Big graça

Raimundo Soares - 06-05-15Na correria do dia a dia, pessoas indo e vindo de todos os cantos e direções, algumas passavam percebidas, outras despercebidas por tantos olhares que se encontravam ao mesmo tempo naquele e em vários lugares. Certeza e incertezas, risos e alegrias, medo, solidão, amor, ódio, paz, muita e pouca fé, tudo junto e misturado. Na verdade, todos estavam à procura da graça confortadora que lhes podia ajudar nas lutas e desilusões da vida. Mas, para a surpresa de muitos, aquele dia, jamais seria o mesmo, porque uma música que fazia as almas se encherem de gozo e alegria, como que um som majestoso, iria tocar e preencher o coração de tal forma que ninguém seria capaz de resistir ao som da graça de Deus, na verdade, uma big graça.
Ao saírem da estação, do metrô Ana Rosa, em São Paulo, as pessoas perceberam um ambiente diferente, porém agradável. O som ecoava propagando aos quatro cantos a boa melodia e harmonias sonoras que exalavam mais que perfumes musicais, som de fé, paz, amor, perdão, conforto, graça, uma BIG GRAÇA. Lá estavam eles, uma banda de três músicos.
Três amigos que gostavam de cantar, tocar e comer pizza, três moços destemidos; Nill, Daniel e Zé Carrasco, que ousaram anunciar a palavra da salvação, de graça, através da música cristã de maneira descontraída do amor de Deus em todos os cantos possíveis: praças, metrôs, estações, bares, ruas e avenidas.
Diga-me; quem não resiste ao encanto de um bom jazz, um rock rol, um blues, um soul, uma MPB bem executada em tons entrelaçados que vão de encontro aos corações necessitados com melodias e letras especiais?
De tantos que passaram e ouviram aquele som de extrema graça, certa jovem, estilo gótica, parou ao lado do guitarrista e atentamente ouvia uma canção em rock que dizia: “Jesus Cristo mudou meu viver”. Ao final da música, a moça olhou nos olhos daquele bom moço e lhe perguntou: porque está escrito “Big Graça” no bumbo?
Sem hesitação, aquele rapaz lhe respondeu: Existe graça maior do que a de Deus? Ele enviou seu filho Jesus para morrer em nosso lugar naquela cruz e assim nos deu uma nova vida, isso sim é uma BIG GRAÇA. Porque de nós mesmos, nada merecemos, mas, Ele, cheio de amor e paz, ama a cada um incondicionalmente, assim como a mim e você. Tais palavras foram no íntimo daquele coração que deixou algumas lágrimas cair ao chão e suspirando resolveu render seu coração ao Deus do amor absoluto e verdadeiro.
Whitney Houston (1963-2012), grande cantora americana, expressava em máxima precisão o que a profundidade da melodia e da letra da música “Amazing Grace” queria dizer. “A graça eterna de JESUS, que veio me salvar, a mim, tão grande pecador, Ó graça singular”. Pena que não soube aplicar totalmente na sua própria sua vida. O mesmo se deu com Elvis Presley (1935-1977) que levou multidões ao delírio com a mesma canção, mas, precisava vive-la melhor em seu coração. Confesso que ambos morreram conhecendo a graça, mas que viveram profundamente nela, não posso afirmar, somente Deus o sabe.
Mas, que graça é essa e como obtê-la em nossas vidas? Digamos que os antigos reformadores, grandes homens de fé a redescobriram em suas vidas. LUTERO, Martin (1517) em pleno século XV ousou e enfrentou a classe dominante eclesiástica, quando afirmou, mencionando nas suas 95 teses que todos são salvos pela graça, não, por favor, humano, pois tal graça é imerecida. ”Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; Efésios 2:8”.
O Apóstolo Paulo mencionou com veemência em suas cartas esse tema e na carta aos Romanos, capítulo 3, ele afirma que se não fosse pela graça de Deus, estaríamos perdidos em nossos males. (Rm, 3-24). Que graça é essa que nos rejuvenesce, que resplandece como luzeiro no meio da noite escura e que faz nossas trevas virarem luz?
Graça que nos leva ao encontro do farol, porque no meio da tempestade, nos achegamos ao seu aconchego e encontramos paz. Graça que alcança, que transforma, que impulsiona a seguir sempre em frente e diferente dos que retrocedem, nos faz o olhar para o autor e consumador da nossa fé. Jesus, Senhor, o Senhor da graça infinita.
Em meio às turbulências das novas tendências e doutrinas mega-exuberantes, é necessário repensar e voltar ao ensino da doutrina da graça de Deus e em se tratando de música cristã, é tanto oba oba nas letras, que algumas delas dá até vergonha de ouvir, porque no fundo, não dizem nada, são sem graça. Cresçamos na graça, andemos na graça e sejamos graciosos. De graça recebei, de graça dai ( Mt 10-8).

(*) Raimundo Soares de Andrade. Formado em Música pela UFPR, Curitiba-PR. E-mail:
prrsoares@hotmail.com

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