Intolerância religiosa

raimundo-soaresEm se tratando do tema da redação do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) ocorrido dia seis de novembro de 2016, “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”, acredito que o mesmo é de grande relevância para a sociedade em que vivemos, até porque ser amado e respeitado faz muito bem. Isto é justo e nobre.
Na religião, a pessoa cria laços de afinidade com seus credos, ideais e com suas divindades: monoteísta ou politeísta e assim por diante. A religião é uma forma de política pública presente na sociedade e certos conflitos religiosos vão além de suas paredes englobando em partes interesses meramente políticos, com isso, a intolerância religiosa pode ser vista como uma forma de luta ideológica cercada de poderes.
Através da história, percebe-se que a religião norteia costumes e conceitos de vida de um povo e em alguns lugares ela é tida como a própria lei que os rege. O eixo norteador é a cautela, o respeito e o amor ao próximo. Jesus se refere à intolerância religiosa como um tipo de cegueira espiritual: “Acautelai-vos dos malditos FARISEUS”. Na verdade, penso que ele queria dizer: Quanta intolerância religiosa! Imagina nos dias de hoje em plena era globalizada.
Vejo que o grande mal está naquele que faz dos princípios da religião uma intolerância sem fim: imoral, lascívia, egoísta, lucrativa, interesseira, adúltera, indigente, mortífera, acima do senso da vida e do amor ao próximo, uma intolerância colocada como verdade absoluta onde o respeito sucumbe às práticas da prudência, da sabedoria e do bom senso.
Dessa forma, certos religiosos tentam manipular a crença da verdade em amor, transformando-a numa verdade tipicamente “EUCÊNTRICA” visando interesses próprios, onde o “EU” sobrepuja a própria religiosidade.
A intolerância acontece: – Quando se mata o próximo (fisicamente, socialmente, espiritualmente) por amor à própria religião. – Quando se desonra, oprime, menospreza e comete abusos de todos os tipos ao menor, ao órfão, à criança pura e indefesa. – Quando se valoriza apenas uma parte de um segmento religioso e menospreza os demais. – A intolerância acontece quando exploram a fé da viúva, do necessitado e são mais cruéis ainda quando se rouba do pobre à custa de interpretações nefastas e erguem castelos individuais usurpando os princípios de Deus. – Acontece quando uma classe acredita que somente eles são dignos do pote de ouro do tesouro supremo, da perfeição máxima da fé religiosa.
Num país considerado como aberto a todas as religiões, ainda existe uma intolerância tal que nos envergonha e não é somente em nível de Brasil que ela deve ser combatida, mas, a nível mundial. Todos sofrem quando cristãos são mortos por manipularem uma Bíblia ou declararem sua fé de maneira pública.
Todos sofrem quando crianças são violentadas e tão pouco são amparadas. Todos sofrem quando os direitos humanos são desrespeitados e pessoas são ridicularizadas, menosprezadas, tratadas como escória da humanidade.
A pergunta é: fanatismo ou intolerância religiosa? Em nome de Deus! Mas, que Deus é este que tem prazer na dor e na falta de amor para com o próximo? Com certeza, não é o Deus que eu creio. Cada pessoa tem seu segmento religioso e acredita piamente em tais princípios. Assim ouso dizer que a tolerância acontece quando nos respeitamos mesmo tendo um credo e ideais diferentes. Saber amar sem matar, sem humilhar, sem menosprezar é uma dádiva divina.
Quatro frases me encantam e a quinta me fascina: 1-A lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos. (Mahatma Gandhi). 2- Aprimorar a paciência requer alguém que nos faça mal e nos permita praticar a tolerância. (Dalai Lama). 3- A primeira lei da natureza é a tolerância – já que temos uma porção de erros e fraquezas. (Voltaire). 4- O sucesso reside em três coisas: decisão, justiça e tolerância. (Johann Goethe). 5- Amai o próximo como a ti mesmo… Amai vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem. (Jesus Cristo).
O caminho para combater a intolerância religiosa no Brasil deve partir do pressuposto de que amor e o respeito por todas as classes religiosas é uma questão de honra e devem estar embasados em políticas públicas que assegurem o direito a todos, porque quem se ama, ama o próximo. Isto é tolerância!

(*) Raimundo Soares de Andrade é professor de arte e música na Escola Prof.ª Eunice Souza dos Santos – prrsoares@hotmail.com

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