ESPAÇO DIET
Importância da família no tratamento do diabetes

Diabetes - 12-11-13

O manejo do diabetes é complexo, uma vez que requer a integração de atividades diárias de cuidados, como monitorização da glicemia e aplicações de insulina, com modificações no estilo de vida, incluindo alimentação saudável e prática regular de atividade física. O ambiente em que a pessoa com diabetes vive desempenha um importante papel, pois é capaz de fornecer o apoio necessário para a manutenção de comportamentos saudáveis.
No diabetes tipo 1 (DM1), doença autoimune diagnosticada principalmente na infância, a família pode precisar assumir uma responsabilidade fundamental para o controle metabólico, conduzindo a insulinoterapia e auxiliando no reconhecimento e no tratamento de episódios de hipoglicemia. Conforme a criança cresce, sobretudo na transição para a adolescência, é preciso haver uma transferência de responsabilidade, considerando que o jovem passará cada vez mais tempo na escola, com os amigos, e em diferentes ambientes sociais. Nesta fase, o apoio familiar também é relevante e ajuda no fortalecimento do autocuidado pelo paciente.
Para pessoas com diabetes tipo 2 (DM2), quadro relacionado com resistência à insulina, frequentemente no contexto da obesidade e síndrome metabólica, o diagnóstico costuma ser na idade adulta e demanda uma série de adaptações na rotina da família, envolvendo a mudança de hábitos alimentares inadequados e do comportamento sedentário. Neste cenário, a família pode ter efeitos tanto positivos quanto negativos sobre a qualidade de vida dos pacientes.
Conflitos familiares, críticas, comentários que induzem culpa, perfeccionismo e rigidez são aspectos negativos, relacionados ao pior controle metabólico4. Uma queixa frequente entre pessoas com DM2 é que a família não colabora no seguimento do plano alimentar e as encoraja com frequência a transgredir o tratamento.
Mayberry e Osborn (2012) conduziram grupos focais para discussão sobre as barreiras e facilitadores do manejo do DM2 e para conhecer a percepção dos pacientes sobre o apoio familiar. As pesquisadoras identificaram que aqueles que relatavam a ausência de apoio dos familiares apresentavam pior aderência ao tratamento medicamentoso e afirmavam que esta falta de suporte sabotava seus esforços para manter comportamentos de autocuidado.
Quando presente, o apoio familiar tem grande efeito protetor, pois facilita o comprometimento com o tratamento e diminui o estresse relacionado, com consequente impacto positivo sobre o bem estar e o controle da doença. Wen et al. (2004) observaram que a maior percepção do apoio familiar por pacientes com DM2 estava associada com maior adesão à dieta e atividade física. Watanabe et al. (2010) verificaram que pacientes com maior suporte da família apresentavam concentração de hemoglobina glicada (HbA1c) significativamente menor, indicando um melhor controle glicêmico.
A importância do ambiente familiar sugere que os profissionais de saúde precisam incluir seus membros, sempre que possível, em atividades educativas que abordem a influência de seus comportamentos sobre os cuidados e a saúde do indivíduo com diabetes, para ajudá-los a desenvolver estratégias para harmonizar o relacionamento e ajustar as responsabilidades, superando barreiras que atrapalham o autocuidado.

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