SEM CONDIÇÕES
Cooperativa deixa projeto de coleta seletiva da Prefeitura

Imagem mostra mato alto ao redor dos barracões do projeto de coleta seletiva da Prefeitura

Imagem mostra mato alto ao redor dos barracões do projeto de coleta seletiva da Prefeitura

Demonstrando decepção, a Cooperativa de Reciclagem de Lixo União Cidadã Recicla Rondonópolis (Coopercicla), primeiro grupo organizado de catadores do município, decidiu que deixará, a partir deste sábado (11/3), o projeto-piloto de coleta seletiva implantado pela Prefeitura. O grupo alega vários motivos para a desistência do projeto, especialmente a ausência de apoio e de melhorias necessárias para garantir o aumento da renda dos participantes.
A presidente da Coopercicla, Jussineide Correa da Silva, informa que foi feito por parte deles o possível para manter o trabalho do grupo no projeto de coleta seletiva, mas não houve o respaldo suficiente do Município. Na atual situação, aponta que tem perdido cooperados e não tem conseguido atrair os catadores individuais, que continuam no “trabalho indigno e insalubre dentro do lixão da cidade”, pois eles não veem retorno financeiro para sua sobrevivência participando da cooperativa.
Entre os problemas citados, a presidente aponta que, decorrido mais de um ano da apresentação de proposta verbal para participação da Coopercicla no projeto de coleta seletiva que foi instituído em alguns bairros da cidade pela empresa Financial Ambiental/Sanear, que presta serviços para a Prefeitura, nenhum contrato foi formalizado com o grupo, gerando grande insegurança para os cooperados.
Jussineide também diz que o local indicado para a separação dos resíduos, um barracão localizado dentro do lixão, não oferece condições de trabalho dignas e seguras. Ela atesta que foram feitos pedidos de melhorias no local, como condições de higiene, corte do mato alto ao redor dos barracões, conserto nos banheiros, espaço para uma cozinha, mas que não foram atendidos de forma plena, apenas de forma paliativa.
A Coopercicla também argumenta que falta o devido esclarecimento da população da forma correta de separar os materiais. Assim, atesta que a educação ambiental, chave do sucesso de um projeto de coleta seletiva, não foi realizada com sucesso. Com isso, os resíduos recicláveis recolhidos nos bairros têm chegado ao espaço de triagem muito sujos, fazendo com que o trabalho de separação seja demorado, insalubre e indigno, além de tornar os resíduos inapropriados para a reciclagem.

Uma das reclamações é que, diante da falta de educação ambiental, os materiais recolhidos nos bairros têm chegado ao espaço de triagem muito sujos

Uma das reclamações é que, diante da falta de educação ambiental, os materiais recolhidos nos bairros têm chegado ao espaço de triagem muito sujos

“Resíduos muito sujos e inapropriados para a reciclagem acabam por diminuir a produtividade dos catadores cooperados na separação. A demora na triagem dos resíduos acaba atrasando todo restante do processo de prensagem e também a venda dos resíduos, já que precisamos formar uma carga que lote um caminhão, para podermos enviar para o comprador, a empresa Repram, de Campo Grande (MS), pois a mesma não recebe o material aqui em Rondonópolis. Vale ressaltar que, se fizermos uma carga menor, não conseguimos cobrir o custo do frete, que fica em torno de R$1.000.00 a 1.200,00”, explicou.
Além de receber o pagamento pela venda dos produtos com demora de 5 a 10 dias, os cooperados ainda, antes de dividir o dinheiro entre si, precisam descontar o valor do frete pago até Campo Grande, diminuindo a lucratividade e gerando insatisfação e desmotivação nos catadores. Até agora a empresa que constrói o aterro sanitário municipal, a Repram, também não apresentou nenhum projeto de como se dará a inclusão dos catadores no trabalho de coleta seletiva dentro deste empreendimento.
“A remuneração pela prestação de serviços de coleta seletiva é imperativo não só para reconhecer a relevância de nosso trabalho, mas condição essencial para garantir o desenvolvimento sustentável de nossa cooperativa, pois a remuneração advinda da venda dos resíduos recicláveis é ínfima, já que este material ainda não tem muito valor no mercado e estamos muito distantes das indústrias de reciclagem”, aponta Jussineide como solução para a solução.
Para exemplificar, Jussineide disse ver como exitoso o projeto do município de Campo Verde, onde os catadores da cooperativa local recebem da Prefeitura um valor financeiro por tonelada de lixo coletado e comercializado mediante apresentação de nota fiscal. Além de disto, a Prefeitura de Campo Verde cede o caminhão, motorista e paga as despesas com combustível e manutenção deste veículo.
Apesar de sair do projeto da Prefeitura, a Coopercicla repassou que continuará com o trabalho nas suas instalações, na Rua Militão, no bairro Jardim das Flores, recebendo os resíduos recicláveis das empresas parceiras do “Selo Amigo do Catador” e de cidadãos que levam seus resíduos até o espaço. Também continuará com o serviço nos pontos de coleta voluntária, esperando que os gestores públicos possam valorizar o serviço ambiental que eles prestam e priorizem a inclusão efetiva dos catadores na coleta seletiva e no sistema de logística reversa, respeitando a legislação vigente.

1 comentário

  1. JOCIMAR DE SOUZA PIRES

    Falou o essencial sr. Jussineide, uma cidade sustentável e que visa crescimento precisa antes de tudo limpar a sujeira que produz, né. Palhaçada viu a forma que lidam com essa situação, me preocupo quero reciclar e o município não progride nessa parte. Acorda Rondonópolis

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