Inglês que não convence

Jerry Mill de paleto - 10-04-13Já notou que todos nós temos ao menos um parente, um amigo ou vizinho que já estudou ou ainda estuda inglês – raramente outra língua? Mais interessante ainda é notar que mesmo que nunca frequentou uma escola regular (pública ou particular), curso livre ou uma faculdade/universidade certamente tem algumas centenas de palavras ou frases na sua bagagem cultural, adquiridas das formas mais óbvias ou inventivas ao longo da vida. Essas tais ‘noções’ costumam se originar do mundo do entretenimento, de maneira incidental, mas nem sempre produzem o resultado esperado.
No Brasil, ao longo do tempo, diferentes métodos e metodologias têm se mostrado ineficazes quando utilizados por professores limitados, despreparados ou alienados em salas de aula compostas por jovens ou adultos desinteressados, desmotivados ou desumanizados. Uma vez combinadas a falta de profissionalismo desses ‘professores’ com a tendência ao comportamento ora bovino ora caprino desse alunado, o sistema educacional brasileiro acaba por produzir semianalfabetos e se distanciar mais e mais do quesito ‘qualidade’, conseguindo atingir a façanha de servir de mau exemplo no campo da Educação pelo mundo afora ano após ano.
No caso específico do ensino e aprendizagem da língua inglesa, há décadas, o brasileiro comum não vê o inglês como um idioma fácil para aprender, falar e escrever – apesar da sua maior simplicidade em alguns aspectos, se o compararmos com a ‘complicada’ ou ‘complexa’ língua portuguesa. E se a “nossa língua portuguesa’ é tida como ‘difícil’, o que explica a displicência, a surpresa ou a revolta dos brasileiros quando eles se deparam com fatos linguísticos idênticos ou díspares entre os dois idiomas? Ah, quem me dera saber por onde anda a tão almejada lingua perfetta…
Na língua inglesa, idioms, phrasal verbs e a pronúncia do th são casos típicos de contratempos já esperados (mas perfeitamente superáveis), enquanto que há pouca justificativa para as tradicionais dificuldades que os Brazilian learners têm com as letras do alfabeto, os números (cardinais e, em especial, ordinais) e as conjugações verbais, visto que eles são muito utilizados (e inevitáveis) no dia a dia de todo e qualquer falante do idioma em questão, e exaustivamente ‘ensinados’ em nossas salas de aula.
Questões mais complexas, que geralmente envolvem a ordem das palavras (sintaxe), o sentido ou significado das palavras ou expressões (semântica) e a pronúncia de sílabas ou palavras (fonética/fonologia), nem sempre são contempladas de maneira adequada nem mesmo no dito ensino superior. Resultado: quatro anos em um curso com foco na linguagem acaba formando indivíduos com canudo nas mãos e pouco conhecimento na cabeça.
Se você duvida, faça o teste. Mas não se surpreenda se algum graduado te disser, com convicção, que talvez tenha aprendido mais surfando na Internet ou jogando videogame do que na academia. Ora, inglês aprendido assim não convence ninguém, pelo menos é o que os próprios usuários dessa modalidade costumam dizer. E quem sou eu para duvidar deles?

(*) Jerry Mill é mestre em Estudos de Linguagem (UFMT), membro da Academia Rondonopolitana de Letras (ARL), gestor do Clube da Língua, parceiro e voluntário do Rotary Club de Rondonópolis

1 comentário

  1. Meu querido amigo Jerry, deixando de lado as “questões mais complexas”, que, como disse, nem sempre são contempladas de maneira adequada, a simples comunicação em inglês já é uma aventura maravilhosa para quem quer se arriscar. Aprender inglês, para mim, é um trabalho de formiguinha, cada dia uma palavra, sem se preocupar muito com sua pronúncia ou significado e uso correto dentro do contexto, arrisca-se a algumas gafes. Posso dizer que já é muito gratificante poder dizer hello e see you soon, imagino eu o quanto bom é poder entender as “questões mais complexas”.

    Parabéns pelo texto, parabéns por suas lutas e suas vitórias!

    Grande abraço irmão!

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