Publicado em 06 de julho de 2010

Um ensino que preocupa

O Ministério da Educação divulgou, ontem, as notas do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), instrumento criado justamente para que se busque condições de medir a qualidade da educação no Brasil. O Ideb funciona em uma escala de 0 a 10, o objetivo do governo federal que o país chegue ao menos à nota seis a partir de 2021, ou seja daqui a 11 anos.
Mas, na análise inicial dos números deste ano, está claro que os estados mais desenvolvidos do país conseguem os melhores rendimentos. Mato Grosso, por exemplo, tem o que comemorar por um lado, mas também temos muito a lamentar, principalmente em razão dos números relativos ao ensino médio apresentados ontem.
Nas séries iniciais que compreende entre a 1 a 4ª série estamos em crescente evolução e superamos a média nacional. O ensino em Mato Grosso neste aspecto melhorou consideravelmente, pois a média nacional era de 3,7 e atingimos este ano 4,3. Para se ter uma idéia, em 2007 os nossos números eram vergonhosos, a nossa nota ficou naquele ano em 3,1. Isso mostra que estamos em um crescente, o que é muito bom por sinal.
Mas melhoria mesmo tivemos na series finais (entre a 5 a 8ª série). Neste aspecto o nosso desenvolvimento foi ainda melhor, passamos de 3,6 de 2007 para 4,9% para o ano de 2009, sendo que a média nacional este ano foi de 4,2. Fora isso, ao lado de Pernambuco, Ceará e Distrito Federal, o nosso estado foi o que apresentou o maior rendimento.
Por outro lado é preciso identificar com urgência o que está ocorrendo com o nosso chamado ensino médio, que está abaixo da média nacional e o pior de tudo está com os números praticamente estacionados. Enquanto a média nacional é de 3.5, estamos abaixo deste número, a nossa média no ensino médio é de apenas 3,2. O que chama a atenção é que além de estarmos abaixo da média nacional, e que não houve evolução no rendimento no ano de 2007, ficamos com os mesmos 3,2.
Há muito o que explicar, um detalhe que não pode ser deixado de levar em consideração é que hoje o ensino médio não é mais para buscar a qualificação ou um lugar em uma universidade. Hoje, o mercado de trabalho está tão cruel que o ensino médio é referência para contratação e, desta forma, o estudante não está preocupado com a qualidade, ele quer é terminar o mais rápido possível, mesmo que comprometa a qualidade, para chegar logo ao mercado de trabalho. Ou seja, fazer o ensino médio por fazer.

2 comentários

  1. carlos augusto (marron) disse:

    É… Hora… de Silêncio…

  2. yeda disse:

    Pois é, para mim está muito claro o que acontece. Primeiro o papá na mesa, depois nóis vai vê o que nóis pode fazê. É a lógica da pobreza. A reação contra a política de `faz de conta que todos tem trabalho, moradia e papá na mesa`. Mas não culpo o empresariado, estes também estão sendo explorados no limite da capacidade da auto sustentação e sustentação do ´Custo Brasil`.


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