História da cidade eternizada nas lentes de uma câmera

Camisa utilizada em seu casamento, que foi usada em fotografias por Candinho e Aroldo Marmo, está guardada até hoje.

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Casamento com Joana Murta Brandão já dura mais de 40 anos

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Israel Pereira da Silva (75), chegou na cidade em 1959 e foi o 1º fotógrafo de Rondonópolis

Israel Pereira da Silva (75), chegou na cidade em 1959 e foi o 1º fotógrafo de Rondonópolis

O pioneiro Israel Pereira da Silva, de 75 anos de idade, é o participante desta semana da série de entrevistas especiais do Jornal A TRIBUNA com pioneiros de Rondonópolis. Casado com Joana Murta Brandão da Silva há 42 anos, juntos tiveram três filhas. Israel chegou em Rondonópolis no ano de 1959 e foi o primeiro fotógrafo profissional da cidade, tendo registrado a história do Município por meio de suas lentes.

Natural de Angical (BA), Israel saiu de sua cidade em 1952, morou por algum tempo em Goiânia (GO), e em 1959 chegou a Rondonópolis junto a um amigo. Ele conta que dois tios já viviam em Mato Grosso desde 1936 e o convidaram para vir para a cidade. “Peguei uma jardineira e em Rio Verde ela quebrou. Acabamos ficando hospedados em uma pensão e lá encontramos um caminhoneiro que estava seguindo para Rondonópolis para fazer a entrega de açúcar. Viemos na carroceria do caminhão”, lembra.
Os pais vieram logo em seguida, foi quando a família se mudou para uma fazenda na região que hoje fica localizada em Juscimeira. Depois de dois anos, retornaram para Rondonópolis.
“Quando voltei da fazenda para Rondonópolis, um primo me convidou para trabalhar como fotógrafo, e foi assim que comecei na profissão. Comecei a fotografar profissionalmente em meados de 1962 e parei somente em 2002. Todo o serviço fotográfico da cidade, região e Estado, era eu que fazia. Essas fotos antigas da história de Rondonópolis, que são publicadas ou circulam por aí, são praticamente todas minhas”, disse.
Ele lembra que fotografou a primeira pedra do paralelepípedo na Arnaldo Estevão com a Marechal Rondon, fez fotos para títulos eleitorais e também fotos para políticos, como Cândido Borges Leal, o ‘Candinho’, e o fundador do A TRIBUNA Aroldo Marmo de Souza, que usaram a mesma camisa nos retratos. “A camisa era minha, usei no meu casamento no civil. Fiz a foto deles com ela pra dar sorte”, lembra.
Bastante participativo e ativo no desenvolvimento da cidade, Israel lembra de passagens importantes, como uma reunião que aconteceu com a presença de Daniel Moura e Luthero Lopes, em que foi discutida e resultou na criação de 16 escolas na zona rural, como em Jarudore, Pedra Preta e Naboreiro.
Nessa mesma reunião, Israel lembra que o então prefeito Luthero Lopes, com 19 dias de mandato, disse com a presença de políticos da cidade, estaduais e federais, que não abria mão de construir um campo de futebol em Rondonópolis. “Como não havia mais verba, ele conseguiu em Cuiabá um trator e uma patrola para limpar o terreno. Também não havia dinheiro para murar, então a prefeitura doou terrenos para que os contemplados construíssem os muros”, conta.
Em franco crescimento, Israel lembra que a cidade costumava ficar muito movimentada aos finais de semana, devido a presença de homens que atuavam na região de Pedra Preta para abrir a mata.
“No final de semana todos estavam em Rondonópolis, com o bolso cheio de dinheiro, e começou muita confusão, morrer muita gente. Veio uma equipe de Cuiabá com delegado, e se criou então a delegacia, no prédio que hoje abriga a agência dos Correios da Praça Brasil. O delegado prendia de 40 a 50 pessoas por dia, até que resolveu prender uns fazendeiros de Pedra Preta, raspou a cabeça de todo mundo e fez eles desfilarem pelas ruas do Centro. O Dr. Daniel não gostou nada e entrou em contato com Cuiabá, quando acabou recebendo um telegrama em que o delegado era exonerado e ele nomeado delegado provisório de Rondonópolis”, conta.
Apos esse episódio, juntamente com mais duas pessoas, Israel articulou a construção do 1º posto policial da cidade, que existe até hoje no Centro, na área da antiga rodoviária.
Com tantas histórias e tantas imagens gravadas na memória e em fotografias, o pioneiro lembra que apostou em Rondonópolis, porque sabia que devido a sua posição geográfica, a cidade não iria parar de crescer, como acontece até hoje.

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