Os tropeços do “Estado de Transformação”

Raimundo Soares e Uilton SmaniottoDizem que uma boa forma de matar uma rã é agindo com sutileza. Para isto, basta colocá-la num recipiente com água natural, em seguida, levar o recipiente ao fogo de forma que a água vá se aquecendo gradativamente. A rã, acomodada com o aconchego do seu canto, sem perceber, cai na armadilha na qual foi posta sem retrucar, pois lhe parecia algo muito bom. Coitada, morre na fervura. Esse foi seu triste fim.
Não seria essa, a mesma artimanha usada pelo governo para tentar acabar/eliminar/sufocar/destruir aos poucos as vitórias conquistadas até hoje pelos servidores que fazem o estado ser o que é: grande, rico, forte e potente? Certo é que não lutamos com coragem e veemência para que tudo fosse jogado às traças que querem saborear um fim lento, mas, maléfico e destrutivo.
Não somos como as rãs que humildemente caem numa armadilha traiçoeira. Embora sendo simples como os pombos, somos sutis e sagazes como as serpentes e ainda temos visão de águia e força de leão. Aprendemos a ser, ter, agir, pensar, sentir, existir e principalmente lutar pelos nossos direitos e ideais.
Não queremos “água” refrescante abarrotada de elementos tidos como bons, mas, que após ser ingerida, fazem um mal tremendo. Temos sede sim, mas, nossa sede é de outra coisa; sede de justiça, respeito, igualdade, direito.
Salomão, o grande Governador da história de Israel disse: “Colocam-se cabrestos nos burros e cavalos para que estes obedeçam aos seus donos e façam tudo o que ele lhe pedir”. Bom, isso é verdade, mas, ao contrário disso, nós, não somos burros nem cavalos, somos apenas homens e mulheres valentes, guerreiros, persuasivos ou teimosos como os burros e fortes tais quais os cavalos, mas, não aceitamos nenhum tipo de cabresto que queiram nos colocar, afinal, somos nós que fazemos esse estado seguir em ritmo de transformação e o melhor, com reconhecimento em nível nacional e internacional.
Uma greve nesta proporção envolvendo diversos setores como saúde, educação, segurança entre outros, demonstra a total falta de consideração por parte do governo para cada servidor público. Consideramos uma afronta o não pagamento dos 11,28% da RGA (Revisão Geral Anual) haja vista que o mesmo é um direto legal com base em lei.
Saúde e segurança como podem ser percebido, andam precárias, uma vergonha que nem mesmo precisa comentários. Uma lástima, isso é inaceitável. Em relação à educação, a tal Parceria Pública Privada, realizada através do programa MTPAR que atua na privatização e na terceirização dos 15 Cefapros e escolas estaduais de MT, mostram claramente os interesse empresariais do governo.
Isso é uma afronta aos profissionais da educação como também aos pais e alunos, pois representa um retrocesso educacional. Onde já se viu Escola Pública Privada? E o que falar dos concursos? Dispensa indagações, queremos posições firmes, exatas e conclusivas. Concursos Já!
É inadmissível observar também o posicionamento intimidador e ameaçador de nosso governador, principalmente no que se refere à sua forma de lidar com informações destorcidas para tentar justificar sua própria posição.
Na literatura, chamamos isso de “lobo em pele de cordeiro”. Vale ressaltar que suas sucessivas aparições nos meios de comunicação, tentando justificar para a população suas propostas absurdas, verdadeiramente, dá a impressão de querer aparecer e estar em foco. Isso pode ser percebido com os montantes investidos em publicidade.
Na verdade, nosso governador, além de conhecedor das leis, é eloquente nas palavras e bem assessorado, mas, existem falhas em seu discurso que se diga “meloso”, quando confrontado sobre números e situações.
Um bom exemplo disso é o valor da UPF (Unidade Padrão Fiscal) que subiu astronomicamente depois que ele assumiu o estado, o que fez com que a arrecadação subisse muito com processos vindos de anos de trabalho que chegaram ao fim em sua gestão.
Precisamos lutar contra os aTAQUES governamentais que soam de forma autoritária e hostil, nada democrática, que distorcem nossos direitos tentando destruir nossos sonhos, sonhos esses, sonhados também pela sociedade que está cansada de ser meramente um figurante de uma peça teatral gigantesca.
Queremos ser protagonistas de nossa própria história, por isso reivindicamos, lutamos e se preciso for, guerreamos, mas, de forma sábia e prudente. Por fim, queremos que nossos representantes, servidores, sindicalistas, profissionais gerais, vereadores, deputados, outras autoridades e toda a sociedade deem às mãos e juntos lutem por um Mato Grosso digno de respeito e de qualidade onde se possa viver feliz e realizado.
Isso sim é um estado de transformação e não de destruição. Os tropeços do “Estado de Transformação” devem ser encarados frente a frente com força e união.

(*) Raimundo Soares de Andrade. Professor da Escola Eunice Souza dos Santos.
prrsoares@hotmail.com

(*) Uilton Smaniotto. Agente Fiscal Estadual de Defesa Agropecuária e Florestal I.
uilsmaniotto@gmail.com

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