Formação acadêmica e a Pedagogia da Liberdade de Paulo Freire

Neste artigo, estabeleço relação entre minha formação acadêmica e a prática educativa vivenciada no dia a dia da escola, a partir do que aprendi com as teorias discutidas no livro “Educação como prática da liberdade” de autoria de Paulo Freire, somadas com as discussões na aula da disciplina “Estudos Temáticos”, ministrada no curso de Mestrado em Educação PPGEdu, do Campus Universitário de Rondonópolis pelo professor doutor Ademar de Lima Carvalho.
Freire (1921-1997), em sua obra, descreve as condições histórico-sociais pelas quais passava o Brasil e o Chile nos anos sessenta, países em que realizou as práticas educativas mais relevantes em sua vida. Sobre a Pedagogia da Liberdade, o referido autor começou seus ensaios por volta de 1940, mas somente aflorou nos anos 1960 a 1964, coincidindo com o regime militar que o Brasil enfrentou a partir de 1964.
O livro apresenta reflexões em que Paulo Freire aborda o “Método” de Alfabetização de Adultos de maneira detalhada, dentro de um contexto sociopolítico no Brasil na década de 1960. Ele faz uma crítica à educação tradicional no Brasil, defendendo que seria necessária uma educação para decisão, para uma responsabilidade social e política. Educação que o colocasse em diálogo sempre com o outro, através de uma visão crítica e não apenas passiva. Freire concebia um processo pedagógico de educar o sujeito histórico e politizado dentro de uma análise crítica da sociedade. Ao contrário da concepção tradicional de escola, que se apoia em métodos centrados na autoridade do professor, ele comprovou que os processos em que os alunos e professores aprendem juntos, são mais eficientes. Uma educação problematizadora ou conscientizadora, capaz de superar a relação opressor-oprimido.
Quanto a minha experiência no campo educacional, posso dizer que as práticas de alguns professores do Curso de Pedagogia, iniciado no Rio de Janeiro (1989), na SUAM (Sociedade Unificada Augusto Motta) e concluído na UFMT/Campus de Rondonópolis (1993), tiveram relevante influência para as minhas atividades acadêmicas no Ensino Fundamental.
A partir da leitura desse livro, percebi que a minha prática poderia ter sido mais suave, pois, quando recém-formada (1994), fui para o campo de trabalho, logo percebi o quanto precisava aprender no tocante a conteúdo e técnica de ensino, necessários para assumir tarefa de tamanha relevância à formação de cidadãos conscientes. Aceitei conduzir uma sala de aula como se fosse atividade simples de se realizar, ou seja, sem saber que, lidar com seres humanos, poderia ser mais difícil que qualquer outro tipo de trabalho. Quando me deparei com vários olhares, atentos ao que eu poderia transmitir, ‘caiu a ficha’. Compreendi, então, que não teria volta, aquelas pessoas precisavam aprender e eu teria que encontrar a melhor maneira de ajudá-los a ler e a escrever. Na verdade, eu me sentia um pouco perdida, porém fui conversando com as colegas, relendo os clássicos sugeridos pelos professores da graduação e os diversos textos e, assim, consegui superar essa etapa de minha vida como educadora.
Pode-se inferir, portanto, que ser professora crítica e libertadora não é tarefa fácil, principalmente se a pessoa passou por ensino tradicional rigoroso; teria que desvestir toda a violência física e psicológica sofrida para poder assumir uma postura libertadora e, assim, ser capaz de ajudar os alunos a serem cidadãos críticos e autônomos, da forma que Paulo Freire aponta.

(*) Helena Soares da Silva Mestranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação da UFMT, Campus Rondonópolis; Linha de Pesquisa Formação de Professores e orientanda da professora doutora Cecília Fukiko Kamei Kimura

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