Famílias buscam filhos através da adoção

Crianças e adolescentes disponíveis à adoção em Rondonópolis ficam na Casa Abrigo, na Vila Operária

A adoção de filhos continua sendo buscada por algumas famílias rondonopolitanas. O ato de amor – e também de coragem – é realizado não apenas em casos de infertilidade ou esterilidade no casal, mas também por amor ao próximo, solidariedade. Informações da 6ª Vara Cível, Especializada em Infância e Juventude, dão conta que hoje são 17 casais habilitados à adoção em Rondonópolis. No entanto, um dos empecilhos para a reinserção de crianças ao seio familiar é o perfil exigido pela maioria dos pretendentes: recém-nascidos e da cor branca.
Em Rondonópolis, as crianças e adolescentes disponíveis atualmente para a adoção encontram-se na Casa Abrigo, localizada na Rua Presidente Costa e Silva, 440, na Vila Operaria. Conforme estimativa advinda da 6ª Vara Cível, em média, entre 05 e 10 crianças/adolescentes são oficialmente adotadas por ano no município. Atualmente, as crianças – meninos e meninas – disponíveis para adoção possuem idade entre 9 anos e 17 anos de idade, ou seja, entrando na pré-adolescência ou mesmo na adolescência.
A juíza da 6ª Vara Especializada em Infância e Juventude, Maria das Graças Gomes da Costa, repassa que o perfil dos casais é variado, indo de pouca escolaridade ao nível superior, sendo alguns deles com filhos biológicos. “No entanto, a motivação da maioria dos pretendentes é a infertilidade ou esterilidade, existindo ainda muita gente adotando por motivos altruístas”, avalia a magistrada.
Conforme Maria das Graças, crianças de até um ano de idade realmente tem pouco tempo de espera no abrigo até a adoção, devido à grande procura por crianças de tenra idade. Contudo, explica que não é possível estimar o tempo médio de espera até a consolidação da adoção formal, pois ele é variável em função das características da criança pleiteada e de quantos pretendentes aguardam no cadastro.
No Brasil, de acordo com a magistrada, podem se candidatar à adoção de crianças/adolescentes homens e mulheres, não importando o estado civil, desde que sejam maiores de 18 anos de idade, 16 anos mais velhos do que o adotado e ofereçam um ambiente familiar adequado. “Pessoas solteiras, viúvas ou divorciadas, com modestas, mas estáveis condições socioeconômicas, podem candidatar-se à adoção”, explica.

Serviço:
A Casa Abrigo fica localizada na Rua Presidente Costa e Silva, 440, Vila Operária. O telefone é o 3422-5433.

Apadrinhamento afetivo é alternativa à adoção

A Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA), do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com a intenção de incentivar a prática à solidariedade e de desenvolver a capacidade de doar-se, criou o apoio afetivo às crianças/adolescentes que vivem em instituições de abrigo, através do projeto denominado “Padrinhos”.
O projeto é dividido em “Padrinhos afetivos”, sendo aqueles que podem visitar seu afilhado no abrigo, comemorar seu aniversário, levá-los a passeios nos finais de semana, levá-los para suas casas, comemorar datas festivas (Natal e Ano Novo), orientar seus estudos e, assim, estreitar laços e amadurecer a idéia da adoção para que a criança/adolescente não venha a sofrer novos traumas, porque atrás de papéis, segundo o juízo da 6ª Vara Cível da Comarca, existem crianças carentes do aconchego de uma família.
Os “Padrinhos provedores” são aqueles que dão suporte material ou financeiro, seja com a doação de materiais escolares, calçados, seja com o patrocínio de cursos profissionalizantes, reforço escolar, prática esportiva e, até mesmo, mediante contribuição mensal em dinheiro.
Já os “Padrinhos prestadores de serviço” são profissionais liberais que se cadastram para atender às crianças e aos adolescentes participantes do projeto, conforme sua especialidade de trabalho, independente de sua formação escolar.

Processo de adoção se tornou menos burocrático

Quem deseja adotar uma criança deve se dirigir pessoalmente ao Fórum da Comarca, procurar a Vara da Infância e Juventude e fazer o pedido de habilitação para se cadastrar como pretendente à adoção

A juíza da 6ª Vara Cível Especializada em Infância e Juventude, Maria das Graças Gomes da Costa, informa que o processo para adotar uma criança se tornou menos burocrático no Brasil. Mesmo assim, pontua que a adoção não é deferida a qualquer pessoa que tenha interesse na adoção, sem procedimentos prévios.
“Algumas formalidades, alguns requisitos e razoáveis medidas de prevenção e segurança são elementos que formarão o processo para habilitar um pretendente, todavia, sendo medidas extremamente simples, não serão obstáculos para desestimular a adoção ou dificultar a realização da vontade do adotante”, argumenta a magistrada.
Quem deseja adotar deve se dirigir pessoalmente ao Fórum da Comarca, procurar a Vara da Infância e Juventude e fazer o pedido de habilitação para se cadastrar como pretendente à adoção. Com isso, receberá informações iniciais a respeito dos documentos necessários para dar continuidade ao processo.
Após análise e aprovação da documentação, entrevistas serão realizadas com uma equipe técnica, composta por profissionais da área da psicologia e do serviço social. O requerente deverá freqüentar um curso preparatório de adoção, no qual haverá preparação psicossocial e jurídica, a ser ministrado pela Vara.
A magistrada alerta que o ato da adoção é irrevogável, segundo o Estatuto. “Os pais adotivos, entretanto podem ser destituídos do poder familiar, igualmente aos genitores biológicos. A devolução da criança à instituição de abrigo pode acontecer no período de estágio de convivência, ou seja, antes de prolatada a sentença de adoção”, explica.
Com a intenção de minimizar o número de crianças que retornam às casas de abrigo, no período de estágio de convivência, a juíza Maria das Graças informa que a lei estabelece uma preparação psicológica aos pretendentes à adoção, de modo a esclarecer sobre o significado de uma adoção do ponto de vista psicológico e jurídico. Este curso já foi ministrado no ano passado na cidade, quando os casais cadastrados puderam tirar suas dúvidas e receios.

“Eu faria tudo novamente!”, afirma mãe adotiva

Mariúva Valentim Chaves, psicóloga e servidora pública: “mãe e pai é quem cria”

A psicóloga e servidora pública Mariúva Valentim Chaves tem dois filhos adotivos e um biológico. Passados 23 anos da primeira adoção, ela diz que não se arrepende dessas decisões e afirma que faria tudo de novo. “Os dois são filhos maravilhosos, que só trouxeram alegrias!”, avalia ela, informando que o filho adotivo mais velho tem hoje 27 anos e o mais novo tem 14 anos de idade.
O filho adotivo mais velho tinha 04 anos de idade quando foi adotado por Mariúva. O mais novo tinha 02 anos de idade quando da adoção. Ela explica que, quando adotou o primeiro, estava grávida do filho biológico. A psicóloga explica que a primeira adoção não foi planejada, acontecendo por acaso. Quando da primeira adoção, o menino a ser adotado estava com problemas de saúde e abandonado pela mãe biológica. “O pai me perguntou se eu não queria a criança…”, recorda.
No começo, Mariúva admite que o processo de adoção realmente não é fácil. A decisão do casal e a adaptação da família são essenciais para que a criança seja bem-vinda e aceita. “Nós, seres humanos, somos um pouco egoístas… Não é fácil trazer uma pessoa de fora para casa, mas aos poucos a gente vai aceitando, trabalhando isso dentro da gente. Hoje os adotivos não têm diferença do biológico”, repassa, informando que atualmente tem dois netos a partir da doação.
Assim como qualquer filho biológico, Mariúva justifica que os adotivos também dão problemas. Ela alerta que é importante, na adoção, ser sincero com a criança, não mentir sobre a condição, pois saber pelos outros pode ser muito pior. “Sempre falei que não era mãe natural, mas deixava claro que os amava mais que a mãe que os pariu”, recorda. Nessa situação, uma angustia natural do adotivo, segundo ela, pode ser o desejo de conhecer a mãe natural. “Depois que conheceu a mãe natural, acabou a angústia, nunca mais quis saber…”, explicou sobre experiência vivida em casa.
Mariúva lembra que também teve de enfrentar no início as críticas de familiares, pois tinha condições de ter seus próprios filhos biológicos. No entanto, atesta que hoje em dia os familiares encaram os adotivos como membros de sangue da família, sem nenhuma diferença. “Quando se adota uma criança, é preciso realmente assumir o papel de mãe do coração”, ensina, explicando que, com isso, a criança vai ganhando segurança e construindo o caminho na vida sem traumas ou problemas. “Mãe e pai é quem cria”, atesta.

1 comentário

  1. Quero adotar uma menina de 02 a 04anos anos

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