queremos atender a demanda projetada”

Helmute Hollatz: “nós estamos nos preparando para esse cenário positivo; queremos atender a demanda projetada”

Em Rondonópolis, setores como de máquinas e equipamentos agrícolas, transporte de cargas e construção civil esperam e já vem sentindo os bons reflexos oriundos das lavouras

Em Rondonópolis, setores como de máquinas e equipamentos agrícolas, transporte de cargas e construção civil esperam e já vem sentindo os bons reflexos oriundos das lavouras

A produtividade da safra é estimada em 55,06 sacas/ha, o que representa a maior produtividade de soja já registrada no Estado

Após dois anos de muita dificuldade, a supersafra de grãos que o estado de Mato Grosso está colhendo neste ano vem ajudando na oxigenação financeira de vários setores na região de Rondonópolis. Um dos pontos positivos é que a projeção de supersafra realmente vem se confirmando, com produtividades excelentes na cultura da soja. Agora é esperar que a safrinha de milho também repita o sucesso da safra de soja que vem chegando ao fim. Além dos produtores rurais, setores como de máquinas e equipamentos agrícolas, transporte de cargas e construção civil esperam e já vem sentindo os bons reflexos oriundos das lavouras.
Para se ter uma ideia, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apresenta dados mostrando que, dos 9,396 milhões de hectares plantados com soja nesta safra em Mato Grosso, 94,54% da área já havia sido colhida até esta sexta-feira (17/3). O clima foi considerado excelente para o desenvolvimento das lavouras e, no geral, também não impactou negativamente na colheita na maioria das regiões. A produtividade da safra é estimada em 55,06 sacas/ha, em média, o que representa a maior produtividade de soja já registrada no Estado. Assim, a produção da safra subiu para 31,04 milhões de toneladas.
SOCORRO NA ESTRADA
A safra cheia em 2017 vem ajudando a ressuscitar o segmento de transporte de cargas na região, que sofreu uma das suas maiores crises nos últimos anos. O empresário Adelino Bissoni, da Botuverá Transportes, explicou ao Jornal A TRIBUNA que essa supersafra trouxe, momentaneamente, um alívio ao setor, considerando os grandes prejuízos por falta de mercadorias no ano passado. Contudo, ele aponta que a realidade poderia estar melhor se não fosse a grande quantidade de caminhões de outras áreas atuando na nossa região e o fato de que o frete já começou a cair novamente, após cerca de 40 dias em um bom patamar.
Adelino Bissoni pondera que estão dando uma ênfase muito grande para essa safra cheia no Estado, mas é preciso cautela, pois aponta que a safrinha de milho, apesar de também estar indo muito bem até agora, ainda tem muito o que ocorrer até a sua colheita, seja na lavoura, seja em comercialização, preço e frete. “Estamos tendo um benefício momentâneo, ainda não dá para colocar as contas em dia. O ano passado foi muito difícil”, analisa. “A gente espera agora que o frete não caia tanto, que a indústria, a construção, o governo, outras atividades, voltem a normalidade, para termos uma normalidade de frete também”, acrescentou.
NEGÓCIOS NA CONSTRUÇÃO
Quem atua na construção civil de Rondonópolis, especialmente prédios de apartamentos, vê com boas expectativas de negócios os resultados da safra de grãos 2016/2017. Apesar de considerar ainda muito cedo para ter uma perspectiva muito positiva, o empresário Helmute Hollatz, da construtora Salas, atesta que o cenário atual nas lavouras não deixa de gerar ânimo. No caso da Salas, que atua na construção de prédios de apartamento, ele repassou que a empresa vem se preparando para essa perspectiva positiva, para atender a demanda projetada. Inclusive, atesta que já houve a abertura de um processo de busca por imóveis a título de investimento ou compradores visando a moradia.
No entanto, avaliando o setor da construção civil como um todo, Helmute diz que não há muito o que comemorar. O empresário explica que um termômetro do setor é o de contratações de mão-de-obra, com base no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o qual ainda está em queda, sem avanço significativo, na região de Rondonópolis. Ele avalia que o segmento ainda percebe falta de investimentos, especialmente públicos, para se movimentar mais. Contudo, expõe que também existem boas expectativas e promessas de investimentos por parte do Governo Federal no Estado.
REAÇÃO NAS VENDAS
A boa safra já vem refletindo positivamente nas vendas de máquinas agrícolas na região. O gerente de vendas da Agrofito Case, Bruno Ciarini, observa que o setor vem de dois anos muito difíceis, no caso de 2016 e ano retrasado, em função dos problemas de safra. Nesse contexto, explica que o mercado havia deixado de comprar, gerando dois anos de necessidades represadas. Agora aponta que o cenário no campo melhorou e o produtor rural vem sentindo mais confiança em fazer investimento, sem falar que os juros não estão abusivos.
Bruno Ciarini diz que já percebeu uma melhora considerável nas vendas em função da colheita da soja, com aumento de até 70% na venda de colheitadeiras, inclusive com compras de última hora, agora em dezembro, janeiro e fevereiro em relação ao mesmo período do ano passado. Nesse resultado, pondera que o período entre o fim de 2015 e começo de 2016 quase não teve venda de colheitadeiras. Agora, para o período entre fevereiro e agosto, que é o ápice da venda de tratores, plantadeiras e pulverizadores, também espera recuperar a queda de venda registrada no ano passado, com aumento de cerca de 30%. “O produtor nunca produziu tanto na lavoura”, observa.

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